quarta-feira, 10 de junho de 2015

P.E.C. Nº 304: Rali de Portugal/2015, 'Viana do Castelo 1'

Não se pergunta a um adepto da modalidade se gostou do último Rali de Portugal

Tal como não se pergunta a um pai se gosta do respetivo filho. 

Não se pergunta a um (verdadeiro) adepto da modalidade se gosta mais do Rali de Portugal a Sul, a Norte, em Pitões das Júnias, Barrancos ou na ilha da Culatra

Tal como não se pergunta a um pai se prefere o seu filho vestido de azul, preto, branco, cinzento ou vermelho. 

O adepto gosta sempre do Rali de Portugal

O progenitor gosta sempre incondicionalmente do seu rebento. 

O mais importante são os laços

A consanguinidade

É essa ligação genética que verdadeiramente importa entre o Rali de Portugal e o público indefetível da prova. 

Gostámos muito dos anos em que o evento passou pela região sul do país. 

Voltámos a apreciar, com a mesmíssima intensidade, o regresso ao norte de Portugal dos melhores carros e pilotos do mundo. 

Não sabemos se 2015 foi melhor ou pior que anos anteriores. 

Nem, sublinhe-se, nos interessa. 

Foi diferente. 

Os troços escolhidos, com caraterísticas distintas dos desenhados no Baixo Alentejo e Algarve, continuam a ser difíceis e seletivos, proporcionando imagens de beleza extrema. 

Encantámo-nos com locais onde estivemos (Baião e Marão, sobretudo estes) e reencontrámo-nos com o prazer dificilmente explicável de caminhar quilómetros a pé, subindo a bom subir, para simplesmente nos regalar com paisagens de perder de vista deste nosso Portugal. 

Do ponto de vista desportivo a prova foi interessantíssima de seguir até à classificativa final. 

Num rescaldo sem grande pormenor, constata-se um considerável equilíbrio de andamentos entre os quatro primeiros classificados no final do Rali. 

Nunca na vasta história da prova o quarteto da frente concluiu o evento separado por quarenta e oito segundos

Só numa ocasião, em 1999, é que o lugar mais alto e mais baixo do pódio chegaram ao parque de assistência final separados por menos de vinte e oito segundos (a distância que em 2015 separou Latvala - 1.º - e Mikkelsen – 3.º - no pódio da Exponor)

Apenas por três vezes (1998, 2000 e 2010) a diferença final registada entre os dois primeiros classificados da prova se cifrou em menos que os 8,2 segundos que há poucas semanas separaram Jari-Matti e Sébastien Ogier na conclusão da quadragésima nona edição do Rali de Portugal

O retorno do Rali à região norte cumpriu, por conseguinte, as (muitas) expetativas geradas.

Foi certamente uma daquelas edições para mais tarde recordar. 

O público, como se previa, aderiu massivamente ao evento, ainda que o ‘caos’ (ou perto disso) que nós próprios arriscámos antever antes do início das 'hostilidades' não se tenha confirmado (o que deita por terra quaisquer ambições que pudéssemos ter em fazer carreira como colegas do saudoso Zandinga…)

Talvez em breve neste mesmo blogue dediquemos (mais) algumas linhas à estranha relação que a organização da prova mantém com o público, tão depressa capaz de o utilizar como um argumento decisivo para que o Rali se mantenha no nosso país, como depois (continuar a) negligenciar questões quase básicas para que os espetadores o sigam da forma mais cómoda e eficaz possível. 

Ao contrário da estratégia montada pelo ACP (e apadrinhada por uma senhora francesa que se foi permitindo passar sucessivos atestados de menoridade ao público, comportando-se quase como uma espécie de ‘Dona Disto Tudo’) em torno de algo próximo de ‘ou as Zonas-Espetáculo ou as trevas’, a realidade mostrou-nos um considerável número de aficionados colocados fora das ZE, autodisciplinados por forma a manter-se em completa segurança, em vários exemplos (por nós presenciados) com o acompanhamento/supervisão responsável das forças policiais, que optaram nesta matéria, e muito bem, pela pedagogia e sensatez ao invés da proibição e do autoritarismo.

À margem destas considerações, após cada Rali de Portugal ficam sempre as gratas memórias, o prazer (não descritível pelas palavras) de ver automóveis de performances extraordinárias a ser levados ao limite, as sublimes fotografias partilhadas nas redes sociais ou as imagens publicadas que perpetuam a perícia dos ases da modalidade.

Nessa matéria, damos o nosso modesto contributo através do presente trabalho (o primeiro de três expressamente dedicados a vídeos sobre a prova) com a publicação dos pequenos filmes que se seguem.

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Sébastien Ogier / Julien Ingrassia - Volkswagen Polo R WRC


Mads Ostberg / Jonas Andersson - Citroen DS3 WRC


Andreas Mikkelsen / Ola Floene - Volkswagen Polo R WRC


Kris Meeke / Paul Nagle - Citroen DS3 WRC 


Thierry Neuville / Nicolas Gilsoul - Hyundai i20 WRC 


Dani Sordo / Marc Marti - Hyundai i20 WRC 


Martin Prokop / Jan Tománek - Ford Fiesta RS WRC 


Ott Tanak / Raigo Molder - Ford Fiesta RS WRC


Robert Kubica / Maciek Szczepaniak - Ford Fiesta RS WRC


Lorenzo Bertelli / Giovanni Bernacchini - Ford Fiesta RS WRC 


Jari Ketomaa / Kaj Lindstrom - Ford Fiesta R5


Valeriy Gorban / Volodymyr Korsia - Mini John Cooper Works S2000


Pontus Tidemand / Emil Axelsson - Skoda Fabia R5


Elfyn Evans / Daniel Barritt - Ford Fiesta RS WRC


Bernardo Sousa / Hugo Magalhães - Peugeot 208 T16 R5


Martin Koci / Lukas Kostka - Peugeot 208 T16 R5


João Barros / Jorge Henriques - Ford Fiesta R5


José Pedro Fontes / Miguel Ramalho - Citroen DS3 R5 


Miguel Campos / Carlos Magalhães - Ford Fiesta R5 


Diogo Salvi / Paulo Babo - Ford Fiesta R5


A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.rallydeportugal.pt/content.aspx?menuid=216&eid=1067&bl=1

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