segunda-feira, 11 de julho de 2016

P.E.C. Nº 366: Ralis do WRC. Há os 'filhos' e os 'enteados'. Portugal é o 'bastardo'...


Temos por hábito, nos dias que se sucedem a qualquer Rali do campeonato mundial, navegar um pouco pela internet, sobretudo pelo Youtube, à procura de vídeos que ajudem a compreender a forma como as provas se foram desenrolando. 

São imagens que fornecem uma perceção complementar relativamente aos resumos oficiais, e constituem, por isso mesmo, uma ferramenta útil para sedimentarmos a nossa própria opinião sobre a evolução do WRC em cada temporada. 

No pretérito Rali da Polónia repetimos tal exercício. 

Olhámos com atenção cada segundo das compilações de imagens que partilhamos mais abaixo com o caro amigo visitante deste espaço. 

Em matéria de segurança o que se vê em diversos momentos não é bonito. 

O cardápio de público mal colocado nas classificativas polacas é completo e variado, algo que, sublinhe-se, já vem de anos anteriores. 

Ele é público a um palmo (ou nem isso…) da beira da estrada em zonas onde os carros aterram após um longo salto a alta velocidade. 

Ele são espetadores colocados na saída de curvas feitas em alta velocidade e atrás de fitas vermelhas, presume-se as homólogas no país do Kajetanowicz e do Kubica das conhecidas ‘no go areas’ do Rali de Portugal

Ele é público a deambular tranquilamente nas bermas dos troços, em zonas com sequências de curvas rapidíssimas onde qualquer saída de estrada pode fazer catapultar os carros dezenas de metros para fora da estrada. 

E porque também se trata de segurança, sobretudo a dos concorrentes, relembrar também as críticas provindas de alguns quadrantes a insurgir-se quanto a alterações nas classificativas após a recolha de notas no período de reconhecimentos.

A tudo isto, dentro da FIA, a entidade primeira a quem incumbe o pelouro da segurança nas provas mundialistas tem respondido com desarmante… silêncio. 

Talvez, admitimos, para não se prestar a esse profundo aborrecimento que é escrutinar devidamente o comportamento do público nesta etapa polaca do WRC

Este trabalho não é, sublinhamos, nenhum libelo acusatório contra o Rali da Polónia

O que se vê quanto aos assuntos de (in)segurança no país do antigo Bloco de Leste, também se vê, infelizmente, noutros quadrantes e em outros eventos integrados no campeonato do mundo da modalidade. 

O que se pretende salientar é que problemas que qualquer adepto pode constatar ao alcance de um simples clique no computador, ou num mero toque de ecrã nas aplicações móveis, parece não merecer da entidade a quem incumbe ao mais alto nível o dossiê da segurança qualquer reparo, muito menos qualquer crítica, e nem pensar qualquer exigência. 

O Rali de Portugal nesta matéria parece estar noutro planeta, sendo tratado há muitos anos, mas sobretudo desde que rumou ao Norte do país em 2015, como uma espécie de ser alienígena que não se conhece muito bem e sobre o qual se tem de estar sempre com redobrada atenção. 

A ideia que tem vindo a ser construída é que o único problema do Rali de Portugal é o público. 

o público. 

Unicamente o público. 

É uma narrativa obsessiva, quase doentia, que a dona Mouton e o senhor Barbosa (principalmente este) vão urdindo em torno dos espetadores da prova, tratando-os como presumíveis inimputáveis a quem por tal facto convém condicionar ao máximo a liberdade. 

Com rédea solta, os portugueses (como se ao Rali de Portugal apenas fossem portugueses…) são na visão do senhor Barbosa um bando de anormais transformados num sério contratempo, sempre prontos, vá, a lançar-se alucinadamente para cima de um carro ou a transformarem os troços antes da passagem dos bólides em algo parecido a um campo de batalha ali algures pelas bandas de Cabul. 

Por isso mesmo têm de ser encaminhados para as famosas Zonas-Espetáculo, essa invenção tão boa e genial (que, note-se, entendemos ter aspetos positivos) que existe há tantos anos e praticamente ninguém alguma vez quis copiar. 

O rebanho é sempre mais facilmente controlável quando está guardado em espaço fechado. 

Ou, como nos sucedeu este ano na prova, ser confrontados com um Marshall que nos transmitiu estarmos num local «completamente em segurança, aliás tão ou mais seguros que na zona de público que fica ali a duzentos metros, mas que não podíamos estar em tal sítio (nota: onde já nos encontrávamos há cerca de 45 minutos, sempre ao pé de um polícia com quem até fomos conversando de molde a colher sugestões onde nos posicionarmos sem problemas, ainda que estivéssemos cerca de cinco metros elevados em relação ao troço e outros cinco para dentro da berma, numa zona lentíssima onde os automóveis rodam a baixa velocidade…), mesmo que na presença de um elemento das forças policiais, porque a Mouton e os observadores da FIA iriam passar dentro de minutos, podiam ver-nos e o troço ser por isso cancelado, ainda que no mesmíssimo local tivessem estado algumas dezenas de pessoas em 2015, então com dois elementos das forças policiais por perto, e não tenha havido rigorosamente nenhuns problemas»

Tal experiência foi, percebemos hoje, volvidas várias semanas, interessante e pedagógica. 

Após trinta anos nestas andanças, compreendemos verdadeiramente o grau de paranoia que tomou conta da organização do Rali de Portugal no controle do público, e a perda de inocência da prova (e por arrasto do seu carisma) quando comparada com as edições disputadas até 2001. 

Claro que tem de haver diligências e prevenção para que o público não faça simplesmente o que quer e lhe apetece. 

Muitos milhares de pessoas não podem estar em locais onde façam perigar a sua integridade física ou a dos concorrentes. 

Não podem em Portugal. 

Na Polónia e nas demais ‘Polónias’ do mundial de Ralis pelos vistos até podem. 

Ou se não podem, faz-se vista grossa e não se fala mais nisso. 

Em Portugal relativamente à segurança as palavras fazem mais rotações e ruído que o motor de um WRC

Na(s) Polónia(s) relativamente à segurança as palavras fazem menos decibéis que um qualquer Nissan Leaf a rodar no centro do Porto ou de Lisboa. 

Dá-se o caso, de certeza por mera coincidência, que a entidade mais palavrosa a arrostar um labéu de indisciplina contra o público português seja português. 

Maior coincidência ainda: a entidade responsável pela segurança dos Ralis debaixo da alçada da FIA, que se cala invariavelmente perante o que sucede na Polónia, em Monte Carlo ou na Argentina (citados a título meramente exemplificativo) é o mesmo português citado no parágrafo anterior. 

Sim, trata-se de uma única pessoa: Carlos Barbosa

Alguém a quem reconhecemos mérito em diversos planos, mas infelizmente de uma (literalmente) gritante demagogia e com duas faces na abordagem ao mesmo problema, consoante se trate do Rali de Portugal ou de qualquer uma outras das etapas do campeonato do mundo de Ralis.      
ûûûûûûûûûû
































AS FOTOS PRESENTES NESTE TRABALHO FORAM OBTIDAS EM:
https://usatftw.files.wordpress.com/2015/10/rally.gif?w=1000
https://i.ytimg.com/vi/PpX1OkfmN3I/maxresdefault.jpg

1 comentário:

  1. Acabei por não perceber: afinal quem é que está certo? A organização Portuguesa por não querer dar argumentos a ninguém para ficar sem prova a contar para o WRC, ou os polacos, em que vale tudo e um par de botas?

    ResponderEliminar