P.E.C. Nº 297: De génio e de louco todos temos um pouco. Mas McRae tem mais!


A história do trabalho que agora trazemos ao caro leitor, começa com um conflito interior

Hesitámos em selecionar para título a expressão McRae TEM mais’ ou McRae TINHA mais’.

Optámos pela primeira hipótese. 

O apelido do inesquecível escocês transcende em muito aquilo que foi a sua existência física, abruptamente interrompida em setembro de 2007. 

McRae está imortalizado na linguagem dos Ralis como sinónimo de padrão ou forma de competir na modalidade. 

Acima de vitórias, resultados, ou automóveis que tripulou ao longo da carreira, o saudoso piloto tornou-se um legado deste desporto, materializado em coragem, tenacidade e determinação sem limites. 

Escrever sobre Colin com o mínimo de originalidade é difícil, na medida em que tudo já foi dissecado relativamente à sua idiossincrasia competitiva. 

Porém, o filão de momentos que nos reservam (boas) surpresas, reforçam a lenda e o projetam para a posterioridade parece (e ainda bem) por vezes inesgotável. 

Na sequência do nosso trabalho anterior foi-nos remetida uma mensagem extremamente simpática, através das redes sociais, acompanhada da portentosa fotografia que abre o presente trabalho. 

No dia 23 de março de 1999, um pouco antes da hora do almoço, na classificativa da Aguieira, Eduardo Moita (o autor da referida foto, que nos fez chegar a mensagem a que aludimos na frase anterior) estava no mesmo local da fotografia que esmiuçámos na P.E.C. Nº 296

Como esclarecimento prévio (que bastante agradecemos) elucidou-nos que tal imagem (revê-la aqui) não foi colhida a partir de helicóptero (como erradamente supúnhamos), mas sim por adeptos colocados numa elevação de terra que ladeava o troço. 

Confirmando cabalmente o que escrevemos, Eduardo Moita (segundo palavras do próprio, em apurado exercício de ‘equilíbrio’ para não cair às aguas gélidas do Cris) explicitou, de seguida, que de facto ninguém cortou a curva como o McRae, exemplificando com uma outra foto (visualizável mais abaixo neste trabalho) ilustrativa de Petter Solberg e colhida minutos depois do outro lado da faixa de rodagem (do lado de fora da curva em questão, se quisermos), onde se percebe uma trajetória bem mais conservadora do norueguês quando comparada com a do seu colega de equipa natural da Escócia. 

Neste novo ângulo de visão que Moita de forma magistral nos proporciona (deve ter até sentido o cheiro a transpiração do McRae e do Grist, tão perto o Focus passou da sua cabeça), reforça-se a ideia de que o homem de Lanark não era passível de etiquetar em qualquer definição de Ralis, nem tão-pouco compaginável com estratégias de corrida. 

Andar em prova, mesmo num momento de liderança confortável como era o caso na Aguieira há dezasseis anos, pressupunha sempre para Colin um elemento de risco, fosse uma roda no ar fora da estrada, fosse o provocar um aluimento de terras à passagem dos bólides que conduziu. 

O instantâneo de Eduardo Moita (só quem está impregnado do pulsar deste desporto fabuloso é que verdadeiramente compreende, não só o alcance e simbolismo do momento retratado, bem como os riscos, sobretudo físicos, que motivam um aficionado a posicionar-se num lugar assim…) é mais um documento a entrar de pleno direito no portfólio dos tesouros que entronizam McRae como personagem ímpar na história de Ralis, o qual, por dever de justiça (e após a necessária autorização do autor, que obviamente muito agradecemos), nos sentimos automaticamente impelidos a promover e divulgar neste espaço a partir do momento em que o visualizámos pela primeira vez.


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