terça-feira, 31 de março de 2015

P.E.C. Nº 296: Vale mais ser Rae por um dia, que piloto banal toda a vida...


A melhor forma de transmitir o poder indomável dos Ralis é através da fotografia. 

Desde o profissional que cobre os eventos e partilha connosco alguns flashes que não raras vezes ficam para a posteridade, até aos muitos amadores que pelos troços desse mundo fora, com talento e devoção, ajudam decisivamente a construir a história visual deste desporto, não escondemos a admiração por todos quantos cultivam esta arte, dos Kleins e Lavadinhos até ao mais anónimo adepto.

Uma boa fotografia inspira-nos. 

Há instantâneos a ensinar mais sobre Ralis que todos adjetivos superlativos que a nossa memória consiga buscar. 

A imagem que abre o presente trabalho é um desses casos, transcendendo o mero momento em que a objetiva disparou para, com mais abrangência, se tornar numa sinopse sublime sobre aquilo que Colin McRae significa para a modalidade. 

O desconcertante e icónico escocês colocou fim em 1999 a longa e bem-sucedida parceria com a Subaru que, entre outras honrarias, lhe deu um título mundial de pilotos e dezasseis triunfos em eventos pontuáveis para o campeonato do mundo. 

Nessa temporada a Ford apostou cartada forte no novo Ford Focus WRC como forma de recuperar glórias antigas dos anos setenta e oitenta (os modelos Escort RS Cosworth e Escort WRC, antecessores do Focus, conjuntamente apenas tinham obtido dez triunfos em seis anos de presença no mundial), a própria simbologia desse intento expressava-se com a recuperação ao mais alto-nível da eterna decoração Martini para embelezar o automóvel da marca, e enquadrada nesta filosofia assentava que nem uma luva, portanto, um piloto à antiga, experiente, competitivo, capaz de andar com o carro em permanente descompensação. 

Colin era, pois, o nome óbvio para integrar o novo projeto da M-Sport

A temporada começou muito bem para a equipa e para o malogrado britânico. 

Se em Monte Carlo o campeão do mundo de 1995 foi quem triunfou no maior número de especiais, superou um ferimento na mão esquerda e problemas mecânicos no bólide, para, tudo somado, concluir na terceira posição, vendo-se todavia desclassificado no final da prova por irregularidades técnicas no seu carro (tal como, aliás, o companheiro de equipa, Simon-Jean Joseph), e na Suécia problemas de motor travariam prematuramente ao ambições do escocês, o terceiro capítulo da temporada, o Rali Safari, confirmaria a validade do projeto e a aposta em Colin para o liderar, materializado num triunfo algo atípico (o homem do carro n.º 7 venceu a prova sem ganhar qualquer percurso seletivo) mas seguramente muito motivador para os comandados de Malcolm Wilson

Portugal, evento que McRae havia ganho no ano anterior, apresentava-se como o desafio seguinte em termos de calendário do campeonato do mundo. 

Sobre a prova propriamente dita pouco há a dizer. 

O recruta da Ford liderou da primeira à última classificativa, foi quem somou mais vitórias em troços, atacou fortíssimo no primeiro dia na zona de Fafe para gerir (se é que tal palavra existia no seu dicionário…) a vantagem amealhada até cruzar o pódio final como incontestado vencedor da trigésima terceira edição do Rali de Portugal

É de tal demonstração de destreza e tenacidade ocorrida há dezasseis anos no nosso país, que cuida a foto sob análise nas presentes linhas. 

Troço: Agueira (alguns dados biográficos sobre esta fabulosa especial estão compilados AQUI)

Data: terça-feira, 23 de março de 1999. 

Hora: 11h:19m. 

Classificativa n.º 12 do Rali de Portugal, edição/1999.  

Colin é o primeiro concorrente na estrada, na sequência da liderança da prova conseguida no dia anterior. 

Poucos quilómetros após o início da especial (na povoação de Rio Milheiro), o escocês chega à foz do rio Cris num dos múltiplos braços de água da barragem da Agueira

Numa rápida curva à esquerda (que a foto acima partilhada imortaliza), obtida, segundo supomos, a partir de helicóptero, o piloto da Ford mostra-se coerente consigo próprio. 

No chão vê-se definida uma linha mais ou menos ideal de trajetória, fruto provavelmente dos reconhecimentos levados a cabo em dias anteriores. 

Até à borda da estrada, do lado esquerdo, é visível estar guardados um ou dois palmos de ‘segurança’, uma vez que há um declive a pique rumo à água e quem arriscar uma trajetória mais direta corre sérios riscos de ficar fora de prova. 

É, em suma, curva onde o piloto pretenderá que o respetivo navegador previamente lhe dite um inevitável e prudente «não corta»

Abrindo a estrada e sendo por conseguinte penalizado em termos de aderência, mas sobretudo na capacidade de tração do automóvel, qualquer piloto racionalmente aproveitaria a trajetória mais ‘limpa’ de pó e gravilha, onde o chão está mais polido, as rodas patinam menos, e em tese se ganha tempo. 

Qualquer piloto defendendo uma liderança em certo sentido confortável, não necessitando de atacar correria o mínimo de riscos e seria espartano nas trajetórias escolhidas. 

Qualquer piloto. 

A questão é que Colin McRae jamais foi um piloto qualquer. 

O que se observa na foto é a aversão às regras e à lógica, a subversão total de quaisquer certezas pré-definidas nos Ralis. 

Colin em bruto, portanto. 

Colocando, como se percebe, o pneu frente direito do Focus para lá de onde os demais competidores provavelmente ousaram meter o esquerdo dos respetivos bólides. 

Metade do carro com os ‘pés’ bem assentes na terra, outra metade fazendo um arriscado exercício de parapente sobre as águas do Cris

Saudades…

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Trabalhos anteriores sobre Colin McRae realizados no âmbito deste blogue poderão ser vistos na P.E.C. Nº 100 e na P.E.C. Nº 201.

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 VÍDEOS SOBRE A EDIÇÃO DE 1999 DO RALI DE PORTUGAL 






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A FOTO PUBLICADA NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
https://www.facebook.com/184404868421171/photos/a.184421818419476.1073741832.184404868421171/352725734922416/?type=1&theater

terça-feira, 24 de março de 2015

P.E.C. Nº 295: Rali Serras de Fafe, lagostas e latas de atum...


… «há problemas crónicos que continuam sem resposta e que, com o tempo, podem minar e fraturar o ponto de equilíbrio de que o CNR parece começar novamente a aproximar-se. Sem pôr em causa a qualidade dos intervenientes que em 2015 vão lutar pelo título, facilmente se percebe que continua a faltar ‘sangue novo’ no Nacional de Ralis e que a próxima geração de campeões está atrasada ou, pior, não começo sequer a ser formada. A idade média dos candidatos ao título ronda os 37 anos e não será fácil encontrar um com aspirações para evoluir para uma carreira internacional. É evidente que a famigerada conjuntura económica global desfavorável pode assumir uma parte das culpas deste instalado clima de ‘vamos indo e vamos vendo…’, mas não toda. Dividindo essa responsabilidade está um ‘Nacional’ cheio de vícios, onde os reconhecimentos têm regras mais cumpridas por uns do que por outros»... (nota nossa: Bruno Magalhães analisando o momento atual da modalidade em declarações à AutoSport, é lapidar na apreciação ao problema dos reconhecimentos...) ...«e onde, por exemplo, a limitação de pneus é uma simples miragem, potenciando ainda mais o fosso entre pilotos/equipas ricas e pobres e travando, eventualmente, a ascensão de novos valores. Está também um campeonato abastecido quase sempre pelos mesmos ralis, pelos mesmos troços, onde reina quem maior experiência tem ou por lá mais vezes passou. Está ainda uma competição onde continua a faltar um promotor oficial capaz de ajudar a elevar o estatuto do campeonato, de agilizar a ação fora das classificativas, de sensibilizar os pilotos para as necessidades de retorno dos seus patrocinadores e da cooperação com os media ou, de uma forma global, de ajudar a desbravar novamente caminho para que as empresas se sintam confortáveis a apoiar este desporto.
Mesmo se a aparente qualidade e quantidade de inscritos (que, por norma, não é a mesma no início e no fim do campeonato) ajuda a disfarçar alguns problemas estruturais, ainda não se pode dizer que o Campeonato Nacional de Ralis de 2015 seja ainda aquilo que todos os amantes de ralis desejam. Porquê contentarmo-nos com o bom quando podemos chegar ao ótimo?»

Filipe Pinto Mesquita, jornalista
in AutoSport n.º 1941, de 11 de março de 2015

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Começou da melhor maneira o campeonato nacional de Ralis. 

A partir dos incontornáveis palcos de Fafe, engalanados a rigor para acolher a jornada inaugural da temporada 2015, assistimos a uma prova com uma interessantíssima lista de inscritos, ótimos automóveis, um naipe de pilotos e navegadores do mais fino recorte e despiques cerrados pelas melhores posições, tudo perante grande plateia (no número e no entusiasmo) de adeptos a emprestar colorido especial ao primeiro Rali do ano. 

No plano desportivo parecem estar reunidas condições (na sequência do elã positivo que se foi gerando em 2014) para um certo reencontro entre o CNR e a grande falange de aficionados deste desporto existente no nosso país. 

A partir do Confurco e congéneres ficou-nos na retina: 

- Que Ricardo Moura está com fome de Ralis, após ausência mais ou menos prolongada do nacional, conduzindo muito motivado e com a eficácia que o celebrizou em anos anteriores; 

- Que José Pedro Fontes sinalizou com clareza que, limadas as arestas iniciais, o projeto DS será naturalmente ganhador;

- Que Miguel Campos, um dos melhores pilotos portugueses da sua geração, provou que quem sabe nunca esquece, beliscando os arquétipos associados aos Ralis segundo os quais a falta de ritmo competitivo é sempre penalizadora; 

- Que João Barros confirma o quão tem crescido enquanto piloto de Ralis, afastando nesta jornada inaugural da época o rótulo de piloto de asfalto para afirmar um ecletismo de condução que o coloca, de pleno direito, na linha dos mais fortes candidatos ao título no final do ano; 

- Que Pedro Meireles está a procurar minimizar perdas em termos pontuais antes da anunciada chegada do Fabia R5, mas talvez já com a temporada de 2016 no horizonte para tentar reapossar-se do cetro de campeão que é seu; 

- Que Max Vatanen comprovou que a tarimba mundialista confere ritmo de andamento que só com binóculos as provas nacionais conseguem vislumbrar (Martin Kangur em 2014 neste Rali já tinha enviado mensagem similar)

- Que Pepe Lopez, o alegado protegido de Sainz, é um jovem muito promissor que veio ao norte do país mostrar a determinação e resiliência que conhecemos do madrileno bicampeão do mundo; 

- Que há um plantel no campeonato de duas rodas motrizes cheio de pilotos tremendamente combativos e com muita qualidade, com projetos realistas e bem gizados, a dar corpo a uma competição que merece ser seguida com a máxima atenção e será um dos grandes polos de interesse do CNR agora iniciado; 

- Que Víctor Pascoal e Fernando Peres, sem qualquer desprimor para os demais inscritos no regional norte, são homens que fazem falta à liga principal dos Ralis nacionais;

- Que regressaram ao CNR dois vultos deste desporto que dão pelo nome de Carlos Magalhães (espera-se que com a maior assiduidade possível) e Miguel Ramalho.

Tantos predicados não iludem, porém, a realidade que está por trás do pó que os R5 ou S2000 levantam. 

Como Filipe Pinto Mesquita escreve no texto que acima nos permitimos reproduzir, há uma série de questões estruturais na modalidade que continuam por resolver, num diagnóstico de inusitada crueza mas assaz certeiro que no essencial subscrevemos. 

O maior entrave nos Ralis portugueses é a crónica falta de disponibilidade dos seus protagonistas para se sentar numa mesma mesa, identificarem o que os une, assinalarem o que os divide, e a partir daí construtivamente lançarem as bases de um campeonato nacional pensado como um todo, capaz de atrair pilotos, equipas e marcas construtores. 

A cumprir-se na temporada em curso a máxima que com o tempo fez lei na modalidade, serão poucos os pilotos no final do ano a estar presentes em todas as provas do calendário. 

O clima que se vive hoje na modalidade é, no geral, pensar-se em matéria de patrocínios numa prova de cada vez. 

Projetos estruturados em função de uma temporada no seu todo continuam, sobretudo no plano da luta pelo título absoluto de pilotos, a rarear. 

Com míngua de verbas, vive-se na modalidade um certo clima de, passe o exagero, comer lagosta logo que entra algum dinheiro no primeiro dia do mês, para viver os vinte e nove dias seguintes à base de frugais refeições em torno de latas de atum. 

As condições para planificar projetos não se encontram criadas. 

Pensar a longo prazo dentro do contexto dos nossos Ralis é olhar uma semana à frente. 

E o mais curioso (e até algo frustrante) no meio de tudo isto, é a impressão generalizada de que até é muito curto e relativamente fácil de alcançar o caminho que separa o ‘bom’ do ‘ótimo’ a que Filipe Pinto Mesquita se reporta no seu texto de opinião.

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Alguns vídeos sobre o Rali Serras de Fafe recentemente disputado poderão ser visionados AQUI.

A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://amoraosralis.blogspot.pt/2015/03/2-galeria-rali-serras-fafe-2015.html

quarta-feira, 18 de março de 2015

P.E.C. Nº 294: Panzerplatte...


Estranha esta mania dos alemães em se intrometer nos nossos destinos. 

Nos idos de 2001, Portugal viu-se traumaticamente privado de organizar uma prova do campeonato do mundo de Ralis, após o afastamento do Rali de Portugal, ao fim de vinte e nove anos, da elite maior dos eventos da competição. 

Os motivos são conhecidos. 

Alguns problemas de segurança trazidos à liça após a malfadada intempérie que se abateu sobre a prova. 

Também o poderosíssimo lóbi germânico (mercado automóvel interno com vitalidade ímpar, construtores de vulto, fortes tradições na modalidade, etc…) a trabalhar com afinco nos bastidores para garantir uma etapa do WRC

E o mais importante de todos os fatores adversos, o desaparecimento físico de Alfredo César Torres

A história ensina que a partir de 2002 (e até 2006), o Rali da Alemanha entrou e manteve-se no calendário do mundial de Ralis em substituição do Rali de Portugal. 

Um enorme amargo de boca apoderou-se, ao tempo, dos portugueses aficionados das provas de estrada aberta e em luta contra o cronómetro. 

A frustração em perdermos, impositivamente, de um momento para o outro, a maior marca distintiva do automobilismo nacional, abriu feridas profundas, toldou-nos (com alguma naturalidade) a capacidade de ser objetivos, e generalizou por cá um certo amesquinhar da prova alemã, à volta de argumentos como ‘demasiado rápida’, ‘pouco interessante’, ou ‘contendo apenas troços com retas e curvas de 90 graus’


Recusamos por completo essa visão. 

Na nossa opinião o Rali da Alemanha é uma das provas mais interessantes do WRC

Ao redor de Trier há um conjunto de especiais em asfalto com identidade própria e diferenciadas entre si, dos vinhedos situados nas colinas perto de Mosel com múltiplos ganchos, estradas estreitas, e austeros paredões em pedra, até aos rápidos troços da zona rural de Sankt Wendel, passando, claro por... Panzerplatte

Panzerplatte (ou Arena Panzerplatte, na designação adotada em diversas edições da prova organizada pelo ADAC) não é propriamente um único troço: é um emaranhado quase labiríntico (ver foto do desenho do troço utilizado na edição do Rali da Alemanha de 2006 AQUI, ou o mapa dos percursos idealizados em 2011 AQUI, e em 2014 AQUI) de estradas situadas no interior do campo de treino militar em Baumholder

Nas versões mais longas das 'classificativas Panzerplatte encontra-se literalmente de tudo. 

Tapetes de asfalto muito polidos alternando com os mais rugosos e ondulados pisos em cimento.

Zonas rapidíssimas onde os carros esgotam o motor, em assumida digladiação com trechos em que se sucedem curvas lentas. 

Ou excertos onde o cronómetro recomenda cortar o interior das curvas, até a locais repletos dos temíveis Hinkelsteins (blocos de pedra de grandes dimensões colocados na berma do troço) que não perdoando o mínimo erro nem o menor alargamento de trajetória, acabam por funcionar nestas estradas militares como os muros e rails de um qualquer circuito citadino nas corridas de velocidade. 


Panzerplatte alterna zonas de asfalto com bons índices de aderência, com outras em que o mesmo se mostra extremamente escorregadio (fruto da lama deixada pelos veículos militares) mesmo com tempo seco. 

E há, também, o clássico salto ‘Gina’ (imagens AQUI), uma espécie de Pedra Sentada lá do burgo. 

Toda esta panóplia de singularidades torna a ideia da Panzerplatte, nas suas múltiplas configurações, absolutamente única. 

Armin Schwarz, antigo piloto oficial da Toyota, Skoda, Hyundai, Mitsubishi e Ford, analisa-a como a especial onde do ponto de vista do piloto não se dá pelo tempo passar, tamanha a necessidade de concentração extrema desde o sinal verde até à tomada de tempos final.  

É uma classificativa de opostos, afirmando-se como uma grande dor de cabeça na procura do setup ideal de afinação das suspensões, na escolha de pneus, na relação da caixa de velocidades, ou repartição de travagem. 

Convidámos gente ilustre dos nossos Ralis para nos ajudar a compreender o caráter destes troços.

Hugo Magalhães, por exemplo, confidenciou-nos que «entrar para uma classificativa como a Arena Panzerplate é como estar preparado para entrar numa linha de combate, pois os 45 km - mais coisa menos coisa - são de sobrevivência. A classificativa tem um carisma especial, pois a alternância de piso é uma constante sendo difícil perceber onde temos boa aderência. Em algumas partes o piso é abrasivo porque é de cimento, obrigando a uma gestão dos pneus para se evitar furos. Depois encontramos as famosas pedras "panzers" que ladeiam a estrada e não permitem qualquer erro, pois um toque nelas quase sempre significa um abandono. Além disto tudo, é uma classificativa bastante enrolada e com inúmeras mudanças de estrada, que nos faz perder um pouco o norte. Nesta classificativa também podemos ter mas de 10 carros em prova ao mesmo tempo o que oferece um espetáculo único aos espectadores»

Paulo Babo, que tem em comum com Magalhães o facto de ter navegado Bernardo Sousa na prova germânica, afina pelo mesmo diapasão esclarecendo que «esta zona dos campos militares alemães, onde se realiza a mítica classificativa de Panzerplatte, tem um piso predominantemente bastante irregular e de uma mistura de cimento e asfalto, o que a diferencia de todas as outras. Essas características únicas, o desenho do seu traçado muito técnico e exigente, e a sua extensão tornam esta classificativa como uma das mais duras dos ralis de asfalto. Aliado a tudo isto, as pedras que ladeiam o traçado (que foram instaladas com o objectivo de parar tanques de guerra) não permitem qualquer erro, sob pena de custos desportivos elevados, como a desistência».

Mais que adjetivos, as imagens que abaixo publicamos colhidas no interior do automóvel do campeão do mundo de Ralis (das quais recomendamos visualização integral) são uma ilustração perfeita de tudo aquilo que estes troços militaristas representam: um 'combate' duro contra a desconcentração, precisão total ao apontar para as trajetórias, a bem, como sabiamente avisa o Hugo Magalhães, da «sobrevivência» em prova...


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 1. DADOS ESTATÍSTICOS / RESULTADOS 

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Data: 24 de agosto de 2002.
Designação: Panzerplatte 1.
Extensão: 35,58 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 09h:58m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Marcus Gronholm.
b) Navegador(es): Timo Rautiainen.
c) Carro(s): Peugeot 206 WRC.
Melhor tempo realizado: 21m:27,0s.
Média horária: 99,47 quilómetros/hora.

Data: 24 de agosto de 2002.
Designação: Panzerplatte 2.
Extensão: 35,58 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 16h:04m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Marcus Gronholm.
b) Navegador(es): Timo Rautiainen.
c) Carro(s): Peugeot 206 WRC.
Melhor tempo realizado: 20m:39,7s.
Média horária: 103,26 quilómetros/hora.

 2 0 0 3 

Data: 25 de julho de 2003.
Designação: Panzerplatte Ost.
Extensão: 35,42 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 13h:35m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Markko Martin.
b) Navegador(es): Michael Park.
c) Carro(s): Ford Focus RS WRC 03.
Melhor tempo realizado: 20m:34,7s.
Média horária: 103,27 quilómetros/hora.

Data: 26 de julho de 2003.
Designação: Panzerplatte West 1.
Extensão: 34,02 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 11h:25m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Markko Martin.
b) Navegador(es): Michael Park.
c) Carro(s): Ford Focus RS WRC 03.
Melhor tempo realizado: 19m:31,9s.
Média horária: 104,51 quilómetros/hora.

Data: 26 de julho de 2003.
Designação: Panzerplatte West 2.
Extensão: 34,02 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 14h:24m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Markko Martin.
b) Navegador(es): Michael Park.
c) Carro(s): Ford Focus RS WRC 03.
Melhor tempo realizado: 19m:01,6s.
Média horária: 107,28 quilómetros/hora.

 2 0 0 4 

Data: 21 de agosto de 2004.
Designação: Panzerplatte Sprint 1.
Extensão: 8,30 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 11h:08m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Markko Martin.
b) Navegador(es): Michael Park.
c) Carro(s): Ford Focus RS WRC 04.
Melhor tempo realizado: 4m:46,6s.
Média horária: 104,26 quilómetros/hora.

Data: 21 de agosto de 2004.
Designação: Panzerplatte Lang 1.
Extensão: 40,30 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: ---
Vencedor(es):
a) Piloto(s): ---
b) Navegador(es): ---
c) Carro(s): Melhor tempo realizado: sem tempos averbados.
Média horária: ---

Data: 21 de agosto de 2004.
Designação: Panzerplatte Sprint 2.
Extensão: 8,30 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 16h:07m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Freddy Loix.
b) Navegador(es): Sven Smeets.
c) Carro(s): Peugeot 307 WRC.
Melhor tempo realizado: 4m:45,6s.
Média horária: 104,62 quilómetros/hora.

Data: 21 de agosto de 2004.
Designação: Panzerplatte Lang 2.
Extensão: 40,30 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 16h:45m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Sébastien Loeb.
b) Navegador(es): Daniel Elena.
c) Carro(s): Citroen Xsara WRC.
Melhor tempo realizado: 24m.22,8s.
Média horária: 99,18 quilómetros/hora.
 2 0 0 5 

Data: 27 de agosto de 2005.
Designação: Panzerplatte 1.
Extensão: 29,57 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 09h:44m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Sébastien Loeb.
b) Navegador(es): Daniel Elena.
c) Carro(s): Citroen Xsara WRC.
Melhor tempo realizado: 17m:17,0s.
Média horária: 102,65 quilómetros/hora.

Data: 27 de agosto de 2005.
Designação: Panzerplatte 2.
Extensão: 29,57 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 12h:57m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): François Duval.
b) Navegador(es): Sven Smeets.
c) Carro(s): Citroen Xsara WRC.
Melhor tempo realizado: 17m:10,0s.
Média horária: 103,35 quilómetros/hora.

 2 0 0 6 

Data: 12 de agosto de 2006.
Designação: Panzerplatte 1.
Extensão: 30,66 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 09h:44m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Dani Sordo.
b) Navegador(es): Marc Marti.
c) Carro(s): Citroen Xsara WRC.
Melhor tempo realizado: 18m:09,5s.
Média horária: 101,31 quilómetros/hora.

Data: 12 de agosto de 2006.
Designação: Panzerplatte 2.
Extensão: 30,66 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 12h:55m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Marcus Gronholm.
b) Navegador(es): Timo Rautiainen.
c) Carro(s): Ford Focus RS WRC 06.
Melhor tempo realizado: 18m:03,5s.
Média horária: 101,87 quilómetros/hora.

 2 0 0 7 

Data: 18 de agosto de 2007.
Designação: Arena Panzerplatte 1.
Extensão: 30,55 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 11h:02m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Sébastien Loeb.
b) Navegador(es): Daniel Elena.
c) Carro(s): Citroen C4 WRC.
Melhor tempo realizado: 17m:57,4s.
Média horária: 102,08 quilómetros/hora.

Data: 18 de agosto de 2007.
Designação: Arena Panzerplatte 2.
Extensão: 30,55 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 17h:14m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Chris Atkinson.
b) Navegador(es): Stéphane Prévot.
c) Carro(s): Subaru Impreza WRC 07.
Melhor tempo realizado: 17m:49,8s.
Média horária: 102,80 quilómetros/hora.

 2 0 0 8 

Data: 16 de agosto de 2008.
Designação: Arena Panzerplatte 1.
Extensão: 30,38 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 10h:44m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Sébastien Loeb.
b) Navegador(es): Daniel Elena.
c) Carro(s): Citroen C4 WRC.
Melhor tempo realizado: 17m:44,5s.
Média horária: 102,74 quilómetros/hora.

Data: 16 de agosto de 2008.
Designação: Arena Panzerplatte 2.
Extensão: 30,38 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 17h:23m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Dani Sordo.
b) Navegador(es): Marc Marti.
c) Carro(s): Citroen C4 WRC.
Melhor tempo realizado: 17m:41,5s.
Média horária: 103,03 quilómetros/hora.

 2 0 1 0 

Data: 21 de agosto de 2010.
Designação: Arena Panzerplatte 1.
Extensão: 48,00 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 10h:30m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Sébastien Loeb.
b) Navegador(es): Daniel Elena.
c) Carro(s): Citroen C4 WRC.
Melhor tempo realizado: 27m:55,8s.
Média horária: 103,11 quilómetros/hora.

Data: 21 de agosto de 2010.
Designação: Arena Panzerplatte 2.
Extensão: 48,00 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 17h:25m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Petter Solberg.
b) Navegador(es): Chris Patterson.
c) Carro(s): Citroen C4 WRC.
Melhor tempo realizado: 27m:39,2s.
Média horária: 104,15 quilómetros/hora.

 2 0 1 1 

Data: 20 de agosto de 2011.
Designação: Arena Panzerplatte 1.
Extensão: 34,18 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 11h:07m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Sébastien Ogier.
b) Navegador(es): Julien Ingrassia.
c) Carro(s): Citroen DS3 WRC.
Melhor tempo realizado: 19m:55,3s.
Média horária: 102,94 quilómetros/hora.

Data: 20 de agosto de 2011.
Designação: Arena Panzerplatte 2.
Extensão: 34,18 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 18h:07m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Sébastien Ogier.
b) Navegador(es): Julien Ingrassia.
c) Carro(s): Citroen DS3 WRC.
Melhor tempo realizado: 19m:49,2s.
Média horária: 103,47 quilómetros/hora.

 2 0 1 2 

Data: 25 de agosto de 2012.
Designação: Arena Panzerplatte 1.
Extensão: 46,54 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 10h:52m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Sébastien Loeb.
b) Navegador(es): Daniel Elena.
c) Carro(s): Citroen DS3 WRC.
Melhor tempo realizado: 27m:31,9s.
Média horária: 101,43 quilómetros/hora.


Data: 25 de agosto de 2012.
Designação: Arena Panzerplatte 2.
Extensão: 46,54 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 17h:37m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Sébastien Loeb.
b) Navegador(es): Daniel Elena.
c) Carro(s): Citroen DS3 WRC.
Melhor tempo realizado: 26m:54,0s.
Média horária: 103,81 quilómetros/hora.

 2 0 1 3 

Data: 24 de agosto de 2013.
Designação: Arena Panzerplatte 1.
Extensão: 41,08 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 10h:29m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Sébastien Ogier.
b) Navegador(es): Julien Ingrassia.
c) Carro(s): Volkswagen Polo R WRC.
Melhor tempo realizado: 23m:33,8s.
Média horária: 104,60 quilómetros/hora.

Data: 24 de agosto de 2013.
Designação: Arena Panzerplatte 2.
Extensão: 41,08 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: ---
Vencedor(es):
a) Piloto(s): ---
b) Navegador(es): ---
c) Carro(s): ---
Melhor tempo realizado: sem tempos averbados.
Média horária: ---

 2 0 1 4 

Data: 23 de agosto de 2014.
Designação: Arena Panzerplatte 1.
Extensão: 3,03 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 9h:51m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Jari-Matti Latvala.
b) Navegador(es): Miikka Anttila.
c) Carro(s): Volkswagen Polo R WRC.
Melhor tempo realizado: 2m:01,9s.
Média horária: 89,48 quilómetros/hora.

Data: 23 de agosto de 2014.
Designação: Panzerplatte Lang 1.
Extensão: 42,51 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 10h:06m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Jari-Matti Latvala.
b) Navegador(es): Miikka Anttila.
c) Carro(s): Volkswagen Polo R WRC.
Melhor tempo realizado: 24m:40,2s.
Média horária: 103,39 quilómetros/hora.

Data: 23 de agosto de 2014.
Designação: Arena Panzerplatte 2.
Extensão: 3,03 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 16h:44m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Jari-Matti Latvala.
b) Navegador(es): Miikka Anttila.
c) Carro(s): Volkswagen Polo R WRC.
Melhor tempo realizado: 2m:04,7s.
Média horária: 87,47 quilómetros/hora.

Data: 23 de agosto de 2014.
Designação: Panzerplatte Lang 2.
Extensão: 42,51 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 16h:59m.
Vencedor(es):
a) Piloto(s): Jari-Matti Latvala.
b) Navegador(es): Miikka Anttila.
c) Carro(s): Volkswagen Polo R WRC.
Melhor tempo realizado: 24m:47,8s.
Média horária: 102,86 quilómetros/hora.

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 2. OS EFEITOS DOS HINKELSTEINS 






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 3. PANZERPLATTE, POR DENTRO... 


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AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- http://farm9.static.flickr.com/8315/7913466252_ba16247d4e.jpg
- http://www.redbull.com/en/motorsports/offroad/stories/1331673893621/panzerplatte-baumholder-wrc-rallye-deutschland-2014
- https://twitter.com/officialwrc/status/501752979360612353