P.E.C. Nº 310: Rali Vidreiro/2015, 'Farol 2'

"Quero sobretudo correr por prazer e sinto que um GT como o Porsche é o carro ideal a todos os níveis. É certo que vou descobrir todo um mundo novo porque nunca fiz um rali a sério, nunca corri com notas, nunca tive sequer muito contacto com esta modalidade como espectador. Não coloco qualquer pressão sobre mim próprio e não quero criar a ilusão de que vou andar ao nível dos melhores pilotos dos R5. Acima de tudo quero aprender e evoluir o mais possível ao longo deste primeiro ano nos ralis." 
Carlos Vieira, in AutoSport online, fevereiro de 2015

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Dois ou três dias antes do pretérito Rali Vidreiro ir para a estrada, enviámos ao nosso amigo Pedro Branco (administrador do Portal ‘Motorart’ no Facebook) uma mensagem solicitando-lhe, em suma, que nos indicasse onde se poderia obter as tabelas de tempos das classificativas do Rali Vila de Monchique, disputado em 13 e 14 de junho e pontuável para a Taça FPAK de Asfalto, Campeonato Nacional de Iniciados e de Clássicos, Challenge DS3 R1, e Campeonato FPAK de Ralis Sul.

A nossa ideia, como aliás então sinalizámos ao Pedro, era perceber de que forma Carlos Vieira se tinha comportado na prova, sobretudo na comparação com os tempos realizados em cada troço tendo como barómetros Carlos Martins e João Barros, seus rivais diretos nos Ralis de asfalto do Campeonato Nacional de Ralis.

Sabíamos de antemão que o desenho da prova algarvia não tinha sido especialmente favorável ao Porsche do piloto de Braga, dada a sinuosidade das classificativas e estradas muito estreitas do percurso a premiar seguramente carros com muito maior elasticidade que a máquina germânica, sem esquecer o asfalto tremendamente sujo e, em determinados segmentos, húmido, que viria a marcar o Rali do Clube Automóvel do Sul.

Ainda assim, não obstante este enquadramento desfavorável, Vieira conseguiu ser o mais rápido numa das especiais da prova traçada ao redor do monte da Foia (fruto de uma arriscada mas bem sucedida escolha de pneus), algo que nos aguçou o apetite para tentarmos medir a sua evolução neste ano de estreia na modalidade, bem como, ato contínuo, aferir da possibilidade concreta de repetir a proeza no Vidreiro, agora com concorrência mais apertada mas também em terreno em tese mais ajustado as características do 997 GT3.

Foi com base nestes pensamentos que trocámos entusiasticamente algumas mensagens com o Pedro.

Discutimos em conjunto hipóteses, lançámos na conversa a inexperiência de Vieira em matéria de Ralis, trouxemos à liça a sua evolução notória nas provas de estrada, mas o animado debate havia de terminar inconclusivo, não obstante secretamente nós, Zona-Espectáculo, sem o revelar aventássemos a hipótese, ainda que remota, do homem do Porsche poder efetivamente liderar a tabela de tempos num qualquer dos oito troços ‘normais’ do Vidreiro, sobretudo os do Pinhal de Leiria (ideia que, aliás, presidiu precisamente ao pedido inicial feito por nós ao comparsa mentor do ‘Motorart’)

A resposta dada por Carlos Vieira no evento do Clube Automóvel da Marinha Grande foi cabal e desarmante: dois triunfos em troços, e consistentemente tempos próximos dos mais rápidos (à exceção da curvilínea classificativa de Espite/Matas e da Superespecial desenhada no Centro da Marinha Grande, bem como em ‘Farol 1’ onde furou), isto, note-se enquanto parâmetro de análise, apenas na segunda prova que disputou no campeonato nacional (em Guimarães desistiu prematuramente logo após a Superespecial do primeiro dia, pelo que não consideramos em termos práticos a prova do Targa Clube como entrando nesta contabilidade)

Vieira é um piloto de insuspeita qualidade.

Sabe dominar carros potentes e exigentes no plano da condução, credenciais que o ajudam na compreensão do funcionamento do Porsche e na forma mais eficaz de extrair aquilo que de melhor a criação teutónica pode oferecer em matéria de competitividade.

Com uma carreira sustentada e evoluída degrau-a-degrau, tornou-se em 2012 campeão nacional de velocidade, feito que repetiria em 2013 não fossem questiúncluas de cariz administrativo e uma tendência irreprimível para a autorridicularização de que o automobilismo português frequente dá mostras, a privá-lo de um título que dentro de pista foi mais que seu.

Após o ano de 2014 a competir nos sport-protótipos, redirecionou a sua carreia na presente temporada para os Ralis após uma primeira experiência, aliás bem-sucedida, no festival do CAM disputado em janeiro passado.

Ao décimo troço (‘Farol 2’, de cujas imagens se reporta este trabalho) que realizou no CNR conseguiu obter a primeira vitória em especiais (repetiria o feito em ‘Caranguejeira 2’, aqui empatado com J. P. Fontes), seguramente um tónico fortemente motivador para futuros Ralis e um bom mote para credibilizar o seu projeto na modalidade junto dos atuais e hipotéticos futuros patrocinadores.

Num mundo novo para si e que confessamente desconhecia até ao corrente ano, Vieira tem feito depressa o ‘caminho das pedras’ neste desporto, evoluindo rapidamente as suas prestações ao volante, entrosando-se com facilidade numa temática nem sempre fácil de assimilar que é a confiança absoluta nas notas ditadas pelo navegador (Luís Ramalho, experimentadíssimo neste desporto e de insuspeita qualidade na sua arte), e parece sentir-se confortável neste novo desafio ao falar já uma certa linguagem dos Ralis, expressa na vontade de, ainda no decurso da presente época desportiva, tentar fazer uma prova em piso de terra num carro competitivo de tração total, como forma de verificar aptidões e preparar um projeto mais sólido e com renovadas ambições para 2016. 

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 Pedro Meireles  //  Mário Castro  - (Skoda Fabia R5)

 Ricardo Moura  //  António Costa  - (Ford Fiesta R5)

 José Pedro Fontes  //  Miguel Ramalho  - (Citroen DS3 R5)

 João Barros  //  Jorge Henriques  - (Ford Fiesta R5)

 Adruzilo Lopes  //  Vasco Ferreira  - (Subaru Impreza Sti R4)

 Carlos Martins  //  Daniel Amaral  - (Skoda Fabia S2000)

 Joaquim Alves  //  Pedro Alves  - (Skoda Fabia S2000)

 Marco Cid  //  Nuno Rodrigues da Silva  - (Renault Clio S1600)

 Paulo Neto  //  Vítor Hugo   - (Citroen DS3 R3T Max)

 Manuel Castro  //  Luís Costa  - (Mitsubishi Lancer Evo IX)

 Elias Barros  //  Ricardo Faria  - (Ford Fiesta R5)

 João Ruivo  //  João Peixoto  - (Renault Clio R3)

 Renato Pita  //  Luís Cavaleiro  - (Peugeot 208 R2)

 Carlos Vieira  //  Luís Ramalho  - (Porsche 997 GT3 Cup)

A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
http://ptjornal.com/wp-content/uploads/2015/06/CarlosVieiraVidreiro215.jpg

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