P.E.C. Nº 356: Rali de Portugal/2016, 'Viana do Castelo 1'


Fazer um balanço pessoal sobre a pretérita edição do Rali de Portugal, passa invariavelmente, ano após ano, por incluirmos numa mesma (impossível?) equação números, emoçõesmemórias

Sabemos, por exemplo, que neste ano de dois mil e dezasseis averbamos 1089 quilómetros em viatura de aluguer durante três dias para seguir as peripécias da prova. 

Estão devidamente contabilizadas no contexto do evento despesas inevitáveis como custos com combustível, portagens ou refeições. 

Mas quanto vale uma mera dúzia de segundos (por vezes até menos) a cada dois minutos a ver passar carros (a cada ano mais velozes) sensacionais, verdadeiras peças de fina relojoaria para Ralis? 

Será mensurável a satisfação de comparar, ao alcance do olhar, estilos de condução dos melhores pilotos do mundo? 

Quanto não significa um ato tão simples como, após uma caminhada de vários quilómetros em direção ao troço debaixo de um sol vigoroso, poder tragar de um só gole uma (bom: às vezes mais que uma…) cerveja gelada? 

E os amigos? 

Quanto vale uma boa e descontraída conversa com os amigos que fomos granjeando nestas andanças, ou as palavras que se trocam com pessoas que se vão conhecendo pelas classificativas deste nosso Portugal? 

Ou, como sucedeu há uma semana atrás, será quantificável o enorme prazer da descoberta, quando, no terceiro dia de Rali, não só de carro mas também a pé, nos embrenhámos nas profundezas do Marão em pleno trajeto de parte do mítico troço com o mesmo nome das décadas de setenta e oitenta, naqueles anos em que a homérica sequência Cabreira-Senhora da Graça-Marão se assumia como o Fado, Futebol e Fátima do melhor Rali do Mundo? 

Cumprindo em 2016 a bonita e respeitável idade de cinquenta primaveras, o Rali de Portugal continua a ter a capacidade de surpreender e devolver-nos ao profundo apreço que nutrimos pelos carros e pelas corridas. 

Mesmo quando, enquanto aficionados da prova e adeptos da modalidade, sentimos na pele e em discurso direto a atitude esquizofrénica com que a organização encara o público que se desloca aos troços

Mas das tiradas para a imprensa mais ou menos inflamadas do sr. Barbosa, ou do seguidismo delicodoce de Pedro de Almeida à narrativa do Todt e da Mouton, não reza a nossa história pessoal após cada Rali de Portugal. 

O que fica são os momentos expressos em números, emoções e memórias, em dias que inevitavelmente são sob um prisma pessoal muito felizes (ser feliz, esse luxo mundano dos tempos de hoje...) e revigorantes. 

Ou, para memória futura, partilhados neste e nos próximos trabalhos, alguns flashes em forma de filme que fomos colhendo durante a edição do Rali de Portugal terminada há alguns dias.

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 SÉBASTIEN OGIER / JULIEN INGRASSIA  - Volkswagen Polo R WRC

 HAYDEN PADDON / JOHN KENNARD  - Kyundai New Generation i20 WRC

 MADS OSTBERG / OLA FLOENE  - Ford Fiesta RS WRC

 ANDREAS MIKKELSEN / ANDERS JAEGER  - Volkswagen Polo R WRC

 DANI SORDO / MARC MARTI  - Hyundai New Generation i20 WRC

 JARI-MATTI LATVALA / MIIKKA ANTTILA  - Volkswagen Polo R WRC

 OTT TANAK / RAIGO MOLDER  - Ford Fiesta RS WRC

 THIERRY NEUVILLE / NICOLAS GILSOUL  - Hyundai New Generation i20 WRC

 STÉPHANE LEVEBVRE / GABIN MOUREAU  - Citroen DS3 WRC

 HENNING SOLBERG / ILKA MINOR  - Ford Fiesta RS WRC

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