quarta-feira, 28 de maio de 2014

P.E.C. Nº 265: Breves notas sobre o Rali Vidreiro / 2014


O Rali Vidreiro, na estrada nos próximos dias seis e sete de junho, marcará a entrada na segunda metade da temporada no campeonato nacional de Ralis. 

Com quatro provas ainda para disputar, todas elas com caraterísticas próprias e distintas entre si, os concorrentes, porém, apenas se vão deparar com pisos de asfalto até final da época. 

Até ao momento esta tem sido uma época de paradoxos. 

As provas têm sido decididas por escassos segundos. 

A maior diferença entre vencedor segundo classificado registou-se no Rali de Portugal, com os ocupantes dos dois lugares mais altos do pódio a distar entre si meros vinte e seis segundos. 

Ainda assim, com um enorme equilíbrio de andamentos a ser o tom dominante, a ironia residente no facto de nas quatro provas já cumpridas no CNR o vencedor ter sido sempre o mesmo. 

Pedro Meireles (dele se trata) e Mário Castro chegam à Marinha Grande com uma confortável liderança no campeonato, e em nada irão alterar o registo que têm vindo a manter até ao momento, feito de realismo, paciência, e também, convenhamos, alguma dose de sorte. 

Quem seguramente tem (e vai) fazer pela vida são os seus interlocutores diretos na discussão pelo título de 2014: Ricardo Moura (acompanhado por António Costa) e João Barros (ladeado por Jorge Henriques)

O tricampeão nacional quererá dar uma sapatada na má-sorte que o vem acompanhado desde o início da época, e quaisquer veleidades no que respeita ao cetro de pilotos tem que passar necessariamente por um bom resultado, se possível uma vitória no Rali organizado pelo CAMG, aproveitando as potencialidades do novo Ford Fiesta R5, recentemente adquirido. 

João Barros, campeão em título de duas rodas motrizes (o género de piso onde se sente mais confortável), em viatura idêntica à de Moura pretenderá mostrar que o bom andamento no Rali Cidade de Guimarães (no qual venceu troços e manteve-se na luta pelo triunfo até bem perto do final) não foi obra do acaso, afirmando competências enquanto real contendor ao título de pilotos. 

Adruzilo Lopes, que sem contratempos mecânicos teria muito provavelmente ganho este Rali no ano passado, como lembrou agora nos Açores de forma alguma poderá aparecer na grande área da vitória na prova liberto de marcação

Rapidíssimo, astuto, com um faro para o ‘golo’ (leia-se triunfo) apurado como nunca, apoiado no sempre bem preparado Impreza R4 de produção não está na primeira linha dos principais favoritos à vitória, mas também não se pode descartar vê-lo a morder os calcanhares dos adversários se o desenrolar da prova o proporcionar. 

Estes são, a par de José Pedro Fontes (já lá iremos), os nomes em torno dos quais girará a luta pelo triunfo no Rali Videiro

Quanto aos demais participantes, há sucintamente a destacar Ricardo Teodósio, que lhe faltando em meios o que sobra em velocidade e determinação, pretenderá todavia aproveitar a ocasião para reforçar o excelente terceiro lugar que ocupa no campeonato e, se possível, dar dores de cabeça a Adruzilo na luta pela primazia no agrupamento de produção. 

Em novo momento de aprendizagem e agora liberto das sempre constrangedoras ravinas que ladeiam alguns troços, Diogo Salvi, aos comandos do Fiesta R5, terá na Marinha Grande mais uma ocasião para procurar aproximar-se da toada de andamento dos mais rápidos. 

Nos carros de duas rodas motrizes, é expectável que possamos assistir a despiques bem vivos e renhidos entre um conjunto de pilotos com manifesta qualidade, como Marco Cid, Daniel Nunes, Gil Antunes, Ricardo Marques, Armindo Neves e o ‘internacional’ Diogo Gago

Por fim, o Porsche

Está escrito nos livros que um Porsche a competir no automobilismo não é um mero carro: é um acontecimento.

O mediatismo da criação germânica é inigualável, e é ciente disso que José Pedro Fontes, aos comandos do 997 GT3, tem a missão de levar o carro ao lugar mais alto do pódio no Rali Vidreiro

Após uma exibição dominadora em Guimarães até desistir, o piloto do Porto vem ao Pinhal de Leiria animado em repetir o triunfo de 2010, logo em troços que parecem adequar-se na perfeição às caraterísticas da máquina alemã, e dos quais o próprio nem sequer esconde serem os da sua predileção

Sobre o projeto gizado por Vítor Lopes para colocar uma outra unidade da casa de Zuffenhausen a competir nos Ralis de asfalto nacionais até final de 2014, soube-se agora que está em hibernação e em princípio só partir de Mortágua verá a luz do dia. 

Sem se saber em concreto a composição da lista de inscritos ao Rali Vidreiro a disputar-se dentro de pouco mais de uma semana, tudo para já são conjeturas. 

No entanto, salvo surpresas de última hora, os nomes que enunciámos ao longo deste trabalho serão os que emprestarão o maior brilho ao evento, sem esquecer uma nota de grande apreço pelos concorrentes que entrarão em liça envergando as camisolas do campeonato de Ralis centro e do Rallye Sprint

Da informação para já disponibilizada pelo CAMG constam os troços e respetivos horários (consultáveis em http://www.camg.pt/), num modelo de Rali como sempre com uma forte identidade em torno das especiais traçadas no eixo São Pedro de Moel / Marinha Grande (quase metade da extensão cronometrada do evento será ali realizada), desta feita com regresso à zona balizada por Leiria e Ourém, em detrimento da opção de 2013 que fez a prova transitar pela zona compreendida entre Leiria e Pombal.

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 I  N  F  O  G  R  A  F  I  A 

'FAROL'
- 18,86 quilómetros -
(classificativa n.º 1, 2 e 9)

Ver FAROL num mapa maior

'CARANGUEJEIRA'
- 7,66 quilómetros -
(classificativa n.º 4, 6 e 8)

Ver CARANGUEJEIRA num mapa maior

'ESPITE/MATAS'
- 15,86 quilómetros -
(classificativa n.º 5 e 7)

Ver ESPITE / MATAS num mapa maior

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terça-feira, 20 de maio de 2014

P.E.C. Nº 264: As polémicas voltam talvez dentro em breve, num qualquer Rali, perto de si!...


À entrada para a temporada de 2014 dos Ralis portugueses, pareciam estar reunidas condições para devolver à modalidade um ambiente de alguma serenidade (de que ela carece), após tensões várias vividas em anos anteriores.

Bons carros, pilotos de elevada qualidade, Ralis interessantes e diversificados, troços absolutamente excecionais ao nível do melhor que se encontra por esse mundo fora (o Sata Rallye dos Açores, disputado no passado fim-de-semana, é o exemplo perfeito do que pode ser a interceção entre carros de competição e o esplendor da natureza), faziam adivinhar que, enfim, o foco das atenções de todos quantos se interessam por este desporto estaria direcionado em exclusivo para os aspetos competitivos puros e duros.

Mas não.

Os Ralis neste país aparentam ter uma estranha relação com a estabilidade, mergulhando com frequência em sucessivas recaídas na polémico-dependência.

A mais recente celeuma chegou-nos precisamente dos Açores.

Prendeu-se, em linhas gerais, pelo facto do Colégio de Comissários Desportivos ter decido colocar na estrada em primeiro lugar os concorrentes que se inscreveram na totalidade da prova, e só depois os que, pontuando apenas para o CNR, apenas teriam de cumprir a primeira etapa do evento, assim se criando alegadamente uma situação de potencial desigualdade competitiva (ver desenvolvimento noticioso da questão aqui).

Em abstrato não choca que assim seja.

Agregar a ordem de partida dos concorrentes em lotes/grupos em função da forma como vão abordar um Rali pode ser razoável, até porque, convenhamos, para o Sata Rallye dos Açores, fruto, sublinhe-se, de um ótimo trabalho levado pela FPAK (vd. comunicado n.º 024/2014, de 14 de abril, consultável aqui) vários pilotos do campeonato nacional terão pago valores de inscrição bem menores que os demais adversários (alguns também inscritos no CNR) que se propuseram completar a prova.

, todavia, um princípio intocável e comum a qualquer competição que o edifício organizativo da prova insular parece ter colocado de lado: a plena igualdade de oportunidades a todos os participantes que competem, aqui e no caso concreto, no campeonato nacional de Ralis.

Não tendo havido essa preocupação por parte do Grupo Desportivo e Comercial no início da prova (bastava ter havido alguma atenção à forma como o ACP geriu eficazmente este dossiê no início de maio âmbito do Rali de Portugal) necessariamente instalou-se a controvérsia e, pior, um manto de desconfiança pelo facto de um dos beneficiários diretos de tal decisão ser um piloto açoriano, apoiado por patrocinadores açorianos, num Rali açoriano, patrocinado por uma grande empresa açoriana, e organizado por uma entidade açoriana.

Caso a modalidade no nosso país estivesse assente em bases mais saudáveis, alguma imprensa já se tinha sentido na necessidade de questionar esta decisão, tal como o próprio GDC e/ou o Colégio de Comissários Desportivos se achariam obrigados a prestar explicações.

Como (quase) sempre, o decurso do tempo fará o episódio cair no esquecimento.

Prestar contas do que se faz é no caderno de notas deste desporto usualmente uma página em branco.

Ainda assim, avultam algumas questões.

Saber, por exemplo, como é que se podem atrair praticantes a esta modalidade, sinalizando-lhes que em determinadas circunstâncias as condições para obter resultados de relevo podem não ser exatamente iguais para todos.

Saber, também, como é que potenciais patrocinadores encaram investir (e daí esperar retorno) num desporto em que todos os pilotos são iguais, mas a dada altura pode haver alguns mais iguais que outros.

Parece-nos pacífico que a credibilidade dos Ralis nacionais em nada se reforçou com mais esta trica, ainda que o que eventualmente tenha sucedido seja apenas um erro de avaliação, corrigido aliás no desenrolar do evento.

A autonomia decisória do CCD não está sequer em causa.

Mas ainda assim, num contexto em que objetivamente vários dos principais contendores ao título de campeão de 2014 não competiram nos primeiros troços do Sata Rallye dos Açores em plena igualdade de oportunidades, estando em causa o ‘tal’ princípio intocável que afloramos anteriormente neste texto, seria a nosso ver preferível a FPAK ter sido célere e incisiva a exercer a sua autoridade, cortando cerce esta controvérsia e repondo com firmeza a normalidade da situação, logo num Rali absolutamente extraordinário, com especiais de espetacularidade esmagadora, onde aliada ao muito positivo desempenho de Bruno e Carlos Magalhães (eles próprios antigos vencedores da prova), ‘Benny’ Sousa, acompanhado pelo incontornável Hugo Magalhães, com uma vitória sublime em São Miguel está na senda de um segundo fôlego na internacionalização da sua carreira.

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- http://www.ewrc.cz/ewrc/image_browse.php?id=163228

domingo, 11 de maio de 2014

P.E.C. Nº 263: Ralis Imaginários; 'Rota do Sol XXI', versão redux...


Vários amigos têm nos últimos dias lançado a provocação: se Zona-Espectáculo defende a realização de Ralis mais curtos na sua extensão cronometrada e, por exclusão de partes, mais compactos, deve então dar o exemplo e apresentar um projeto concreto sobre o tema. 

Meditámos sobre a ideia. 

Não foi difícil concluir que o desafio tem alguma justeza, além de contornos deveras estimulantes. 

Revisitámos para o efeito trabalhos anteriores elaborados com propósito semelhante, publicados neste espaço sob o título ‘Ralis Imaginários’

Tínhamos, porém, de ir mais além. 

Realizar algo ‘cool’, que caso fosse tornado real seria inequivocamente atrativo pela facilidade de montar a prova e treiná-la, pelos custos acessíveis a nível de organização e de participação, além das múltiplas oportunidades dadas ao público para seguir de perto e comodamente grande parte do evento. 

Um caderno de encargos apertado e de elevada exigência, portanto. 

Completar um exercício destes pressupõe, desde logo, que se trabalhe em terreno conhecido, e nessa medida não foi difícil selecionar a zona ao redor de São Pedro de Moel para o efeito. 

Historicamente a prova organizada pelo Clube Automóvel da Marinha Grande pontuável para o CNR, nas designações e metamorfoses que sofreu ao longo da sua vasta história, tem como matriz comum ao passar dos anos a realização de classificativas no pinhal de Leiria. 

Aliás, num passado que já soa algo longínquo, edições houve em que o Rali organizado pelo clube da cidade do vidro e do molde se disputou apenas nas rápidas florestais em (mau) asfalto desenhadas dentro do triângulo Marinha-Vieira-São Pedro

Com o tempo o figurino do evento foi mudando, enamorou-se por Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, piscou o olho num rápido namorico a Alcobaça, Batalha e Porto de Mós, mas nos últimos anos tem mantido relações estáveis com Leiria, Pombal ou Ourém, mantendo sempre, todavia, São Pedro de Moel como companheira oficial.

O exercício que se segue aproxima-se daquilo que Zona-Espectáculo genericamente defende como paradigma e base de trabalho para as etapas atuais do Campeonato Nacional de Ralis.

No essencial provas um pouco mais pequenas em termos da sua extensão, com menor fatia de percursos de ligação, que possam permitir menos encargos a quem organiza (desde logo com os custos de policiamento, que são a fatia de leão nos respetivos orçamentos do lado da despesa) e também a quem compete. 

Fazemos notar que Ralis mais pequenos não são desejo nosso, nem tão-pouco aquilo que preconizamos como o ideal para os nossos Ralis: são a decorrência prática do automobilismo que existe em Portugal, e do qual os denominados Rallys Sprint são expressão evidente.

Bem gostaríamos, enquanto aficionados, que as nossas provas tivessem quinze ou vinte troços, cada um com quinze ou vinte quilómetros, e que no total contabilizassem cento e cinquenta ou duzentos quilómetros cronometrados.

A realidade, para a qual a grande maioria dos intervenientes diretos na modalidade continua com evidente dificuldade em encarar de frente, pura e simplesmente não o permite.

Para já, num exercício meramente lúdico, fica de seguida uma ideia de Rali contemplando oitenta e seis quilómetros de troços (nem é significativamente menos daquilo que existe na atualidade), dez especiais (a bitola que conhecemos nos Ralis dos últimos anos, por vezes nem isso), para um total de prova, ligações incluídas, compreendendo escassos centro e trinta e sete quilómetros.

A puxar ao sentimentalismo e aos primórdios das nossas vivências na modalidade, a designação ‘Rali Rota do Sol’, que nos parece ser aquela, ainda, que melhor sintetiza o vasto e riquíssimo historial da prova do CAMG.

 INFORMAÇÃO GERAL 

Designação‘Rali Rota do Sol’.
ElegibilidadeCampeonato Nacional de Ralis.
PisoAsfalto.
Dias de provaUm.
EtapasDuas.
SecçõesTrês.
ClassificativasDez.
Quilometragem total do Rali136,70 quilómetros.
Quilometragem total das classificativas86,80 quilómetros (correspondentes a 63,50% da quilometragem total do Rali).

Centro Nevrálgico/Parque de AssistênciaZona contígua ao complexo de Piscinas de São Pedro de Moel.

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 ESQUEMA DA PROVA 

1.ª etapa || 1.ª secção 

- Partida do Parque de Assistência (junto ao complexo de Piscinas de São Pedro de Moel): 0 quilómetros;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 1 (extensão: 1,50 quilómetros): + 1,50 quilómetros;
P.E.C. n.º 1 – ‘PRAIA VELHA 1’ – (extensão: 7,10 quilómetros): + 8,60 quilómetros;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 2 (extensão: 0,30 quilómetros): + 8,90 quilómetros;
P.E.C. n.º 2 – ‘MATAS NACIONAIS 1’ – (extensão: 6,80 quilómetros): + 15,70 quilómetros;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 3 (extensão: 6,70 quilómetros): + 22,40 quilómetros;
P.E.C. n.º 3 – ‘TREMELGO 1’ – (extensão: 6,80 quilómetros): + 29,20 quilómetros;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 4 (extensão: 2,90 quilómetros): + 32,10 quilómetros;
P.E.C. n.º 4 – ‘BURINHOSA 1’ – (extensão: 7,00 quilómetros): + 39,10 quilómetros;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência (extensão: 8,70 quilómetros): + 47,80 quilómetros.

1.ª etapa || 2.ª secção

- Partida do Parque de Assistência (junto ao complexo de Piscinas de São Pedro de Moel): + 47,80 quilómetros;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 5 (extensão: 1,50 quilómetros): + 49,30 quilómetros;
P.E.C. n.º 5 – ‘PRAIA VELHA 2’ – (extensão: 7,10 quilómetros): + 56,40 quilómetros;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 6 (extensão: 0,30 quilómetros): + 56,70 quilómetros;
P.E.C. n.º 6 – ‘MATAS NACIONAIS 2’ – (extensão: 6,80 quilómetros): + 63,50 quilómetros;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 7 (extensão: 6,70 quilómetros): + 70,20 quilómetros;
P.E.C. n.º 7 – ‘TREMELGO 2’ – (extensão: 6,80 quilómetros): + 77,00 quilómetros;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 8 (extensão: 2,90 quilómetros): + 79,90 quilómetros;
P.E.C. n.º 8 – ‘BURINHOSA 2’ – (extensão: 7,00 quilómetros): + 86,90 quilómetros;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência (extensão: 8,70 quilómetros): + 95,60 quilómetros.

2.ª etapa || 1.ª secção

- Partida do Parque de Assistência (junto ao complexo de Piscinas de São Pedro de Moel): + 95,60 quilómetros;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 9 (extensão: 3,30 quilómetros): + 98,90 quilómetros;
P.E.C. n.º 9 – ‘SÃO PEDRO 1’ – (extensão: 15,70 quilómetros): + 114,60 quilómetros;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 10 (extensão: 1,60 quilómetros): + 116,20 quilómetros;
P.E.C. n.º 10 – ‘SÃO PEDRO 2’ – (extensão: 15,70 quilómetros): + 131,90 quilómetros;

- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência (extensão: 4,80 quilómetros): + 136,70 quilómetros.

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PRAIA VELHA
- 7,10 quilómetros -
(P.E.C. n.º 1 e 5)
Ver PRAIA VELHA num mapa maior

MATAS NACIONAIS
- 6,80 quilómetros -
(P.E.C. n.º 2 e 6)

Ver MATAS NACIONAIS num mapa maior

TREMELGO
- 6,80 quilómetros -
(P.E.C. n.º 3 e 7)

Ver TREMELGO num mapa maior

BURINHOSA
- 7,00 quilómetros -
(P.E.C. n.º 4 e 8)

Ver BURINHOSA num mapa maior

SÃO PEDRO
- 15,70 quilómetros -
(P.E.C. n.º 9 e 10)

Ver SÃO PEDRO num mapa maior

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sábado, 3 de maio de 2014

P.E.C. Nº 262: C.N.R; nem tudo vai bem no reino da Dinamarca (3.ª e última parte)...


e lá.

Dentro e fora de portas.

Aquém e além-fronteiras.

Do campeonato do mundo ao nosso campeonato regional do Sul, os Ralis atravessam no geral um período de crise.

Crise de ideias e de identidade que estão a toldar a face da modalidade.

Crise que aliada a um conservadorismo regulamentar quase atroz impede a procura de novos caminhos que este desporto reclama há um bom par de anos a esta parte.

Outras disciplinas do desporto motorizado com quatro rodas tentam acompanhar os ventos de mudança que sopram da indústria automóvel.

A Fórmula Um, mal ou bem (não cabe aqui escalpelizar) vem experimentando nos últimos anos um conjunto de inovações regulamentares (KERS, DRS, etc…), de que a reintrodução dos motores turbo em 2014 é exemplo maior.

Os protótipos avançaram rumo a paradigmas tecnológicos impensáveis há poucos anos, e com isso trouxeram novos construtores à disciplina.

No todo-o-terreno a Peugeot desafia os padrões do Dakar, aprestando-se em 2015 a lançar-se às areias do deserto e estradas pedregosas da montanha através de um carro… de duas rodas motrizes traseiras.

Em Portugal, a velocidade está a perceber ao fim de alguns anos que os GT são demasiado onerosos, fazendo um reajustamento na escala de prioridades para lançar as sementes de um campeonato de sport-protótipos que promete.

Nas provas de montanha há novidades muito interessantes para a temporada já em curso, cristalizadas num conjunto de carros de origens distintas mas com um nível de performances elevado que, acreditamos e esperamos, vão recuperar a popularidade que a competição já teve no passado.

No todo-o-terreno fervilham diversos projetos entusiasmantes à base de ‘protos’ concebidos em exclusivo para o CNTT, numa lógica homemade assente na evolução de carros à medida que exista dinheiro para o efeito, que estão a revitalizar a disciplina.

Olha-se para os Ralis e o que é que vê?

No mundial da modalidade o promotor é olhado com desconfiança pela generalidade das equipas e não está a ser eficaz no seu trabalho.

As evoluções dos automóveis encontram-se mais ou menos em hibernação.

diversas provas em risco para os próximos anos, pelo facto do caderno de encargos para organizar Ralis do WRC ser excessivamente caro.

No geral as marcas não sinalizam com clareza a sua aposta na modalidade a médio-prazo.

E ninguém parece ter ideias objetivas sobre para onde levar os destinos do campeonato após 2017.

Por cá, o cenário não se pode dizer que seja mais auspicioso.

Não se vê um trabalho sério e profundo junto das marcas a operar no mercado português, no intuito de perceber que condições precisam para apostar na modalidade (elas são quem mais investe e mais recruta).

Não se permite, como no citado exemplo do TT, a construção de protótipos exclusivamente para Ralis, obrigando quem queira competir com ambições de topo a alugar ou adquirir carros take away, previamente confecionados mas caríssimos para a realidade nacional e com uma amostragem circunscrita a poucas marcas.

Os Ralis do CNR são em número excessivo e quase todos demasiado extensos.

A promoção da competição é para já insípida.

todo um mar de problemas a crispar a modalidade, complexos, que seguramente não se resolvem num passe de mágica mas que se agravam à medida que o tempo decorre e não se procura soluções para os enfrentar.

Em linhas gerais, através da frieza do tempo entretanto volvido, fica-nos por vezes a sensação que o campeonato do mundo de Ralis nunca conseguiu superar os traumas da potência em grande escala de há quase trinta anos atrás, enquanto por cá ainda são visíveis as crostas das feridas abertas pela Lagoa Azul/1986.

Nas provas internacionais de resistência, por exemplo, vemos na presente temporada protótipos com potências de quatro dígitos, enquanto o WRC vive preso há décadas à barreira psicológica dos 300 cavalos da qual não se consegue libertar.

, em suma, muito trabalho para nos próximos anos se redefinir os contornos deste desporto.

Voltando ao nosso país, a fasquia etária dos praticantes é cada vez mais elevada não se vislumbrando um processo sério de renovação geracional que traga à modalidade novos valores.

Nas nossas memórias ainda está bem presente o início dos anos noventa, designadamente quando Joaquim Santos após a temporada de 1992 fixou a fasquia de títulos de pilotos em quatro (empatando então com Carlos Bica), e o número de triunfos absolutos em Ralis do campeonato nacional em trinta e nove.

De então para cá esses recordes nunca foram superados.

A verdade é que no presente praticamente nenhum dos pilotos que militam na competição maior dos nossos Ralis pode permitir-se sonhar em fazer carreira longínqua no CNR.

O dinheiro, passe o exagero, mal chega para cinco troços, quanto mais para cinco títulos.

nas entrelinhas sintomas de problemas sérios nos Ralis portugueses, a pedir reflexão e assertividade.

Na agenda dos principais agentes da modalidade deveria constar como nota de destaque o debate aprofundado sobre o que se pretende para este desporto a cinco, seis, ou dez anos, e as maneiras mais eficazes de atrair novas equipas e participantes.

Nunca se quantificou, com seriedade, quanto é razoável no atual quadro do país pedir aos concorrentes para fazer uma temporada completa no campeonato nacional de Ralis, balizando-se tal valor como a matriz a médio-prazo para se desenhar a competição.

À boa maneira dos sistemas de economia planificada, a entidade que rege os destinos do automobilismo português permite-se fazer ‘sugestões’ sobre o valor das inscrições a pagar nos Ralis, padronizado para todas as provas, quando se calhar prestaria um bom serviço à modalidade confiando a organização dos eventos a quem estivesse em condições de oferecer uma melhor relação entre o serviço prestado e o que se paga para dele usufruir.

, portanto, uma miríade de assuntos que deviam estar em cima da mesa para ampla discussão.

Em abstrato, do que apuramos em conversa com alguns intervenientes destacados da modalidade e da análise do que se vai escrevendo pelas ditas redes sociais, há a sensação geral que os Ralis em Portugal se encontram capturados por interesses e pelo imobilismo.

As pessoas conhecem-se (demasiado) bem umas às outras, e em local algum a resolução de assuntos pode ser realizada à base do ‘tu-cá-tu-lá’ institucional.

A necessidade de discussão e debate é premente.

Aliás, qualquer atividade que não se discute a si própria pode não ser uma atividade moribunda, mas será sempre uma atividade adiada.

e lá.    

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