P.E.C. Nº 378: Rali Casino Espinho. Mapas e horários...


O truque é velho, mas surpreende sempre o espetador.

Mete-se uma pomba na cartola, distrai-se por uns instantes a audiência teatralizando-se uns passes de varinha mágica, e eis que, voilá, segundos depois saca-se um fofinho coelhito branco para exibir à plateia.

uns tempos Manuel de Mello Breyner, qual Luís de Matos ou Hélder Guimarães, vestiu o fraque preto e decidiu também dedicar-se às artes do ilusionismo.

O truque foi sensacional e deixou a comunidade de Ralis em Portugal verdadeiramente boquiaberta (à exceção, claro está, dos que conhecem bem os meandros através dos quais se realizam estas verdadeiras operações de prestidigitação dentro da modalidade…): meteu-se na cartola um Rali regulamentado para ser disputado em terra e, meses depois, quase de supetão, eis que se sacou do chapéu a mesma prova mas agora na pele de um Rali em asfalto.

Pura magia!

Chegamos assim, neste enquadramento repleto de surpresas (ou nem tanto…) ao Rali Casino Espinho, a disputar no fim-de-semana de 15 e 16 de outubro.

Relativamente ao esquema da prova, que aprofundamos mais abaixo neste trabalho, sublinha-se pela positiva o facto de introduzir um fator de alguma novidade no contexto dos Ralis nacionais.

Tal intuito é meritório.

Não só por trazer novos desafios aos concorrentes, que desta forma se deparam com estradas na sua maioria desconhecidas (esperamos, ainda não suficientemente “decoradas” na altura em que redigimos estas linhas…) do pelotão do CNR, mas também por recuperar uma região com muitas tradições na modalidade e potenciadora de proporcionar um Rali competitivo e bem disputado.

Algumas notas, necessariamente breves, sobre este Rali, penúltima etapa do CNR/2016, que pode vir a tornar-se decisivo na atribuição de alguns dos títulos em disputa.

Saudar, por um lado, a escolha da Gaia Street Stage (ver detalhadamente o respetivo trajeto infra) para dar início às hostilidades.

O traçado escolhido, sobretudo na fase inicial em que se sobe a partir do molhe do Douro por vielas estreitas e sinuosas da Gaia antiga é muito bom, seja do ponto de vista dos aficionados (os que estarão a ver o troço no local e os que o irão ver através das televisões, em direto ou posteriormente em resumo), seja, pensamos, na ótica dos pilotos e navegadores.

A ideia de promover, muitos anos depois, um reencontro espiritual entre os Ralis e o Vinho do Porto (a classificativa bate à porta de várias das casas produtoras do precioso néctar, uma das mais admiráveis marcas distintivas do nosso país no exterior) é particularmente entusiasmante e será, pensamos, um bom ponto de partida para ajudar a promover o Rali Casino Espinho.

O problema é que, como ensina a sabedoria popular, não há bela sem senão.

A prova do Targa Clube, cujo centro nevrálgico se situa no Europarque em Santa Maria da Feira (dificilmente poderia haver melhor localização e condições de trabalho para organizadores, equipas, pilotos e imprensa) vai ter uma extensão total de 387,45 quilómetros (107,64 quilómetros cronometrados incluídos).

A título de comparação com a etapa antecedente do campeonato, o Rali de Mortágua, atente-se que a prova do Clube Automóvel do Centro teve um total de 201,20 quilómetros (102,96 quilómetros de percurso seletivo), e que o evento do Targa quase duplica essa extensão.

Parece-nos de duvidosa razoabilidade que uma prova pontuável para o nacional de Ralis tenha, só ela, uma distância em tudo idêntica aos quilómetros que separam Lisboa de Viana do Castelo.

Deve algo à lógica e às necessidades de emagrecimento das nossas provas (à luz dos espartanos, às vezes quase anoréticos, orçamentos da maioria dos respetivos inscritos), o facto de um Rali ter mais de 70% do seu percurso constituído por ligações entre classificativas.

Achamos ótimo que dentro de semana e meia os pilotos inscritos no Rali Casino Espinho possam fazer um passeio abrangente e prolongado por uma vasta área do nosso país.

Um guia completo do distrito de Aveiro a nível turístico, aliás, dificilmente proporia coisa melhor.

Começa-se o roteiro em Santa Maria da Feira (uma visita ao esplendoroso castelo daquela cidade justificava-se em pleno…), segue-se depois rumo à zona costeira para passagem pela aprazível cidade de Espinho, inflete-se a norte, já no distrito do Porto, para uma visita mais ou menos imprescindível a esses prodígios de história e cultura que dão pelo nome de Caves do Vinho do Porto, desce-se geograficamente de novo a Santa Maria da Feira, e depois, sempre a rumar para sul no território, dá-se uma guinada ao interior do país profundo até paisagens mais montanhosas, visitando-se os concelhos de Vale de Cambra. Oliveira de Azeméis e Sever do Vouga, ali pelas imediações da Serra da Freita.

Um passeio e peras, ou se quisermos, já que estamos a tratar de Sever do Vouga, um verdadeiro passeio e mirtilos.

Todos estes trajetos mais ou menos longos que os concorrentes vão cumprindo nos Ralis nacionais, são decorrência de algo que para nós fica bem claro.

As organizações das provas dependem em grande medida financeiramente das edilidades para colocar na estrada os seus eventos.

Logo, para quê ter o apoio ‘apenas’ de dois ou três municípios, quando pode-se obtê-lo em maior escala junto de quatro ou cinco?

O raciocínio, que apresentamos de forma simplista, é o corolário de um certo caminho que algumas das provas do CNR de há uns tempos para cá vão procurando silenciosamente cumprir.

Mais uma Superespecial aqui, mais um troço acolá (ainda que desprovidos de interesse desportivo ou sem grande abrangência no plano mediático), vão no futuro ou já estão no presente a fazer ‘engordar’ um pouco alguns dos Ralis do campeonato nacional, aumentando-lhes o percurso a bem do financiamento e sustentabilidade contabilística de quem os organiza.

Nada de especialmente proibitivo decorre de tal facto.

A questão que se coloca é saber-se que a fatura a acrescer ao acumular de quilómetros, ainda que em percurso de ligação, recai invariavelmente nos orçamentos dos pilotos, por tradição e na grande maioria dos casos a competir com os tostões contados em cada prova.

Quando os pilotos portugueses, considerados no seu conjunto, se demitem de manter a sua associação representativa ativa, desistem de intervir nos assuntos da modalidade e não procuram influir nos assuntos que lhes dizem diretamente respeito, devem ter a perceção que a modalidade irá de forma progressiva acentuar o plano inclinado contra os seus interesses e necessidades.

Quatrocentos quilómetros para completar uma prova interna são um sintoma disso mesmo.

Centenas de euros a ser despendidos adicionalmente em combustível (talvez transformados em milhares no final de cada ano desportivo), em troços ou ligações, que, sobretudo a partir da segunda metade do pelotão, não têm o correspondente retorno mediático para quem patrocina os concorrentes, é dinheiro mal empregue e (mais) uma facada na tentativa de chamar mais gente a este desporto.

Escritas todas estas considerações, não pretendemos alongarmo-nos muito mais em torno da questão.

Resta-nos desejar a todos os inscritos que consigam alcançar um belíssimo Rali Casino Espinho em termos competitivos, e em simultâneo formulamos votos de que seja uma bela passeata a que vão realizar pelos mais diversos recantos de terras entre Douro e Vouga.

Lembramos apenas que nesta nossa modalidade, quem passeia, ainda que o passeio seja forçado e de discutível interesse, paga.

Para este passeio de 15 e 16 de outubro, já agora, toda a minha gente deverá à cautela levar impermeáveis para se resguardar, e uns botins para calçar aos bólides se necessário: há forte possibilidade de chuva para a região onde o Rali se disputará.

----------     ----------     ----------     ----------     ----------

 a) HORÁRIOS E ESQUEMA DA PROVA 

Sábado, 15 de outubro

- 16h:00m - Partida do Europarque, Santa Maria da Feira;
- 16h:03m - Parque de Assistência no Europarque, Santa Maria da Feira;
- 16h:30m - Pódio situado junto à alameda frontal do Casino de Espinho, Espinho;
- 18h:25m - Reagrupamento dos concorrentes junto ao Cais de Gaia, Gaia;
- 19h:20m - 'GAIA STREET STAGE 1';
- 19h:41m - 'GAIA STREET STAGE 2';
- 20h:26m - Reagrupamento dos concorrentes em Santa Maria da Feira;
- 21h:00m - 'SANTA MARIA DA FEIRA' (Superespecial);
- 22h:00m - Parque fechado no Europarque, Santa Maria da Feira. 

Domingo, 16 de outubro

- 09h:00m - Partida do Europarque, Santa Maria da Feira;
- 09h:02m - Parque de Assistência no Europarque, Santa Maria da Feira;
- 10h:00m - 'FERREIRA DE CASTRO 1';
- 10h:25m - 'BURGÃES 1';
- 10h:55m - 'ARESTAL 1';
- 11h:50m - 'RIO CAIMA 1';
- 12h:57m - Reagrupamento dos concorrentes em Santa Maria da Feira;
- 14h:40m - 'FERREIRA DE CASTRO 2'
- 15h:05m - 'BURGÃES 2';
- 15h:35m - 'ARESTAL 2';
- 16h:30m - 'RIO CAIMA 2';
- 18h:30m - Pódio final situado junto à alameda frontal do Casino de Espinho, Espinho.

 b) MAPAS INTERATIVOS 

 GAIA STREET STAGE - 3,62 quilómetros - 

 SANTA MARIA DA FEIRA - 1,62 quilómetros - 

 FERREIRA DE CASTRO - 8,10 quilómetros - 

 BURGÃES - 11,00 quilómetros - 

 ARESTAL - 16,74 quilómetros - 

 RIO CAIMA  - 14,23 quilómetros - 

 RALI CASINO ESPINHO, 2016  (exceto Superespeciais)

A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.ralis.fpak.pt/rally/noticias/2016/rali-casino-espinho-esta-volta-ao-nacional-ralis-0

Comentários

  1. Grande parte do Troço "Rio Caima", nomeadamente a partida, é no concelho de Albergaria-a-Velha, e lado algum na net, esta realidade é mencionada. Lamentável lacuna

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Nuno.
      Não sendo nós originários da zona onde o Rali se disputa, e dado os nossos conhecimentos sobre as zonas limítrofes de muitos dos concelhos deste nosso Portugal ser imprecisa, compreenderá que desconhecíamos a informação que agora nos fornece (e que agradecemos bastante).
      Repare que o 'Rio Caima' começa mesmo ao pé do local onde em 1994 terminou a versão do 'Sever do Vouga' em asfalto no Rali de Portugal, e já nem na altura a classificativa se chamou, por exemplo, 'Sever-Albergaria'.
      Atribuímos o 'esquecimento' generalizado de Albergaria como um dos concelhos onde a prova passa, pelo facto, presumimos, de tal edilidade não apoiar financeiramente a prova.
      Em todo o caso, do ponto de vista geográfico de facto o 'Casino Espinho' percorre em troço parte do território autárquico de Albergaria, e o aditamento à nossa informação anterior, portanto, aqui fica. Muito obrigado!

      Eliminar

Enviar um comentário