P.E.C. Nº 383: Breyner, temos um problema...


Em termos mediáticos um ano é uma eternidade. 

Nestes tempos em que, como se costuma dizer, a ficção ultrapassou a realidade, as notícias vão-se consumindo freneticamente e em série, género linha de montagem, através do jornalismo em tempo real

O quê, o quem, o onde e o quando terminam hoje com o escrutínio mais ou menos implacável da tecla delete, onde antes maturavam sob a proteção pedagógica do ponto final

A ideia foi ultrapassada (provavelmente em excesso de velocidade…) pelo byte

A notícia gira em alta-rotação

Tudo é volátil e cai rapidamente no esquecimento individual e coletivo. 

No final de setembro de 2015, após recomendação da FIA para o efeito, a FPAK indigitou três distintos cavalheiros para constituírem um grupo de trabalho, tendente a, em linhas gerais, «inspecionar e verificar antecipadamente as condições de segurança de provas que se realizem em estrada, essencialmente Ralis e rampas»

As personalidades às quais o órgão máximo do desporto automóvel nacional confiou tal incumbência foram, relembre-se, Ni Amorim, Carlos Mateus e Fernando Prata


A segurança, quer de quem compete, quer de quem assiste aos Ralis à beira das classificativas, é um pilar fundamental para a credibilização e crescimento da modalidade. 

Não gostamos dos Ralis serem notícia na comunicação social generalista por motivos extradesportivos. 

A este desporto não interessa promover-se à base de acidentes aparatosos com feridos ou, no limite, óbitos a lamentar. 

Daí que o investimento no incremento dos níveis de segurança valha a pena. 

E seja sempre de aplaudir. 

uns dias, após uma saída de estrada de Elias Barros no recente Rali Casinos do Algarve que causou algumas escoriações e hematomas a elementos do público presente na prova (aliás, muito mal colocado, deva-se sublinhar), fomos à procura daquilo que escrevemos há um ano sobre a constituição deste grupo de trabalho

Mas, mais importante, tentámos perceber o que nesta área foi feito desde setembro do ano passado até ao momento presente. 

Quando o assunto é transparência, é de lei que os Ralis nacionais nos preguem algumas travessuras

Gostam de jogar às escondidas, camuflando assuntos que dentro de padrões mínimos de lisura de procedimentos deviam ser conhecidos por todos. 

Dentro do lote de pesquisas que encetámos sobre a atividade do grupo de trabalho constituído por Amorim, Mateus e Prata, não conseguimos encontrar uma vírgula quanto às questões de segurança nos Ralis que tenha sido produzida por eles, individualmente ou em conjunto, durante todos estes meses. 

Contactámos, à procura de informação, algumas pessoas influentes e ligadas à organização de Ralis em Portugal. 

Todas elas foram unânimes em referir desconhecer quaisquer sugestões ou diretivas que os citados cavalheiros tivessem emanado em matéria de segurança de concorrentes e público. 

Foi-nos aliás referido mais: não consta que no ultimo ano tivessem comparecido nos parques de assistência e/ou secretariados de prova dos Ralis onde esses nossos contactos trabalharam, algo que acaba por ser natural, uma vez que nos parques de assistência circulam, como se sabe, muitas pessoas, pelo que possivelmente Amorim, Mateus e Prata estiveram lá mas passaram despercebidos no meio da multidão. 

Ou então, hipótese não despicienda, Ni, Carlos e Fernando estiveram presentes em muitos Ralis, mas, por absoluta coincidência, não se deslocaram precisamente àqueles onde se encontravam as já referidas pessoas com quem contactámos. 

Se fossemos (que não somos…) dados a teorias da conspiração, até podíamos alimentar desde já algumas desconfianças. 

Sugerindo, por exemplo, que os três membros de tal grupo de trabalho simplesmente não mostraram atividade visível no âmbito da missão que lhes foi confiada. 

Que os seus nomes foram trazidos a terreiro apenas para mostrar, de forma mais aparente que real, que a FPAK dá resposta e vai de encontro às recomendações da FIA

Não queremos acreditar nisso. 

A confirmar-se que após aceitarem a incumbência não tinham produzido algo de concreto em benefício da segurança nos Ralis, as respetivas reputações cairiam nas ruas da amargura. 

A confiabilidade das opiniões que doravante emitissem em matéria de automobilismo entraria de imediato em aparatoso capotamento

Numa pretensa candidatura de Ni Amorim à Presidência da FPAK no ato eleitoral do próximo ano, quem levaria a sério os seus intentos? 

Que credibilidade teria o seu programa de governo

Porque não entramos nesse género de cogitações, acreditamos, portanto, que o grupo de trabalho constituído no outono de 2015 desenvolveu atividade intensa e profícua. 

Não são conhecidos do grande público, é certo, os respetivos resultados. 

Mas de certeza existem, ainda que nalgum gavetão da Rua Fernando Namora. 

É precisamente aqui, no facto de não ser possível escrutinar publicamente a atividade deste grupo de trabalho por se desconhecer por completo as tarefas que terá desenvolvido, que entra em liça Manuel Mello Breyner

O atual Presidente da entidade federativa pegou em 2013 num barco tormentoso. 

Conseguiu, ao longo do mandato, resultados positivos nalgumas áreas. 

Noutras, nem tanto. 

Até aqui, tudo normal. 

No entanto se há pecado mortal que Breyner carrega às costas é a opacidade que, volvidos mais de três anos, ainda tolda muita da atividade da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting

Seria especialmente grave se, para ficar bem na fotografia perante o exterior (onde é que teremos já visto e ouvido estas palavras…), designadamente perante Todt e Mouton, se ensaiasse uma instrumentalização de um tema tão decisivo e sensível como a segurança nos Ralis, criando um grupo de trabalho apenas como forma de deixar o decurso de tempo esvaziar mediaticamente a questão.

Breyner deve, por isso, explicações. 

Porque é que as observações, sugestões, relatórios (chame-se-lhe o que se quiser…) produzidos em cada Rali por Amorim, Mateus e Prata não foram revelados publicamente, até como pedagogia ou consulta para outros eventos em que questões similares no plano da segurança se pudessem colocar. 

A partir do momento em que Breyner investiu, do ponto de vista formal e institucional, este grupo de trabalho, ficou indelevelmente conectado com o que de bom ou de mau (ou de nada…) o mesmo produziu. 

Nessa medida também deve explicações. 

O problema é que os Ralis nacionais em matéria de explicações, tal como nos assuntos da transparência, gostam muito ou até demasiado de jogar às escondidas

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A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://files.rallye-casino-espinho.webnode.pt/200000024-60152610ec/700/seguranca.jpg

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