segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

P.E.C. Nº 388: Começou 'oficialmente' a corrida às eleições na FPAK...


A FPAK fez saber recentemente as datas do calendário do CNR para 2017. 

Várias notas há desde já a reter para o efeito. 

A primeira delas, a confirmar-se o preenchimento de todas as datas agora pré-definidas, é o aumento de oito para nove etapas na competição mais importante de Ralis em Portugal. 

O campeonato iniciar-se-á na próxima temporada mais cedo, em meados de fevereiro. 

O Rali de Portugal fica, para já, de fora. 

Porém, há quem ventile a forte possibilidade de já em 2017 poder vir de novo a integrar o elenco de provas pontuáveis para o campeonato nacional, embora se desconheça em que moldes. 

Os concorrentes terão que disputar a prova na totalidade (o que equivalerá só por si em termos de extensão total, cronometrada e em ligações, a quatro ou cinco ‘normais’ Ralis do CNR, sem esquecer os custos adicionais com logística e consumíveis para o automóvel)

Apenas disputarão uma das etapas? 

E em que posição de partida? 

A seguir a todo o pelotão internacional de R5, R3 e R2, i.e., diversas horas após a passagem dos primeiros na estrada e, portanto, já com bastante menos público nas classificativas e sem perspetivas de figurarem nos diretos das televisões? 

Será ensaiada uma solução criativa como a verificada nos Açores em 2014, subvertendo por completo o princípio sagrado de permitir aos inscritos no CNR, tanto quanto possível, tendencial igualdade de circunstâncias na passagem pelos troços? 

Aguardemos que estas interrogações se clarifiquem. 

E que o Rali de Portugal seja, como vai ser (pelos motivos que desenvolveremos infra), integrado no Campeonato Nacional de Ralis. 

Antecipar-se em cerca de três/quatro semanas o início da competição máxima da modalidade no nosso país parece-nos... ousado. 

Um dos desafios que a grande maioria dos projetos para fazer Ralis enfrenta em cada ano, é garantir atempadamente apoios financeiros. 

Sabe-se que os pilotos batem a muitas portas. 

Definem com antecedência objetivos e colocam-se desde logo no terreno à procura de patrocínios. 

O problema, que a prática, aliás, há muito demonstra, é que as respostas chegam (nos casos, poucos, em que chegam) tarde, havendo com frequência necessidade de refazer planos e reajustar programas desportivos. 

Ao longo dos anos a história tem-se repetido: vários projetos só veem luz verde em cima do prazo limite para inscrições relativamente ao primeiro Rali da temporada, e são tantas e tantas as ocasiões em que os carros acabam de ser montados minutos antes da saída para a primeira classificativa da temporada. 

Conhecendo-se generalizadamente esta idiossincrasia, antecipar no tempo o começo da época apenas vai servir para colocar pressão adicional sobre as equipas e pilotos (o grosso do pelotão, assuma-se) para definir um item crucial, dinheiro, cuja decisão final não está nas respetivas mãos. 

Numa situação limite, poderá haver pilotos que em meados de fevereiro não tenham os seus projetos fechados e se vejam privados de comparecer na primeira prova do ano. 

Na fase final da temporada de 2016, houve diversas vozes (importantes vozes…) que publicamente se referiram acerca dos custos elevados para realizar uma época integral no CNR. 

De memória, lembramo-nos de Carlos Martins e Ricardo Teodósio que, de forma desassombrada e frontal, não tiveram pruridos em por o dedo na ferida

Não vemos, muito sinceramente, em que medida do aumento de eventos no calendário da competição vai ajudar a combater o clima de desertificação que se vem verificando de há anos a esta parte nas listas de inscritos da grande maioria das provas nacionais. 

Esse problema, aliás, talvez seja provavelmente o maior desafio que os decisores da modalidade têm pela frente no curto e médio prazo. 

E é dentro deste quadro de perplexidades que há que encontrar, então, o fundamento real para o anúncio das datas (que não das provas) que comporão o CNR na próxima época desportiva. 

E o fundamento é, na nossa leitura, mais ou menos claro: o ato eleitoral para escolha dos órgãos sociais da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, a verificar-se em maio de 2017

Se quisermos, numa palavra: política. 

Com esta divulgação de datas o sinal, latente, fica dado à comunidade dos Ralis em Portugal: Manuel Mello Breyner vai a jogo e é candidato à sucessão a si próprio nas eleições do próximo ano na FPAK

Nos últimos meses tem vindo a ganhar corpo o projeto ‘Mudar FPAK 2017’, encimado por Amândio Machado dos Santos

Ideias claras, um projeto estruturado, coerente e realista, apostado em realizar reformas e implementar mudanças no contexto em que se organizam e praticam Ralis em Portugal, a que acrescem apoios de figuras de vulto ligadas aos Ralis e um entusiasmo crescente em torno da candidatura têm vindo, gradualmente, a fazer encher o balão à volta das propostas protagonizadas por ‘Mex’

Quaisquer candidaturas que se perfilem ao escrutínio dos associados da Federação não se podem permitir, pois, deixar a ‘Mudar FPAK 2017’ muito mais tempo sozinha no espaço mediático. 

É nesse contexto que Breyner salta, agora, para o terreno de jogo. 

Fá-lo, reconheça-se, de forma inteligente. 

Movimentando peças em vários tabuleiros em simultâneo. 

Deixando uma mensagem que haverá um aumento do número de provas no CNR do próximo ano, Breyner vai à procura das simpatias dos clubes organizadores, no fundo, enquanto associados da FPAK, a grande base eleitoral que qualquer candidato não pode deixar de ter a seu lado se almejar a reais aspirações de vitória. 

Com a inclusão do Rali de Portugal no campeonato nacional em 2017, que damos já por adquirida, apenas ainda não anunciada, Manuel Mello Breyner não só satisfaz um velho desejo de Carlos Barbosa (a integração da prova no calendário do CNR) como arregimenta para as suas hostes o apoio institucional muito importante do ACP, aliás associado fundador do órgão federativo. 

A acrescer a tudo isto, que não é pouco, uma outra cartada decisiva. 

É conhecida a defesa que um conjunto de alguns pilotos do CNR vem fazendo publicamente no sentido do Rali de Portugal voltar a integrar o corpo de provas do nacional de Ralis. 

O argumento centra-se no facto de alegadamente ser o evento dentro de portas que mais retorno dá aos patrocinadores das equipas e pilotos inscritos no campeonato. 

Sendo a nosso ver fortemente discutível tal ideia, ainda assim um caminho que seja trilhado nesse sentido vai de encontro às aspirações e interesses desse conjunto de pilotos. 

O facto de todos ou quase todos eles integrarem neste momento a recém-fundada Associação Portuguesa de Pilotos de Ralis, a qual, de acordo com a informação disponível, já foi formalmente admitida como associada da FPAK ficando, por conseguinte, desde já dotada de capacidade eletiva (sobre o assunto e respetivas incidências recomendamos a leitura deste trabalho assinado por José António Marques no portal Sportmotores), é, claro está, uma mera coincidência! 

Sobre o esquema regulamentar que tem sido avançado quanto às pontuações no CNR da próxima época, em que num cenário de nove ou dez eventos apenas poderão vir a contar as sete melhores classificações que cada piloto obtiver, podendo previamente os inscritos selecionar dois dos três eventosinternacionais (Açores, Madeira e Rali de Portugal) nos quais irão de alinhar àpartida, por nos parecer que é uma medida que não potencia igualdade de condições de participação, e, pior, por recearmos que vá, se for implementada, desportivamente agravar ainda mais a favor de alguns projetos aquilo que já é por natureza desequilibrado dentro do pelotão quanto aos apoios financeiros para fazer Ralis, abordaremos a problemática com mais profundidade em trabalho específico logo que (e caso seja) confirmada.

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A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://4.bp.blogspot.com/-e0YHIBTtRKs/UX6yWN_6RYI/AAAAAAAA7RI/w7lZ0HbYivs/s1600/FPAK+13.jpg

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