P.E.C. Nº 285: Rali Sopete/1997. De polémica em polémica, até à polémica (após o) final!


É considerável o número de ocasiões em que os Ralis portugueses mantêm em aberto canais privilegiados em direção à controvérsia. 

Muito ruído, pouca serenidade, e reduzida apetência para discutir os problemas de fundo deste desporto, redundam quase sempre em conversas de surdos, cujo desenlace é mais ou menos conhecido: os pontos de entendimento são difíceis de encontrar, a celeuma persiste, as questões por resolver arrastam-se (tudo resultado, não só mas também, de um meio pequeno no qual todos os intervenientes se conhecem bem), e a modalidade ocupa amiúde espaço mediático à volta de quezílias ao invés de se centrar na performance dos carros e/ou na arte sublime dos pilotos. 

Em suma, para não nos alongarmos: Portugal. 

Mais que os adjetivos que possamos empregar na abordagem às tricas dos Ralis do nosso país, pensamos que as imagens que seguem, alusivas ao Rali Sopete na sua edição de 1997 (evento de abertura do CNR há dezoito anos), são, entre outros, um bom exemplo de como uma prova, antes, durante, e depois do respetivo tempo de jogo, consegue ter capacidade de gerar mais atenção ao redor de assuntos extradesportivos que propriamente se focalizar nas peripécias do jogo jogado

Do conjunto de declarações públicas (porque proferidas perante e para as câmaras de televisão) proferidas naquela altura, as quais, aliás, o caro leitor poderá visionar logo após este texto, não nos compete tecer juízos de valor, quanto mais não seja por não nos encontrarmos suficientemente informados nem documentados para tal. 

No entanto, perpassa claramente a ideia que ao tempo os maiores lesados foram, como são quase sempre nesta modalidade em Portugal, quem investe dinheiro para competir, leia-se, para que dúvidas não subsistam, pilotos e equipas. 

E no entanto, a etapa de abertura do campeonato nacional de Ralis há dezoito anos teve tudo para ser um Rali excecional. 

Em paragens de festivais rock, o alinhamento do concerto revisitava inevitavelmente êxitos intemporais como ‘Cerquido’, ‘Serra de Arga’, ‘Vilar de Mouros’, ‘Cabração’ ou ‘Paredes de Coura’, e o som direcionado à plateia provinha de riffs poderosos habilmente dedilhados em qualquer coisa como Fenders RS Cosworth ou Gibsons Evo

Infelizmente, o Rali Sopete disputado em 1997 viria a fazer-se ouvir por motivos alheios ao espetáculo propriamente dito, com o ruído mediático a sobrepor-se ao ruído dos automóveis. 

O jornalista Pedro Gil Vasconcelos em peça assinada para o saudoso magazine 'Rotações', no vídeo abaixo partilhado resume-lhe exemplarmente porquê.

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- OS RESULTADOS FINAIS DO RALI SOPETE / 1997 PODEM SER CONSULTADOS AQUI.

- A FOTO DE ABERTURA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.cidadevirtual.pt/rallyesopete/cartaz97.jpg

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