P.E.C. Nº 286: Onde se fala de promoções, não necessariamente as das cadeias de supermercados...


Palavras ou conceitos como ‘Promoção’ ou ‘Retorno’ fazem hoje parte integrante, com ares de destaque, do glossário dos Ralis portugueses.

O tempo que vivemos é enfaticamente mediático.

Quem não consegue dar-se a conhecer através dos meios de comunicação ou de plataformas como as redes sociais, está confinado, para o bem ou para o mal, a uma quase irrelevância e secundarização.

O automobilismo em termos gerais vive há cerca de cinquenta anos de patrocinadores, que investindo na modalidade necessariamente pretendem em contrapartida exposição à maior escala possível das respetivas marcas/produtos.

Para que tal se consiga com eficácia é necessário que as corridas de carros cheguem aos jornais, às rádios, às televisões, à internet (que cheguem às pessoas, em suma), divulgando a espetacularidade ímpar deste desporto, mostrando as prestações diabólicas dos bólides, ou revelando a destreza, tenacidade e incrível habilidade de condução dos pilotos.

A ‘Promoção’ dos Ralis em Portugal está em suma, como nas demais disciplinas do desporto automóvel disputado no nosso país, na ordem do dia, não obstante nesta matéria a espaços nos parecer que os diversos agentes da modalidade estão um pouco como os adolescentes antes de vivenciar as sensações da sexualidade: sabem o que é, mas não sabem inteiramente como se faz.

Desconstruir o atual paradigma é, todos concordam, decisivo no futuro dos Ralis lusitanos.

Não se tem mostrado possível encontrar uma entidade que esteja em condições de edificar uma parceria estável e duradoura com vista ao reforço da imagem do campeonato nacional de Ralis, fazendo pontes e servindo de elo de ligação entre os protagonistas da modalidade e a comunicação social, havendo até boas ideias e antecedentes interessantes nesta área como o trabalho encetado pela Starsign no Open de Ralis em 2007 e 2008, e CNR em 2009.

Promotor precisa-se, facto que por si só também levanta algumas questões: numa lógica comercial, quem assumir a responsabilidade de tal missão pretenderá natural e legitimamente colher dividendos do respetivo trabalho.

dinheiro para tal?

Onde?

Quem está disposto a pagar?

Questões complexas.

É claro que nisto das ‘promoções’ os Ralis podiam tentar atrair quem em Portugal percebe verdadeiramente do assunto, mas não nos parece plausível que rapaziada como o Belmiro e/ou o Alex Soares dos Santos se deixe render nos próximos tempos aos encantos, por exemplo, de levar na passagem dos bólides com uma nuvem de pó em cima após um slide mais vigoroso num qualquer troço de terra deste país.

Encontrar uma entidade que assuma as despesas de divulgar o campeonato nacional de Ralis tem sido um desafio difícil de cumprir.

Os pilotos, socorrendo-se da imaginação e cientes da importância de dar retorno aos seus patrocinadores, vão em alguns casos conseguindo alavancar mediaticamente e de forma eficaz os respetivos projetos desportivos.

Têm noção do que precisam para manter patrocinadores, e daquilo que é em geral a melhor forma de seduzir novos parceiros à sua causa.

quem defenda que, neste contexto, ainda que provisoriamente poderia testar-se em abstrato um modelo em que a APPA, federando as sensibilidades e experiência dos seus associados nesta área, assumisse, ela própria ou em consórcio por exemplo com a ACOR, a promoção do campeonato de Ralis, como forma até de a resgatar institucionalmente de uma certa hibernação em que tem caído após o ato eleitoral que legitimou os atuais órgãos sociais da FPAK.

Não é, porém, expectável que tal se verifique, quanto mais não seja porque os pilotos convergem grandemente em reconhecer a necessidade de promover a modalidade, ao mesmo tempo que divergem das formas mais díspares quanto ao modelo sustentável de CNR a prosseguir nos próximos anos.

Mesmo na ausência de um promotor, mesmo com um share quase residual na emissão das televisões lusas, há ainda assim boas notícias que o ano anterior nos trouxe quanto à divulgação das principais competições de Ralis em Portugal.

A AutoSport TV, ideia adaptada para o nosso país repristinando algumas boas práticas que se fazem no exterior nesta área, tem-se assumido como um veículo muito importante na projeção deste desporto. 

Quando as televisões, sobretudo a pública, têm ignorado quase por completo as peripécias das competições nacionais de automobilismo, as imagens publicadas no site do semanário dos campeões vão procurando suprir carências quanto à promoção deste desporto, seja dando a voz na primeira pessoa aos pilotos (que não apenas aos mais cotados, facto positivo que merece nota de realce), seja mostrando reportagens das nossas provas.

A AutoSport TV é, parece-nos, um dos acontecimentos mais interessantes do ano transato em matéria de Ralis, muitas vezes com um conteúdo informativo muito válido e atualizado.

É um projeto que não é, nem pode ser, um substituto das televisões, uma vez que não chega a um público generalista nem dispõe dos meios quase infindáveis dos principais operadores televisivos.

No entanto, mesmo se atendermos a uma certa exiguidade de meios, tem vindo ali a ser encetado um trabalho com qualidade que enobrece e ajuda a promover esta modalidade de todos nós, de que nos parece um ótimo exemplo, entre outros, o completo resumo com mais de quarenta e oito minutos da temporada do CNR em 2014, o qual pode ser consultado AQUI.

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O LOGOTIPO PUBLICADO NESTE TRABALHO FOI OBTIDO EM:
- www.autosport.pt

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