segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

P.E.C. Nº 343: Os Ralis portugueses em processo expansionista?


Na matriz genética dos nossos Ralis está inscrita, desde sempre, uma ideia de conservadorismo

A idiossincrasia da modalidade tem em Portugal relativamente poucos agentes, o meio é, portanto, relativamente pequeno, e quando assim é naturalmente instalam-se algumas rotinas, por definição pouco potenciadoras de mudança, muito menos de ruturas. 

Nas últimas semanas, duas notícias vindas a público deram-nos conta que algo de diferente pode estar a verificar-se nesta matéria. 

Por um lado, o protocolo edificado entre a FPAK e a RFEdA (a congénere espanhola), visando que os titulares de licenças desportivas emitidas em cada um dos países ibéricos possam competir sem constrangimentos em campeonatos disputados em qualquer dos dois lados da fronteira

Por outro, o anúncio do acordo celebrado entre a empresa Movielight (detentora dos diretos de imagem do campeonato nacional de Ralis) e o canal temático francês Motors TV, que contempla a transmissão na grelha de programas daquele espaço especializado em automobilismo (com ampla difusão na Europa), já em 2016, de resumos das oito provas que integram o calendário do CNR, além de uma resenha da temporada lá mais para o fecho do ano desportivo

Uma breve análise a ambas as matérias. 

i)

Nos últimos anos têm vindo a intensificar-se os contactos entre os Ralis de Espanha e de Portugal, talvez mais, nesta primeira fase, de lá para cá, que de aqui para lá

Desta dialética e de todo o conjunto de informação que vai sendo possível apurar quanto às realidades da modalidade em ambos os lados da fronteira, perceciona-se (finalmente) uma vontade mútua em incrementar laços permitindo que pilotos e equipas possam competir (e evoluir) em novos Ralis e competições no país que não é de origem o seu, no limite trabalhando-se para que a prazo possa surgir uma grande competição ibérica de Ralis, assim o dinheiro o queira e permita. 

De uma entidade federativa temos a imagem de que nas respetivas atribuições estão o dever de disciplinar, organizar e regulamentar

Como matriz comum a tais regras e acima de todas elas: simplificar

Nessa medida, o anunciado Schengen regulamentar entre as entidades máximas do desporto automóvel português e espanhol é de aplaudir fortemente, por permitir aos pilotos titulares de licenças desportivas de ambas as nações circularem livremente nos campeonatos do país vizinho. 

Trata-se de uma iniciativa que não colhe grande destaque mediático, mas que pode futuramente revestir-se de enorme importância para ajudar a combater alguma desertificação nas listas de inscritos ao nosso CNR, bem como estimular os nossos talentos a tomar contacto com novas realidades, processo fundamental para a respetiva evolução enquanto pilotos. 

ii)

Um dos grandes males apontados aos Ralis portugueses é a falta de promoção, sobretudo onde ela mais conta: as televisões, sobretudo as generalistas. 

Quando assim é, qualquer indicador de sinal contrário reforçando a presença da modalidade nos ecrãs só pode ser tido como positivo. 

Portugal tem ótimos Ralis, cheios de desafios e estruturalmente distintos entre si nas respetivas caraterísticas. 

Temos alguns dos melhores troços do mundo, nos quais, acreditamos, os pilotos de Ralis, portugueses ou estrangeiros, adoram (para quem já o fez) ou adorariam conduzir. 

Há por cá gente experiente e valorosa que sabe organizar provas com elevados padrões de qualidade, fazendo muito com poucos meios (esse eterno milagre luso…). 

O plantel de carros que compete no nosso CNR pede meças a qualquer dos campeonatos internos dos demais países da Europa. 

Os nossos pilotos e navegadores têm um nível considerável e se por vezes não elevam a fasquia comparativamente aos seus adversários internacionais é apenas e tão só por falta de oportunidades e não por falta de talento. 

E há, depois, a popularidade deste desporto, que em Portugal atinge patamares muito elevados, dificilmente alcançáveis nas demais competições internas disputadas nos quatro cantos do velho continente

Reunidos todos estes predicados, o CNR é, em suma, um produto vendável. 

Parece-nos, pois, extremamente salutar que se trabalhe para divulgá-lo além-fronteiras. 

O protocolo agora estabelecido entre Movielight e Motors TV (ao qual não será alheia, talvez, a influência discreta mas eficaz de Manuel Mello Breyner…) é, parece-nos, um abalo forte mais positivo na estrutura dos Ralis portugueses. 

Não só os pilotos portugueses têm agora ao dispor um novo elemento de promoção com o qual podem jogar para atrair patrocinadores (o que por si só é extremamente importante), como há um alargar de horizontes passível, o futuro o dirá, de seduzir pilotos e equipas estrangeiras para competir em Portugal. 

São os Ralis portugueses à procura da sua própria 'diáspora'

É a modalidade a procurar voar pelas próprias asas. 

A partir daqui, o CNR cresce significativamente em termos de mercado. 

Vê aumentar exponencialmente o número de pessoas que terão acesso a imagens e informação sobre a nossa maior competição dentro deste desporto. 

É uma mudança de paradigma através da qual todos os agentes direta ou indiretamente ligados à modalidade terão de aprender a ajustar-se, quem sabe um primeiro esboço para que em breve se possa debater, com dados concretos, coisas decisivas para a modalidade como, entre outras, o envolvimento oficial das marcas, um patrocinador de referência para o campeonato, ou o fornecedor único de pneus e/ou combustível aos intervenientes no nacional de Ralis...

ÅÆÅÆÅÆÅÆÅÆ

O LOGOTIPO QUE ABRE O PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDO EM:
-  http://www.thematv.com/medias/channels/motors-tv/Logo_MotorsTV_baseline_UK.jpg

Sem comentários:

Enviar um comentário