P.E.C. Nº 350: Já não se fazem Ralis como antigamente!




Vamos por esta altura com meio século volvido desde o início do campeonato nacional de Ralis. 

Ou seja: celebra-se por estes dias as bodas de ouro desde que a modalidade e a falta de dinheiro decidiram oficializar o enlace, aparentemente inquebrantável, que vêm mantendo juntas, 'a dois', nos últimos cinquenta anos. 

Os organizadores de provas não têm dinheiro

A entidade federativa não tem dinheiro (não obstante o trabalho sério que tem vindo a ser encetado nos últimos anos, sob a égide de Manuel de Mello Breyner, com vista a dotar a FPAK de equilíbrio e sustentabilidade financeira)

Os pilotos também não têm dinheiro

Muitos de facto não têm mesmo dinheiro

Outros têm algum dinheiro, mas não o suficiente para as necessidades (leia-se projetos competitivos, com ambição de resultados de relevo)

Alguns pensam que têm dinheiro, mas chegam depressa à conclusão que o dinheiro não estica até ao fim do mês (na modalidade, fim da temporada)

Vários vivem a crédito, na esperança que as artes do inexplicável lhes tragam dinheiro para se inscrever na prova seguinte. 

E outros há, em pequena minoria, que têm efetivamente dinheiro

Mas esqueçamos por momentos essa questão do dinheiro, até porque não temos especial vocação para Técnico Oficial de Contas

Imaginemos um Rali novo no CNR

Um Rali diferente. 

Disputado em grande parte dentro de terreno virgem em matéria de Ralis, e/ou em classificativas que há muito tempo não são afagadas pelos bólides deste desporto. 

Nada dessas coisas modernaças do sistema de rounds com passagens sucessivas pelas mesmas estradas. 

Um Rali em linha

À antiga

Traçado em especiais que os concorrentes não repetem. 

Um Rali para começar, por exemplo, ali pelas quatro da manhã, talvez numa noite estival com luar bem luzidio como pano de fundo, e os bólides, trajados a rigor para asfalto, envergando um irresistível e firme busto em forma de rampa de faróis. 

Um Rali para acabar, por exemplo, ali junto à hora do lanche, quanto o encerramento do prazer dos carros dá de seguida início aos prazeres da mesa. 

Um Rali a ser disputado, talvez, no mais admirável conjunto de estradas em Portugal que a modalidade não conhece mas devia conhecer

Um Rali pontuável em simultâneo para o CNR e campeonato de Espanha de Ralis em asfalto

Um Rali, continuando o presente exercício de imaginação, em que Manuel de Mello Breyner, na sequência da iniciativa mais que estimável de, enquanto piloto, disputar pelo menos um evento em todos os campeonatos oficiais de automobilismo em Portugal, assumia agora o desafio de ser Diretor de Prova para medir o alcance, a pressão, e a tremenda exigência inerente a tal função. 

E em que a responsabilidade pela segurança e operacionalidade de cada um dos troços fosse assegurada por clubes a quem não está confiada a organização de etapas do atual CNR, sinalizando-lhes desta forma confiança no respetivo trabalho. 

Paisagens fabulosas e estradas extremamente sinuosas, exigindo apurada condução, fariam deste Rali um sucesso tremendo, após o respetivo rescaldo. 

Os pilotos seriam unânimes em aplaudir a excelência dos troços e o esquema competitivo escolhido pela organização. 

A aposta para o ano seguinte seria candidatar o evento a uma das etapas do Campeonato da Europa, com recurso a estas e outras estradas na mesmíssima região igualmente interessantes e passíveis de possibilitar excelentes classificativas, e/ou ao anunciado novo campeonato do mundo de Ralis-GT que de antemão se adivinhava repleto de interesse, dada a aposta da esmagadora maioria das marcas construtoras de carros GT3 em se envolver direta e oficialmente na modalidade. 

Após a prova, que teve muitos adeptos, portugueses e espanhóis, ao longo das especiais, o ambiente era de festa. 

Após uma barrigada de emoções durante a madrugada e boa parte do dia, a multidão rumava agora às barrigadas gastronómicas da região. 

Um Rali desenhado dentro do triângulo constituído pelo incontornável leitão da Bairrada, a indispensável vitela de Lafões, ou o supimpa cabrito do Caramulo, tem tudo para ser um sucesso de popularidade. 

Uma prova disputada na interseção entre os grandes vinhos da Bairrada (que está longe de ser um mero local de frisantes sofríveis para acompanhar pequenos bácoros assados) e os néctares cheios de magnetismo da zona do Dão, necessariamente tem de arrastar consigo muitos milhares de adeptos de Ralis. 

A proposta, ‘diferente’, fica já de seguida à consideração do caro visitante deste espaço, mas não dispensa uma visita, em jeito de passeio, ao coração da Serra do Caramulo e às estradas que identificamos, região de pequenas aldeias históricas cravadas nas gargantas dos montes, cursos de água de beleza enorme, genuíno modo de vida campestre, gente afável, o verde da natureza (não obstante os dramáticos incêndios em 2013), e, claro, toda uma tradição de boa mesa praticamente imperdível, tudo ali mesmo ao lado da autoestrada que faz a ligação entre as duas maiores cidades do país.

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 a) INFORMAÇÃO GERAL 

Designação: ‘Criterium Caramulo Rallye'.
Elegibilidade: Campeonato Nacional de Ralis e Campeonato de Espanha de Ralis em asfalto.
Piso: Asfalto.
Dias de prova: Um.
Etapas: Uma.
Secções: Três.
Quilometragem total do Rali: 265 quilómetros.
Quilometragem total das classificativas: 130,2 quilómetros (correspondentes a 49,13% da quilometragem total do Rali).
Centro nevrálgico/Parque de assistência: Zona Industrial de Campia, Vouzela.

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 b) ESQUEMA DA PROVA 

1.ª etapa || 1.ª secção

- Partida do parque de assistência (junto à Zona Industrial de Campia, Vouzela): 0 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 1 (extensão: 11,7 kms): + 11,7 kms;
- P.E.C. n.º 1 ‘Braçal’  (extensão: 9,6 kms): + 21,3 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 2 (extensão: 9,6 kms): + 30,9 kms;
- P.E.C. n.º 2 ‘Préstimo’  (extensão: 27,6 kms): + 58,5 kms;
- Percurso de ligação até ao parque de assistência (extensão: 22,3 kms): + 80,8 kms.

1.ª etapa || 2.ª secção

- Partida do parque de assistência (junto à Zona Industrial de Campia, Vouzela): 80,8 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 3 (extensão: 17,8 kms): + 98,6 kms;
- P.E.C. n.º 3 ‘Senhora do Castelo’  (extensão: 13,3 kms): + 111,9 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 4 (extensão: 0,3 kms): + 112,2 kms;
- P.E.C. n.º 4 ‘Joana Martins’  (extensão: 8,5 kms): + 120,7 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 5 (extensão: 14,5 kms): + 135,2 kms;
- P.E.C. n.º 5 ‘Muna’  (extensão: 9,0 kms): + 144,2 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 6 (extensão: 5,4 kms): + 149,6 kms;
- P.E.C. n.º 6 ‘Almofala’  (extensão: 20,8 kms): + 170,4 kms
- Percurso de ligação até ao parque de assistência (extensão: 19,2 kms): + 189,6 kms.

1.ª etapa || 3.ª secção

- Partida do parque de assistência (junto à Zona Industrial de Campia, Vouzela): 189,6 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 7 (extensão: 14,8 kms): + 204,4 kms;
- P.E.C. n.º 7 ‘Rio Alfusqueiro’  (extensão: 22,7 kms): + 227,1 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C. n.º 8 (extensão: 3,3 kms): + 230,4 kms;
- P.E.C. n.º 8 ‘Rio Águeda’  (extensão: 18,7 kms): + 249,1 kms;
- Percurso de ligação até ao parque de assistência (extensão: 15,9 kms): + 265,0 kms.

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 c) MAPAS INTERATIVOS 

 BRAÇAL 

- 9,6 quilómetros -


 PRÉSTIMO 

- 27,6 quilómetros -


 SENHORA DO CASTELO 
- 13,3 quilómetros -


 JOANA MARTINS 
- 8,5 quilómetros -


 MUNA 
- 9,0 quilómetros -

 ALMOFALA 
- 20,8 quilómetros -

 RIO ALFUSQUEIRO 
- 22,7 quilómetros -

 RIO ÁGUEDA 
- 18,7 quilómetros -


 d) FOTOS DE DIVERSOS LOCAIS DOS TROÇOS ACIMA DESENHADOS 




























A FOTO QUE ABRE O PRESENTE TRABALHO, ALUSIVA A CARROS E O CARAMULO, FOI OBTIDA EM:
- https://autoandrive.files.wordpress.com/2011/07/1284072716u0aah4qh3oo60ix61.jpg

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