P.E.C. Nº 309: Rali Vidreiro/2015, 'Farol 1'

O Rali Vidreiro (a quinta de oito etapas no calendário da presente temporada), disputado no transato fim-de-semana, marcou o apito para o início da segunda parte do campeonato nacional de Ralis de 2015. 

Ao ‘intervalo’, em termos de triunfos à geral, verificava-se um empate 2-2 entre Fontes (Guimarães e Castelo Branco) e Moura (Fafe e Açores), e por conseguinte a prova da Marinha Grande assumiu-se como palco de excelência para nova medição de forças entre os homens envergando as cores da Sports & You e da ARC Sport, confirmando a supremacia de ambos até ao momento em termos de campeonato, ou oferecendo uma janela de oportunidade a outros contendores à espreita de lugares de destaque. 

Aconteceu um pouco das duas situações no Rali posto na estrada pelo CAMG

Se é certo que no final da refrega Moura e Fontes ocuparam por esta ordem os dois lugares mais altos do pódio, separados por escassos 3,9 segundos, não é menos verdade que vários outros pilotos assumiram grande quota-parte de protagonismo nas especiais de São Pedro de Moel, Leiria e Ourém

Pedro Meireles estreou o Fabia R5, confirmando a perceção, vista de fora enquanto espetadores, que já havíamos firmado no Rali de Portugal: trata-se um automóvel que parece filtrar muito bem o solo, muito estável e com uma eficaz e linear tração à saída das curvas (predicados que se atribuem por norma também ao ‘primo’ Polo WRC), dando seguimento à tradição do departamento de competição da marca de Mladá Boleslav em construir ótimos produtos para Ralis… desde que não WRC’s

Sem estar devidamente entrosado com as especificidades de afinação da viatura, nem com as características de condução que o carro checo exige, Meireles e o inevitável Mário Castro mostraram enquanto equipa porque é que são os campeões nacionais em título, confirmaram a viabilidade deste projeto, e apenas não terão ironicamente ganho porque quiseram (e mostraram andamento para) ganhar, não se contentando com lugares de honra ou em perder por poucos

Num Rali, digamos, de sinais contrários, Ricardo Moura e José Pedro Fontes foram substancialmente diferentes daquilo que haviam mostrado nas duas provas anteriores em asfalto. 

Enquanto em Guimarães e Castelo Branco o tricampeão nacional pareceu um pouco ‘perdido’, nunca se entendendo com a melhor forma de guiar eficazmente o Fiesta, na Marinha Grande, fruto de um trabalho incisivo levado a cabo pela ARC Sport no período que antecedeu a prova, o líder do campeonato mostrou-se sempre competitivo e confiante, lutando pela vitória de peito feito e taco-a-taco com os principais adversários. 

Já José Pedro Fontes, que no Minho e na Beira Baixa se mostrou a um nível inacessível a todos os adversários exceto (e apenas em parte) João Barros, não obstante os problemas que foram afetando o DS/Citroen e sem embargo do triunfo em cinco dos nove troços do Rali Vidreiro, em momento algum deu mostras do andamento dominador patenteado nos anteriores Ralis de asfalto da presente temporada. 

Sobre Carlos Vieira escreveremos com mais detalhe oportunamente. 

Em todo o caso, ouvir o Porsche a ecoar pelos Pinhais de Leiria fora continua a ser um regalo a aguçar o sentido melómano do aficionado de Ralis que se preze, sobretudo quando bem guiado como o é cada vez mais pelas mãos do piloto bracarense oriundo das corridas de velocidade. 

Carlos Martins chegou também aos triunfos em classificativas mostrando-se cada vez mais adaptado ao Skoda Fabia S2000, por definição carro bem distinto e bem mais exigente que os Mitsubishi que o piloto de Serpa conduziu em anos anteriores. 

João Barros e o seu Fiesta não estiveram ao nível que nos habituaram o ano passado e, à exceção dos Açores, em todas as provas do corrente ano, mas seguramente reaparecerão nos próximos Ralis a lutar pelas vitórias. 

Foi um grande Rali o organizado pelo CAMG, com vários aspetos muito interessantes de analisar. 

Ao fim de nove classificativas e 115,94 quilómetros de percurso seletivo, os dois primeiros classificados terminaram separados por escassos 3,9 segundos. 

Houve cinco pilotos distintos (Moura, Fontes, Vieira, Meireles e Martins) a lograr obter triunfos em troços. 

Quatro marcas distintas (DS/Citroen, Ford, Porsche e Skoda) conseguiram a distinção de vencer pelo menos uma especial da prova, algo que de memória e sem analisar com rigor não nos lembramos ter acontecido no passado recente do CNR

Três nomenclaturas de carros (S2000, GT e R5) conseguiram ser os mais rápidos em pelo menos uma classificativa do evento, o que sinaliza uma ideia de diversidade que nos parecer ser de assinalar. 

Em seis dos nove troços da prova, os dois concorrentes mais velozes nesses segmentos concluíram a linha de meta separados por menos de um segundo. 

Em duas classificativas os dois concorrentes mais velozes terminaram-nas empatados precisamente com o mesmo tempo (algo que talvez seja inédito na modalidade em Portugal desde a adoção dos sistemas de cronometragem ao décimo de segundo)

A maior diferença registada entre os dois concorrentes mais rápidos no final de cada um dos troços do Vidreiro foi de meros 3,4 segundos (em ‘São Pedro 2’, última classificativa do Rali)

Até ao final da antepenúltima especial do evento a diferença entre as sucessivas lideranças e vice-lideranças da prova nunca foi superior a 1,8 segundos. 

José Pedro Fontes venceu cinco especiais (quesito sempre importante na questão pontual) e foi segundo classificado final. 

Ricardo Moura venceu uma única classificativa (a classificativa certa – a penúltima – à hora certa) e ganhou o Rali. 

Tudo isto, claro, a acrescentar aos demais concorrentes nacionais e espanhóis inscritos nos diversos campeonatos e troféus em liça, que deram grande espetáculo e contribuíram fortemente para que o Rali Vidreiro/2015 tenha sido um êxito nos mais diversos planos, com o único aspeto talvez menos conseguido a centrar-se no facto dos concorrentes terem percorrido sensivelmente treze/catorze quilómetros iguais por quatro ocasiões, matéria que a bem da seletividade da prova talvez recomende a procura de estradas alternativas nas zonas evolventes à Marinha Grande e São Pedro de Moel em edições futuras do evento.

Socorrendo-nos do resumo que o nosso amigo e colega Pedro Branco promoveu na página do portal ‘Motorart’ no Facebook, salientar que para além da vitória à geral de Ricardo Moura, os demais vencedores foram Adruzilo Lopes no RC2N, Carlos Vieira no RGT, Gorka Antxustegi no RC3 (João Ruivo conseguiu ser o melhor português, concluindo na terceira posição nesta classe), Adrian Diaz na Copa Suzuki, David Brites nos Iniciados, Ricardo Roda no Challenge DS3 R1, Carlos Fernandes no campeonato FPAK centro, João Mexia nos clássicos, Mariana Carvalho no Ladies Open e Gonçalo Figueiroa no Rali Sprint

Após as considerações plasmadas neste trabalho, seguem imagens da prova alusivas à primeira passagem pelo troço do ‘Farol’

<><><><><>   <><><><><>   <><><><><>

PEDRO MEIRELES  |  MÁRIO CASTRO - Skoda Fabia R5

RICARDO MOURA  |  ANTÓNIO COSTA - Ford Fiesta R5

JOSÉ PEDRO FONTES  |  MIGUEL RAMALHO - Citroen DS3 R5

JOÃO BARROS  |  JORGE HENRIQUES - Ford Fiesta R5

ADRUZILO LOPES  |  VASCO FERREIRA - Subaru Impreza Sti R4

CARLOS MARTINS  |  DANIEL AMARAL - Skoda Fabia S2000


JOAQUIM ALVES  |  PEDRO ALVES - Skoda Fabia S2000


MARCO CID  |  NUNO RODRIGUES DA SILVA - Renault Clio S1600


ELIAS BARROS  |  RICARDO FARIA - Ford Fiesta R5


JOÃO RUIVO  |  JOÃO PEIXOTO - Renault Clio R3


DIOGO SALVI  |  PAULO BABO - Ford Fiesta R5


GORKA ANTXUSTEGI  |  ALBERTO IGLÉSIAS - Suzuki Swift S1600


FRAN CIMA  |  ALEJANDRO LOPEZ - Renault Clio R3T


CARLOS VIEIRA  |  LUÍS RAMALHO - Porsche 997 GT3 Cup


GIL ANTUNES  |  DIOGO CORREIA - Renault Clio R3T


A FOTO PUBLICADA NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- https://www.facebook.com/rally74r/photos/a.503112276511884.1073745770.126198190869963/503112293178549/?type=1&theater

Comentários