P.E.C. Nº 316: "Dez anos é muito tempo". Vinte anos? Parece ter sido ontem...


As principais competições de Ralis em Portugal estão a entrar na fase das grandes decisões quanto aos títulos da temporada de 2015. 

Mortágua e Algarve, as duas últimas etapas do CNR na presente época desportiva, afirmam-se, nesse contexto, como pilares essenciais para se fazer, lá mais para novembro ou dezembro, um balanço do ano, percebendo-se quem são os grandes vencedores, os dignos vencidos, os valores a emergir, ou as maiores deceções do principal campeonato de Ralis em Portugal (em todos os diversos troféus nele integrados), raciocínio que, claro está, aproveita também a todas as demais competições idealizadas sob a égide da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting

Numa altura em que o momento presente da modalidade é intenso, registamos a nota de curiosidade de parecer assistir-se a uma certa procura de referências do passado.

vinte anos, quando o ACP trabalhava, como sempre trabalhou, para dar ‘novos mundos’ ao ‘mundo’ do Rali de Portugal (que é como quem diz, renovadas paragens para fazer passar a caravana da prova), a zona de Mortágua constituiu-se como um palco muito relevante no âmbito do evento até à traumática e fraturante edição de 2001. 

No glossário da prova, expressões como ‘Mortágua’, ‘Vila Pouca’, 'Mortazel’ ou ‘Aguieira’ ganharam dimensão nos Ralis nacionais e entraram de pleno direito no corpo das mais gratas memórias associadas ao melhor Rali do mundo.

Historiámos sucintamente a importância da região de Mortágua enquanto cluster para Ralis em maio de 2013, trabalho que o caro leitor poderá (re)visitar aqui

Abordámos o simbolismo de lugares (em rigor: lugarejos daqueles que se julgam já não existir) incontornáveis daquela região como Linhar de Pala (ver aqui) ou Tojeira (ver aqui), os quais, confiamos, verão de novo, volvidos catorze (longos) anos, ainda que numa outra escala e dimensão, a falange de adeptos da modalidade a assistir ao evoluir das máquinas serra acima e serra abaixo no próximo dia 19 de setembro. 

Nós próprios, em julho de 2013, ensaiámo-nos a esquematizar uma prova por aquelas paragens, cujo projecto poderá ser consultável aqui.

No figurino proposto pelo Clube Automóvel do Centro para o Rali de Mortágua a colocar na estrada dentro de pouco mais de duas semanas, avulta a ideia de diversidade, encontrando-se troços rápidos e outros mais lentos, e zonas de bom piso alternadas com segmentos que vão pedir aos automóveis bons bíceps para não claudicar.

Gostamos destes Ralis onde se joga, em sentido figurado, uma espécie de futebol total, desde o jogo áereo que se prevê frenético lá para os topos da Serra do Boi (troço de Tojeira), até uma troca de bola mais rendilhada e junta ao chão que não deixará de se praticar ao nível da água da Foz do Cris (troço da Aguieira), em que os múltiplos recortes dos braços da barragem, cheios de curvas e contracurvas, prometem um apetecível tiki-taka para Ralis posto no terreno pelos nossos Messis e Ronaldos da arte do volante e do pedal. 

A sul, por sua vez, recupera-se em novembro próximo, coincidentemente ao fim também de vinte anos, toda uma excepcional tradição de troços de terra associada ao Rali do Algarve. 

Ligado ao longo da sua (rica e vasta) história ao encerramento de campeonatos (o nacional e, em diversas edições, o próprio europeu de Ralis nos anos em que a prova integrou a competição), e afirmando-se em vinte e quatro edições (não se disputou em 1974 e 1992), entre 1970 e 1995, com a marca distintiva de ser um Rali especialmente duro para as máquinas e exigente para os concorrentes, o evento organizado pelo Clube Automóvel do Algarve regressa dentro de pouco mais de dois meses, não só ao calendário do CNR (após interregno de um ano por opções de natureza ‘política’, questão que pode ser consultada em algumas das linhas redigidas aqui), como também aos pisos de gravilha (de onde saiu em 1996, primeiro, até 2001, para o asfalto da zona de Martinlongo, e depois, a partir de 2002 e até 2013, sempre no eixo Monchique/Foia), sendo de admitir, neste renovado enquadramento e antes da apresentação oficial do Rali, que a aposta possa recair em recuperar vários dos trajetos que conhecemos do Rali de Portugal disputado no sul do país entre 2005 e 2014.

Não seremos nós, porém, a elaborar grandes dissertações sobre o Rali do Algarve quando anteriormente já houve quem se dedicasse a fazê-lo com grande brilhantismo e conhecimentos históricos.

São disso exemplos, entre outros, o sensacional fórum Ralis a Sul, quase obrigatório para quem gosta de temáticas do passado em torno da modalidade, o profuso e entusiástico trabalho dado à estampa pelo nosso amigo Joaquim Macedo que poderá ser consultável no blogue QMRally, ou o belíssimo artigo da autoria do não menos amigo Pedro Branco, relativo à icónica edição da prova disputada em 1983, que poderá ser lido aqui.

Mas centremos as nossas atenções, para já, no vindouro Rali de Mortágua

de seguida damos à estampa todo um conjunto de imagens e informação que, esperamos, possam ajudar o caro leitor a compreender as vicissitudes e abrangência da prova. 

Neste trabalho encontram-se também contidos os mapas interativos (por nós elaborados) de todas as especiais que compõem o evento do Clube Automóvel do Centro, em função da informação que tem vindo a ser ventilada em alguma comunicação social e no próprio site do clube organizador. 

Afigura-se-nos que os mapas dos troços da Tojeira e Aguieira propostos pelo CAC (consultáveis aqui) estão em desconformidade com a quilometragem oficial aos mesmos atribuída, sobretudo no último dos exemplos em que a diferença se cifra, de acordo com a medição por nós realizada através da plataforma Google Earth, em cerca de 4,7 quilómetros. 

Pormenor seguramente a ser esclarecido nos próximos dias...

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 a) IMAGENS 

 b) INFORMAÇÃO SOBRE A PROVA 

Elegibilidade: Campeonato Nacional de Ralis e Campeonato FPAK Ralis Centro.
Parque de Assistência: Aeródromo de Mortágua.
Número de classificativas: Sete.
Extensão total da prova (indicada pela organização): 201,20 quilómetros.
Extensão total do percurso cronometrado (indicada pela organização): 102,96 quilómetros.
Número total de etapas: Uma.
Numero total de secções: Três.
Tipo de piso: Terra/gravilha (em Tojeira e Rigueiras haverá pequenos segmentos em asfalto).

 c) HORÁRIOS 

18 de Setembro de 2015
1.ª etapa – 1.ª secção

Classificativa: Superespecial de Mortágua.
Extensão: 1,85 quilómetros.
Horário: 20h:15m.

19 de setembro de 2015
1.ª etapa – 2.ª secção

Classificativa: Aguieira ‘1’.
Extensão: 23,20 quilómetros (anunciados).
Horário de partida do primeiro concorrente: 10h:15m.

Classificativa: Rigueiras ‘1’.
Extensão: 9,20 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 11h:13m.

Classificativa: Aguieira ‘2’.
Extensão: 23,20 quilómetros (anunciados).
Horário de partida do primeiro concorrente: 11h:56m.

19 de setembro de 2015
1.ª etapa – 3.ª secção

Classificativa: Tojeira ‘1’.
Extensão: 18,15 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 14h:23m.

Classificativa: Rigueiras ‘2’.
Extensão: 9,20 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 15h:01m.

Classificativa: Tojeira ‘2’.
Extensão: 18,15 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 16h:04m.

 d) MAPAS INTERATIVOS 


 SUPERESPECIAL 

 AGUIEIRA 

 RIGUEIRAS 

 TOJEIRA 

AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- https://www.google.pt/search?q=Rali+de+Portugal+Mort%C3%A1gua&es_sm=122&biw=
1600&bih=805&tbm=isch&source=lnms&sa=X&ved=0CAgQ_AUoA2oVChMI0Ym
M86rTxwIVQdQeCh3qsQ6_#tbm=isch&q=Rali+de+Portugal+Mort%C3%A1gua+1999&imgrc=gsSZAU0QYFY3gM%3A
- http://www.panoramio.com/photo/117293043?source=wapi&referrer=kh.google.com
- http://www.panoramio.com/photo/108702755?source=wapi&referrer=kh.google.com

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