sábado, 26 de setembro de 2015

P.E.C. Nº 317: Duelo de t(r)itãs...


quinze anos o campeonato nacional de Ralis vivia, ainda, uma fase de apogeu.

As marcas viam na competição maior da modalidade uma montra preferencial para expor os seus produtos.

O mercado automóvel em Portugal ainda não era (ou pelo menos não parecia…) tão estrangulado fiscalmente como sucede hoje, e o poder de compra dos portugueses era (ou pelo menos parecia…) no essencial mais expressivo que na atualidade.

Nas classificativas nacionais, além de outros automóveis muito bem preparados, evoluíam três WRC (quase) iguais aos das equipas oficiais do campeonato do mundo, de outros tantos construtores (Peugeot, Toyota e Seat), confiados a homens do mais fino quilate que os Ralis portugueses já conheceram: Adruzilo Lopes, Pedro Matos Chaves e Rui Madeira.

Três titãs da condução.

'Tritãs', portanto, navegados por outros nomes não menos incontornáveis da modalidade como, respetivamente, Luís Lisboa, Sérgio Paiva e Fernando Prata.

É certo que não havia a saudosa equipa oficial da Renault, a qual havia encerrado portas no final da temporada anterior quanto ao envolvimento direito e oficial nos Ralis nacionais.

Não havia o furacão (e tornado, e tsunami, e tudo o que são fenómenos – ele próprio era um fenómeno - da natureza a irromper em simultâneo) Macedo.

Também já não havia a rapidez discreta de Azeredo.

Em alta voltagem para esta modalidade despontava, porém, Vítor Lopes ao volante do nervoso (e espetacular) Saxo Kit Car, com o apoio da sucursal portuguesa da Citroen.

Da parte da Fiat a ambição em fazer frente aos homens do double chevron era grande, e esse intento viria em grande parte a materializar-se com o ‘roubo’ à velocidade do campeão nacional do ano anterior, para o sentar ao volante do pequeno Punto Kit Car, transferência entre modalidades que, ironicamente, volvidos quinze anos se verifica também agora mas em benefício da marca francesa, com a curiosidade adicional do denominador comum entre passado e presente se chamar José Pedro Fontes.

No campeonato nacional de Ralis disputado no ano de 2000 pontificavam ainda nomes como o incontornável Fernando Peres, que esporadicamente exibiu em algumas provas nas classificativas lusas o velho Escort WRC, ou Gustavo Louro que com determinação e virtuosismo ensaiava o processo de transição dos Ralis insulares para a realidade dos eventos continentais aos comandos do Ford Escort de grupo A da Peres Competições.

O agrupamento de produção daqueles anos respirava vitalidade.

Se a luta pelo título absoluto envolveu três mosqueteiros, Miguel Campos foi o D’Artagnan capaz de desembainhar a sua espada, o Lancer de grupo N, e bater-se galhardamente e de peito aberto até ao último duelo do ano, ali por terras de Viriato, num pelotão de grande nível onde se destacavam guerreiros como Pedro Dias da Silva, Bruno Magalhães, Víctor Pascoal ou o sempre incontornável e combativo Pedro Leal.

Dezoito classificativas, mais de duzentos e vinte quilómetros de segmentos cronometrados para uma extensão total, percursos de ligação incluídos, de cerca de setecentos e vinte e seis quilómetros, foi o formato que o Rali Rota do Vidro disputado há quinze anos encontrou para afirmar-se, ao tempo como hoje, como uma das mais emblemáticas provas nacionais da modalidade, levando a caravana de concorrentes por um longo périplo com passagens por São Pedro de Moel, Figueiró dos Vinhos e Lousã.

É desse evento, organizado pelo Clube Automóvel da Marinha Grande, que se reportam as imagens que seguem.

Muitos anos passaram neste entretanto.

Muitos Ralis pudemos ver de lá para cá.

Muitos carros no limite.

Os mais incríveis pilotos e navegadores nacionais e internacionais evoluíram a respetiva arte perante os nossos olhos.

Do nosso rol de memórias em trinta anos de Ralis fica, porém, no rescaldo do Rota do Vidro/2000, o mais aparatoso acidente a que assistimos em tempo real, quando logo no primeiro dia de prova, na penúltima curva de uma das passagens (talvez a última…) pelo troço de São Pedro de Moel, Bruno Magalhães (navegado pelo sempiterno Fifé) capotou o Mitsubishi cinzento (cuja foto abre este trabalho) para dentro do ribeiro que serpenteia aquelas matas, aterrando, virado de rodas para o ar, com o tejadilho dentro de água.

Um percalço normal para quem, à época, tinha ainda pouca experiência e procurava afirmar-se andando no limite, deixando com clareza já antever que estaríamos, anos mais tarde, perante um piloto de exceção...

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A FOTO QUE ABRE O PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.filipefifefernandes.com/v1/images/carreira/2000/rotadosol2000.jpg

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

P.E.C. Nº 316: "Dez anos é muito tempo". Vinte anos? Parece ter sido ontem...


As principais competições de Ralis em Portugal estão a entrar na fase das grandes decisões quanto aos títulos da temporada de 2015. 

Mortágua e Algarve, as duas últimas etapas do CNR na presente época desportiva, afirmam-se, nesse contexto, como pilares essenciais para se fazer, lá mais para novembro ou dezembro, um balanço do ano, percebendo-se quem são os grandes vencedores, os dignos vencidos, os valores a emergir, ou as maiores deceções do principal campeonato de Ralis em Portugal (em todos os diversos troféus nele integrados), raciocínio que, claro está, aproveita também a todas as demais competições idealizadas sob a égide da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting

Numa altura em que o momento presente da modalidade é intenso, registamos a nota de curiosidade de parecer assistir-se a uma certa procura de referências do passado.

vinte anos, quando o ACP trabalhava, como sempre trabalhou, para dar ‘novos mundos’ ao ‘mundo’ do Rali de Portugal (que é como quem diz, renovadas paragens para fazer passar a caravana da prova), a zona de Mortágua constituiu-se como um palco muito relevante no âmbito do evento até à traumática e fraturante edição de 2001. 

No glossário da prova, expressões como ‘Mortágua’, ‘Vila Pouca’, 'Mortazel’ ou ‘Aguieira’ ganharam dimensão nos Ralis nacionais e entraram de pleno direito no corpo das mais gratas memórias associadas ao melhor Rali do mundo.

Historiámos sucintamente a importância da região de Mortágua enquanto cluster para Ralis em maio de 2013, trabalho que o caro leitor poderá (re)visitar aqui

Abordámos o simbolismo de lugares (em rigor: lugarejos daqueles que se julgam já não existir) incontornáveis daquela região como Linhar de Pala (ver aqui) ou Tojeira (ver aqui), os quais, confiamos, verão de novo, volvidos catorze (longos) anos, ainda que numa outra escala e dimensão, a falange de adeptos da modalidade a assistir ao evoluir das máquinas serra acima e serra abaixo no próximo dia 19 de setembro. 

Nós próprios, em julho de 2013, ensaiámo-nos a esquematizar uma prova por aquelas paragens, cujo projecto poderá ser consultável aqui.

No figurino proposto pelo Clube Automóvel do Centro para o Rali de Mortágua a colocar na estrada dentro de pouco mais de duas semanas, avulta a ideia de diversidade, encontrando-se troços rápidos e outros mais lentos, e zonas de bom piso alternadas com segmentos que vão pedir aos automóveis bons bíceps para não claudicar.

Gostamos destes Ralis onde se joga, em sentido figurado, uma espécie de futebol total, desde o jogo áereo que se prevê frenético lá para os topos da Serra do Boi (troço de Tojeira), até uma troca de bola mais rendilhada e junta ao chão que não deixará de se praticar ao nível da água da Foz do Cris (troço da Aguieira), em que os múltiplos recortes dos braços da barragem, cheios de curvas e contracurvas, prometem um apetecível tiki-taka para Ralis posto no terreno pelos nossos Messis e Ronaldos da arte do volante e do pedal. 

A sul, por sua vez, recupera-se em novembro próximo, coincidentemente ao fim também de vinte anos, toda uma excepcional tradição de troços de terra associada ao Rali do Algarve. 

Ligado ao longo da sua (rica e vasta) história ao encerramento de campeonatos (o nacional e, em diversas edições, o próprio europeu de Ralis nos anos em que a prova integrou a competição), e afirmando-se em vinte e quatro edições (não se disputou em 1974 e 1992), entre 1970 e 1995, com a marca distintiva de ser um Rali especialmente duro para as máquinas e exigente para os concorrentes, o evento organizado pelo Clube Automóvel do Algarve regressa dentro de pouco mais de dois meses, não só ao calendário do CNR (após interregno de um ano por opções de natureza ‘política’, questão que pode ser consultada em algumas das linhas redigidas aqui), como também aos pisos de gravilha (de onde saiu em 1996, primeiro, até 2001, para o asfalto da zona de Martinlongo, e depois, a partir de 2002 e até 2013, sempre no eixo Monchique/Foia), sendo de admitir, neste renovado enquadramento e antes da apresentação oficial do Rali, que a aposta possa recair em recuperar vários dos trajetos que conhecemos do Rali de Portugal disputado no sul do país entre 2005 e 2014.

Não seremos nós, porém, a elaborar grandes dissertações sobre o Rali do Algarve quando anteriormente já houve quem se dedicasse a fazê-lo com grande brilhantismo e conhecimentos históricos.

São disso exemplos, entre outros, o sensacional fórum Ralis a Sul, quase obrigatório para quem gosta de temáticas do passado em torno da modalidade, o profuso e entusiástico trabalho dado à estampa pelo nosso amigo Joaquim Macedo que poderá ser consultável no blogue QMRally, ou o belíssimo artigo da autoria do não menos amigo Pedro Branco, relativo à icónica edição da prova disputada em 1983, que poderá ser lido aqui.

Mas centremos as nossas atenções, para já, no vindouro Rali de Mortágua

de seguida damos à estampa todo um conjunto de imagens e informação que, esperamos, possam ajudar o caro leitor a compreender as vicissitudes e abrangência da prova. 

Neste trabalho encontram-se também contidos os mapas interativos (por nós elaborados) de todas as especiais que compõem o evento do Clube Automóvel do Centro, em função da informação que tem vindo a ser ventilada em alguma comunicação social e no próprio site do clube organizador. 

Afigura-se-nos que os mapas dos troços da Tojeira e Aguieira propostos pelo CAC (consultáveis aqui) estão em desconformidade com a quilometragem oficial aos mesmos atribuída, sobretudo no último dos exemplos em que a diferença se cifra, de acordo com a medição por nós realizada através da plataforma Google Earth, em cerca de 4,7 quilómetros. 

Pormenor seguramente a ser esclarecido nos próximos dias...

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 a) IMAGENS 

 b) INFORMAÇÃO SOBRE A PROVA 

Elegibilidade: Campeonato Nacional de Ralis e Campeonato FPAK Ralis Centro.
Parque de Assistência: Aeródromo de Mortágua.
Número de classificativas: Sete.
Extensão total da prova (indicada pela organização): 201,20 quilómetros.
Extensão total do percurso cronometrado (indicada pela organização): 102,96 quilómetros.
Número total de etapas: Uma.
Numero total de secções: Três.
Tipo de piso: Terra/gravilha (em Tojeira e Rigueiras haverá pequenos segmentos em asfalto).

 c) HORÁRIOS 

18 de Setembro de 2015
1.ª etapa – 1.ª secção

Classificativa: Superespecial de Mortágua.
Extensão: 1,85 quilómetros.
Horário: 20h:15m.

19 de setembro de 2015
1.ª etapa – 2.ª secção

Classificativa: Aguieira ‘1’.
Extensão: 23,20 quilómetros (anunciados).
Horário de partida do primeiro concorrente: 10h:15m.

Classificativa: Rigueiras ‘1’.
Extensão: 9,20 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 11h:13m.

Classificativa: Aguieira ‘2’.
Extensão: 23,20 quilómetros (anunciados).
Horário de partida do primeiro concorrente: 11h:56m.

19 de setembro de 2015
1.ª etapa – 3.ª secção

Classificativa: Tojeira ‘1’.
Extensão: 18,15 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 14h:23m.

Classificativa: Rigueiras ‘2’.
Extensão: 9,20 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 15h:01m.

Classificativa: Tojeira ‘2’.
Extensão: 18,15 quilómetros.
Horário de partida do primeiro concorrente: 16h:04m.

 d) MAPAS INTERATIVOS 


 SUPERESPECIAL 

 AGUIEIRA 

 RIGUEIRAS 

 TOJEIRA 

AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
- https://www.google.pt/search?q=Rali+de+Portugal+Mort%C3%A1gua&es_sm=122&biw=
1600&bih=805&tbm=isch&source=lnms&sa=X&ved=0CAgQ_AUoA2oVChMI0Ym
M86rTxwIVQdQeCh3qsQ6_#tbm=isch&q=Rali+de+Portugal+Mort%C3%A1gua+1999&imgrc=gsSZAU0QYFY3gM%3A
- http://www.panoramio.com/photo/117293043?source=wapi&referrer=kh.google.com
- http://www.panoramio.com/photo/108702755?source=wapi&referrer=kh.google.com