segunda-feira, 31 de outubro de 2016

P.E.C. Nº 381: O Eterno Feminino...


Uma senhora foi recentemente coroada campeã nacional absoluta de Ralis. 

Foi-o com todo o mérito. 

Conquistou tal honraria porque na qualidade de navegadora e em conjunto com o respetivo piloto, simplesmente formaram a dupla mais fiável, veloz e vitoriosa ao longo da temporada. 

Talvez houvesse, de entre os mais avalizados copilotos nacionais (e há muitos com tremenda qualidade na respetiva função), quem pudesse ter feito um trabalho tão positivo quanto Inês Ponte em 2016. 

Porém, olhando para os resultados, fica a certeza que nenhum deles desempenharia melhor a missão de copilotar J. P. Fontes que a agora campeã nacional em termos absolutos na classificação reservada aos 2.ºs Condutores/Navegadores

Um título, por conseguinte, justíssimo e obtido de forma assaz brilhante. 

Que, aliás, tem vindo a ter ecos consideráveis na imprensa generalista. 

Que colocou os ‘penduras’ dos Ralis em patamares de reconhecimento no contexto do desporto em geral que se julgavam inimagináveis até há pouco tempo. 

Que, enfim, veio recordar a importância decisiva dos homens e mulheres que se sentam no banco do lado direito dos carros de Ralis quanto à obtenção de grandes resultados na modalidade. 

O nosso automobilismo em geral e os Ralis em particular manifestamente ainda não compreenderam o tremendo potencial que se pode associar a este título de Inês Ponte

Desde logo, a mensagem fortíssima que constitui o facto desta modalidade, os Ralis, se poder afirmar dentro do desporto em geral como uma das mais igualitárias e sem distinções de género. 

Repare-se: no universo das grandes manifestações desportivas o padrão é existirem competições masculinas e femininas que, por via de regra, como a água e o azeite, não se misturam. 

É assim em desportos coletivos como o basquetebol, o futebol, ou o voleibol

Passa-se o mesmo em desportos individuais como o ténis, os denominados desportos de combate (karaté, judo, etc…), a natação ou o atletismo

Os Ralis deviam aproveitar este elã em torno do triunfo averbado por Inês Ponte, precisamente sinalizando serem uma atividade desportiva interclassista, que oferece condições de sucesso por igual a senhoras e cavalheiros. 

Promovendo, se quisermos, um jogo de sedução a todas as mulheres (um público-alvo que nunca foi olhado com a devida atenção por parte dos decisores da modalidade) que pretendam afirmar-se no desporto competindo sem complexos, de igual para igual, com os representantes do sexo masculino. 

A mensagem subliminar seria muito expressiva, a nosso ver: vincar a ideia que os Ralis são das pouquíssimas modalidades em que uma senhora pode ombrear e até mesmo superar os homens em igualdade de circunstâncias. 

Sublinhe-se a ironia e a contradição: tanto se escreve e fala sobre a necessidade deste desporto se promover e chegar ao maior número de pessoas possível, e em simultâneo é negligenciado de forma grosseira um universo, as mulheres, que constitui mais de metade da população portuguesa. 

Os dias e semanas irão passar. 

A torrente noticiosa diária fará, com o decurso do tempo, esmorecer o impacto do campeonato nacional conquistado por Inês Ponte

Nem os próprios patrocinadores ou a marca construtora do bólide em que a navegadora se sentou em 2016 parecem pretender capitalizar este feito. 

Um pouco à semelhança de Telma Monteiro, que hoje já transpôs largamente o âmbito do judo propriamente dito, os altos dignatários dos Ralis portugueses deviam já estar a trabalhar este título de Inês, partindo da base da desportista de elite para a elevar a um patamar mais alto, funcionando como um símbolo da determinação feminina e daquilo que esta modalidade pode oferecer, quer aos homens, quer às mulheres deste nosso país. 

A copiloto, aliás, personifica na perfeição a matriz do papel das mulheres na sociedade, onde cabem em simultâneo (organização feminina a quanto obrigas…) conceitos como a profissão (Inês Ponte é fisioterapeuta), a atividade desportiva encarada muito a sério, a mulher de família, a esposa, e, mais importante que todos os anteriores fatores somados, a superior missão de ser mãe

Como muitas vezes tem sucedido noutros exemplos e noutros quadrantes, os Ralis parecem não compreender verdadeiramente as virtualidades do título conquistado por Ponte, e os benefícios que a modalidade poderia extrair a partir dele. 

Num meio esmagadoramente constituído por homens, porventura é difícil para alguns egos conviver com o facto de haver uma mulher que chega, é convidada para um lugar no qual muitos ou praticamente todos os navegadores nacionais gostariam de se sentar (e há muitos com categoria bastante para se sentar no banco do lado direito do Citroen bicampeão nacional), desempenha sem mácula a sua função, contribui fortemente para triunfos em classificativas e vitórias em provas, e, por fim, sagra-se sem grande contestação campeã nacional juntando o seu nome a uma extensa lista onde constam todos, ou quase todos, os 'penduras' que fizeram história neste desporto em Portugal. 

Talvez estejamos perante uma reminiscência do machismo empedernido que tantas e tantas bolsas de resistência ainda mantém neste país em pleno século XXI. 

Ou talvez estejamos perante o conservadorismo e imobilismo ancestralmente associados aos Ralis portugueses, que em tantas e tantas ocasiões impediram ontem, como impedem hoje, esta modalidade de voar mais alto. 

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terça-feira, 25 de outubro de 2016

P.E.C. Nº 380: Descubra as diferenças...


1)

Nas próximas linhas vamos escrever sobre dois Ralis. 

Separados no tempo por uma mera semana. 

Duas provas necessariamente distintas entre si. 

Com pouco em comum a ligá-las, à exceção talvez da relativa proximidade geográfica em que se disputaram. 

Nestas linhas vamos escrever sobre o Constálica Rallye Vouzela

E também sobre o Rali Casino Espinho

O primeiro disputou-se nos passados dias oito e nove de outubro. 

O segundo no fim-de-semana imediatamente seguinte. 

O primeiro foi organizado pelo Gondomar Automóvel Sport (G.A.S.)

O segundo pela Targa Clube

O G.A.S. é uma formação relativamente jovem nestas andanças. 

O Targa é um clube quase cinquentenário, que se confunde ele próprio com a história do automobilismo português. 

O Constálica Rallye Vouzela foi em 2016 uma prova pontuável para o Campeonato Regional Centro

O Rali Casino Espinho contou na temporada em curso para o Campeonato Nacional de Ralis

O Constálica Rallye Vouzela comemorou em 2016 o terceiro aniversário. 

O Targa Clube organiza Ralis pontuáveis para o campeonato nacional, sob as mais diferentes designações e nas mais diversas localizações, desde 1969

Questionará com justeza o caro leitor: faz sentido comparar duas provas tão antagónicas entre si? 

A nosso ver, faz. 

Faz, porque comparar o Constálica Rallye Vouzela e o Rali Casino Espinho é, na nossa visão, um bom mote para identificar alguns dos problemas que toldam as competições da modalidade em Portugal. 

2)

Comecemos, então, pela prova montada em pleno coração da região de Lafões. 

O Constálica Rallye Vouzela tem vindo a afirmar-se no contexto dos ralis nacionais. 

Um dos motivos que contribui para o seu reconhecimento é o trabalho que a respetiva organização tem (muito bem) colocado em prática, no intuito de transformá-lo em algo mais que uma mera manifestação desportiva. 

Essa determinação é salutar. 

E um exemplo a seguir. 

Transcender as barreiras de um Rali do ponto de vista desportivo, significa trazer à prova, além do público da modalidade, novos públicos cujo contacto com estas andanças é nulo ou pouco expressivo. 

Significa envolver as populações locais no evento gerando-lhes expetativa e entusiasmo. 

Talvez até fomentar-lhes orgulho no evento que projeta exteriormente a sua aldeia, vila, ou cidade.

Implica criar à volta da prova todo um elã de entretenimento que faça deslocar pessoas ao centro dos acontecimentos para, a partir daí, também verem os carros e pilotos de perto. 

O Constálica Rallye Vouzela é em todos estes itens, e em mais alguns outros, um verdadeiro manual de como gerar polos de interesse à volta de um Rali. 

Trata-se de uma prova simples dentro de um desporto com tanta propensão para complicar. 

Trata-se de um Rali pequeno, fácil de treinar e acessível no valor das inscrições. 

É um evento que ainda está a gatinhar e já se tornou em algo mais que um espetáculo desportivo, transformando-se num verdadeiro acontecimento (não circunscrito apenas no plano local, refira-se)

Esse é, talvez, o melhor tributo que podemos prestar ao admirável trabalho do G.A.S. 

A equipa de Gondomar foi incansável este ano na divulgação massiva da prova. 

Esteve particularmente atenta a todos os pormenores que pudessem garantir retorno mediático aos patrocinadores institucionais do evento. 

Mostrou-se infatigável na procura de soluções para trazer para perto do Rali pessoas que não têm (mas que desta forma podem vir a ter, pelo que aposta é certeira) ligações à modalidade. 

A juntar a tudo isto (que não é pouco…) proporcionou prémios financeiros com alguma expressão aos concorrentes que mais se destacaram na prova. 

Um completo contraciclo com laivos de quase ineditismo, portanto, face ao que nesta questão se vai verificando há muitos anos nos Ralis portugueses. 

Além do apoio da edilidade de Vouzela, o G.A.S. seduziu ainda para embarcar consigo nesta aventura empresas da região a operar no mercado nacional e no exterior, muito dinâmicas e com determinação para chegar mais longe (predicados com ligam bem com a dinâmica imprimida ao evento)

Um exemplo que identificámos ao estudar o Constálica Rallye Vouzela, para não nos perdermos demasiadamente nos pormenores, foi uma ótima ideia que raramente é implementada nas provas nacionais: o ‘apadrinhamento’ de classificativas. 

É nesse contexto que na prova os troços foram de forma certeira oficialmente apelidados de ‘Constálica / Senhora do Castelo’ e ‘Plafesa / Penoita’, em complemento à ‘Superespecial Vouzela’

Como corolário deste excelente trabalho, o G.A.S. foi premiado com uma lista de inscritos com quarenta e dois carros na prova do Campeonato Regional Centro (alguns provindos de Espanha), juntando-se outros vinte concorrentes na prova de regularidade

3)

Sobre o Rali Casino de Espinho já nos pronunciámos anteriormente neste blogue

As circunstâncias em que a prova aparece no Campeonato Nacional de 2016 são conhecidas

Sobre essa matéria nada mais haverá de relevante a acrescentar. 

A prova nasceu sobre o signo da polémica. 

Pareceu ter evoluído algo perturbada com isso. 

De uma estrutura tão experiente como o Targa Clube, surpreende que tenham sido negligenciados aspetos fulcrais num evento pontuável para a mais importante competição de Ralis em Portugal. 

O rol de críticas em matéria organizativa foi extenso. 

Oriundo de vários quadrantes. 

O aspeto que mais se evidenciou pela negativa prendeu-se com a (falta de) informação ao público. 

Ao espetador nada foi referido quanto à localização das zonas-espetáculo ou de público ‘montadas’ nos troços, na presunção que existiam. 

Não foi veiculada qualquer informação, ainda que sucinta, sobre qual a melhor forma de chegar às classificativas, ou quais as estradas para circular entre elas. 

Não foi disponibilizada qualquer lista relativamente à ordem de partida dos concorrentes nos segmentos cronometrados do Rali. 

À última hora, sem que houvesse qualquer indicação nesse sentido, foi criativamente ‘inventada’ uma segunda passagem pela Superespecial de Santa Maria da Feira (imagine-se o que seria se o vencedor deste troço concebido à pressa à ultima hora, ganhasse no final do ano o campeonato, por exemplo, com meio ponto de vantagem sobre o segundo classificado…) o que desabona fortemente o Targa quando à planificação atempada da prova. 

Mesmo o diamante em bruto que se adivinhava poder vir a ser a Superespecial traçada em Gaia, acabou por se transformar num caco de vidro de questionável valor. 

A publicidade à classificativa foi, de acordo com as muitas críticas que fomos lendo e ouvido, pouca ou quase nenhuma. 

Estamos a referir-nos, note-se, num raio de poucas dezenas de quilómetros, à área do Grande Porto onde vivem centenas de milhares de pessoas. 

A meteorologia, é certo, não ajudou a uma moldura humana mais expressiva.

Mas muitos moradores junto às artérias onde a prova passou na urbe da margem sul do Douro, vários deles inclusive adeptos desta causa das corridas de carros, poucas horas antes do roncar dos motores desconheciam por completo a existência da Gaia Street Stage

Mesmo durante a pausa dos carros no Parque de Assistência montado no Europarque, os trabalhos de oficina foram de tal forma escondidos do grande público que a coisa mais parecia um transcendente segredo de Estado fechado a sete chaves

Fala-se muito (e à boca cheia) da necessidade de levar os Ralis onde está o público. 

Fala-se muito, também, da importância de divulgar e promover a competição automóvel junto do maior número possível de pessoas. 

Nesse quesito, o Rali Casino Espinho foi tão aberto quanto uma reunião de uma qualquer loja maçónica. 

Para não ir mais longe, com alguma perplexidade o Targa Clube parece ter esquecido por completo, na prova que organizou a contar para o CNR, o ótimo trabalho que tem levado a cabo em anos recentes no Caramulo Motorfestival quanto à criação de motivos capazes de polarizar de forma massiva o interesse do público.

Coincidência ou talvez não, tudo o que se referiu supra teve um preço traduzido em números: o Rali Casino Espinho reuniu um lote de apenas vinte e seis inscritos, e de acordo com os registos apenas onze duplas de concorrentes lograram chegar ao final da prova.

Dados que devem (ou deviam...) fazer pensar muita gente...

4)

Após este exercício comparativo, entramos noutro âmbito desta análise. 

Excetuando as duas provas insulares (Açores e Madeira) que se disputam em contextos específicos e têm vicissitudes próprias, os restantes seis eventos que há anos integram o Campeonato Nacional de Ralis têm vindo a ser confiados por via de regra invariavelmente aos mesmos organizadores

A exceção foi, em 2014, o Rali de Castelo Branco

No lote destes seis clubes organizadores, há quem ponha provas na estrada com elevados padrões de rigor e planificação, de acordo com as exigências de uma competição que envolve milhões de euros em cada temporada. 

Porém, o reverso da medalha também se verifica: nesse lote, restrito, há quem simplesmente não tenha dimensão e competência (não necessariamente o Targa Clube, note-se) para levar a cabo a missão, muito exigente, de montar um Rali integrado no campeonato nacional

muitos anos que o ‘sistema’ se protege a si próprio

Poucas são as vozes que se têm feito ouvir insurgindo-se contra a imoralidade de serem sempre os mesmos (o que não é por si só sinónimo de melhores, longe disso…) a poder levar para estrada etapas do CNR

A FPAK vem alimentando de forma espúria esta reserva ao direito de admissão

Não se estimula ninguém (os que estão, e os que poderiam estar à luz do saudável princípio de premiar o mérito e a qualidade) a elevar os seus próprios padrões organizativos. 

Não há escrutínio institucional sobre o que tem vindo a ser feito. 

Se o há, é sob a forma de relatórios envoltos em secretismo elaborados pelos observadores da FPAK em cada Rali, aos quais a esmagadora maioria dos agentes deste deporto nem sequer tem acesso

A opacidade do sistema não podia ser maior. 

Ensaiou-se em anos recentes um simulacro de rotatividade no que diz respeito às entidades organizadoras das provas do nacional de Ralis, que rapidamente se percebeu que seria para inglês ver.

Fica bem à vista alguma desestruturação deste desporto quando a concessão dos Ralis do CNR não assenta estritamente em critérios de mérito. 

uma casta à qual se concede a fatia de leão para levar a cabo os eventos da mais importante competição da modalidade em Portugal. 

E há depois todos os outros aos quais lhes vão sendo distribuídas as migalhas que o CNR não quer.

Este vício tornou-se estrutural e, como uma marca automóvel publicitava no passado, veio para ficar, sem que alguém se insurja ou esboce o mais leve sinal de desconforto com tanto situacionismo.

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Nota 1

Várias das considerações que desenvolvemos neste trabalho relativamente ao Constálica Rallye Vouzela, aproveitam também a várias outras estruturas que organizam Ralis no nosso país. 

O Clube Automóvel de Santo Tirso e o admirável trabalho realizado com o Rali de Viana do Castelo é, entre outros, um desses exemplos.

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Nota 2:

Declaração de (des)interesses.

Nada de pessoal ou institucional nos move contra ou a favor do Gondomar Automóvel Sport ou do Targa Clube.

Os juízos críticos expressos neste trabalho devem ser interpretados, portanto, como uma tentativa de introduzir no debate sobre os Ralis portugueses o princípio da rotatividade na organização das provas do campeonato nacional, através de critérios objetivos e passíveis de escrutínio, com a divulgação pública dos relatórios emanados pelos observadores da FPAK presentes em cada Rali.

Tão simples quanto isso...

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domingo, 16 de outubro de 2016

P.E.C. Nº 379: Porreiro, pá(i)!


1)

À semelhança da sociedade em diversos aspetos da nossa vida coletiva, o automobilismo português alimenta há anos um certo preconceito contra alguns pilotos. 

Os exemplos são vários. 

Hoje, o caso mais flagrante será, pensamos, Miguel Barbosa.

Antes, recordamo-nos de Pedro Matos Chaves (que silenciou detratores à medida que na carreira foi exibindo notória categoria e dotes de condução acima da média), ou, num passado menos distante, José Monroy

Não importa nestas linhas dirimir o talento ou a relevância desportiva dos três pilotos citados. 

O denominador comum entre si é serem filhos de pessoas que, em determinada altura, tiveram ou ainda têm responsabilidades avultadas ao nível do dirigismo dentro da competição automóvel nacional. 

Uma certa ideia que ganhou corpo ao longo dos tempos, ampliada à medida que foram proliferando fóruns de debate pela internet, construiu uma ‘verdade’ hoje mais ou menos enraizada dentro da comunidade que segue as corridas de carros no nosso país. 

Reza esse ‘postulado’ que, além de outros, os nomes atrás citados conseguiram em função dos respetivos apelidos, só por tal facto, mais facilidade em construir carreiras na modalidade. 

Que os laços de consanguinidade de forma automática tornaram o ‘sistema’ (para nos socorrermos de uma expressão tão cara ao futebol português) particularmente benévolo a terem vantagem competitiva perante os adversários. 

Não aderimos a essa tese. 

Por um lado, por se nos afigurar que em abstrato ninguém está, nem deve estar, privado de praticar automobilismo só por ser descendente direto de pessoas influentes na modalidade. 

Por outro, porque defendemos que a bitola para aferir a qualidade de um piloto exprime-se pelo cronómetro e não pelo sobrenome. 

Matos Chaves está há mais de uma década retirado das competições. 

Monroy é piloto de velocidade. 

Centremos, pois, a análise em Miguel Barbosa

2)

O piloto de Lisboa sempre foi uma espécie de mal-amado dentro do automobilismo português. 

Filho de alguém que, goste-se ou não, tem considerável peso e protagonismo dentro deste desporto, desde que começou a sobressair nas competições de Todo-o-Terreno batendo ao tempo o pé a Carlos Sousa, foi de forma injusta carregando consigo o rótulo de beneficiar de um regime de ‘protetorado parental’ como forma de alavancar as suas prestações desportivas. 

Miguel Barbosa ter-se-á alheado por completo dessa imagem que se construiu sobre si. 

De lá para cá são nove os títulos absolutos de campeão nacional que indexou no respetivo palmarés. 

Sete no campeonato nacional de Todo-o-Terreno, com viaturas de diferentes caraterísticas e de diversas gerações. 

Dois no nacional de velocidade, aos comandos de carros diferenciados como os GT e protótipos. 

É objetivamente um curricula desportivo que nos merece muito respeito. 

Que seguramente foi conquistado com doses generosas de inspiração e transpiração, ao volante, dentro dos carros, decerto à margem de meros carateres inscritos no seu Bilhete de Identidade ou Cartão de Cidadão

Cumpre portanto referir que no início da temporada de 2016 foi com satisfação e interesse que registámos o tirocínio de Barbosa para os Ralis, volvidos quase vinte anos nestas andanças. 

Pareceu-nos acima de tudo uma decisão com significativa coragem. 

Quando podia tentar ampliar o seu séquito de troféus no Todo-o-Terreno, modalidade que conhece como poucos, ou acertar agulhas rumo ao renovado Campeonato Nacional de Velocidade onde até tem pergaminhos, foi seguramente louvável a mudança de rumo e o novo desafio que lançou à sua carreira. 

Se há disciplina do desporto automóvel onde um neófito sem experiência tem dificuldades em singrar, essa disciplina são os Ralis. 

Se há campeonato de automobilismo em Portugal onde em nossa opinião é difícil vingar e ser bem-sucedido (pelo plantel de carros e pilotos muito competitivo, e pelas dificuldades intrínsecas ao conceito e filosofia dos Ralis) é precisamente o CNR, com dificuldades acrescidas para quem chega quase sem traquejo e tem tudo a aprender.  

Barbosa, após seis Ralis vem fazendo, passo a passo, o seu caminho das pedras

As performances têm melhorado com os quilómetros entretanto acumulados, a clivagem de tempo para os mais rápidos tem vindo a diminuir, a consistência de andamento vai sendo linear a cada troço e ao longo das provas, pelo que os resultados, esses infalíveis indutores de motivação, começam a aparecer. 

De acordo com algumas reflexões já expressas anteriormente neste trabalho, Miguel Barbosa não está minimamente limitado na sua liberdade de praticar automobilismo, enquanto amador ou profissional das corridas, pelo facto de ser filho de Carlos Barbosa, Presidente da Direção do ACP.

Mais: Carlos Barbosa está no pleno direito de, enquanto pai (e como qualquer pai…), colaborar ativamente na procura de condições para que o percurso do seu descendente possa ser o mais vitorioso possível.

Mais ainda: não nos repugna rigorosamente nada que Carlos Barbosa, enquanto pai, eventualmente se socorra da sua rede de contactos e influência no automobilismo para procurar patrocinadores que apostem na carreira desportiva do seu filho.

O que nos parece que claramente Carlos Barbosa não pode no plano dos princípios fazer, é instrumentalizar instituições de que faz parte enquanto membro e/ou dirigente, colocando-as ao serviço dos interesses do seu rebento.

É aqui que entramos, então, numa outra dimensão da nossa análise.

3)

Uma das boas notícias que os Ralis nacionais receberam em 2016: a transmissão no canal internacional Motors TV de resumos com cerca de trinta minutos das etapas do Campeonato Nacional de Ralis da presente temporada, poucos dias após o rescaldo de cada uma das provas.

Tem sido um exercício muito interessante seguir tais reportagens.

Olhando em perspetiva e abstraindo-nos dos problemas e desafios que a competição maior da modalidade enfrenta no nosso país, fica mais ou menos claro, até pela comparação com trabalhos no mesmo canal alusivos a campeonatos internos doutros países, que temos um CNR com níveis de qualidade bastante interessantes quanto a pilotos e navegadores, um plantel que não desmerece no que respeita a carros de topo, além de magníficos troços e Ralis bem disputados.

Em suma: há motivos para sentirmos uma pontinha de orgulho quando esta nossa modalidade de peito feito e cara aberta se projeta lá fora.

No resumo que para o efeito foi transmitido imediatamente após o pretérito Rali Vinho Madeira (que poderá visualizar, na versão portuguesa, aqui), chamou-nos especial atenção um facto que, por tão óbvio, saltou à vista e nos fez pensar um pouco após a meia hora de reportagem que acabáramos de presenciar.

Além das peripécias em torno da prova e das polémicas que acabariam por a marcar (das quais ainda hoje são audíveis ecos…), pareceu claro ter sido dada grande nota de destaque, com laivos de algum exagero, a Miguel Barbosa, sobretudo quando comparado com diversos dos seus adversários, alguns deles que do ponto de vista desportivo até sobressaíram bem mais que o piloto do Skoda na pérola do Atlântico.

Foi uma entrevista com apreciável dimensão (vista à luz de um trabalho com trinta minutos…) para Barbosa falar sobre este seu primeiro ano nos Ralis, num discurso, aliás, humilde e realista, focado na necessidade de aprender os segredos das provas disputadas em estrada aberta.

Foi concedida também em dose generosa a palavra ao seu pai (não ao Presidente da Direção do ACP, ou ao alto dignatário da FIA em matéria de segurança nos Ralis…), Carlos Barbosa, que do alto da sua telegénica calvície ou da melodiosa voz de soprano lá foi dando também umas achegas à forma como Miguel se está a adaptar à modalidade.

Na zona de entrevista a ambos, estrategicamente colocado atrás dos dois protagonistas, vê-se estacionado o Fabia R5.

E por cima da porta do lado do piloto, além de um pequeno logotipo vermelho e branco, não deixam de dar (propositadamente?) nas vistas quatro palavras com o seu quê de assassino: Automóvel Club de Portugal.

4)

Não é de agora que o ACP apoia a carreira de Miguel Barbosa.

O clube sedeado na Rua Rosa Araújo, em Lisboa, é, aliás, institucionalmente um dos sponsors oficiais do piloto.

Se anteriormente o assunto não nos mereceu reflexão, deve-se ao facto do percurso desportivo de Miguel nunca se ter cruzado diretamente com os Ralis antes da presente temporada, à exceção de algumas participações ao volante de carros ‘0’.

Parece-nos mais ou menos evidente não haver grande espaço para considerações sobre ética ou outros princípios, quando uma instituição (seja ela qual for) é colocada ao serviço e age em benefício de familiares diretos de qualquer um dos seus dirigentes.

Sem aprofundar sequer os contornos legais de tal prática (que nos levantam algumas reservas), salta à vista, em nossa opinião, que há nesta circunstância uma violação mais ou menos grosseira dos imperativos de seriedade que devem reger a gestão de qualquer instituição, logo uma com o peso, dimensão e importância do ACP.

Não conseguimos medir o alcance e de que forma o clube em apreço prossegue o seu escopo estatutário ao subsidiar a carreira de pilotos de automobilismo.

Parece-nos, até, que será difícil explicar aos associados e outros financiadores do Automóvel Club de Portugal a justeza e bondade de ser alocado parte do valor das suas quotizações em prol da carreira desportiva do filho do respetivo Presidente da Direção.

Louve-se no entanto um facto: o procedimento é feito às claras não havendo sequer a preocupação de o camuflar.

Dir-se-á sobre o assunto, para combater a nossa posição de princípio, que não sendo sócios do ACP (com Barbosa na liderança, simplesmente não o desejamos) não temos qualquer legitimidade formal para ingerir nos assuntos da vida do clube.

Verdade insofismável.

Esta é uma questão que diz diretamente respeito aos associados da coletividade.

Em sede e local próprio terão, se assim o desejarem, oportunidade para abordar o tema.

Sobretudo aqueles que, em atos eleitorais recentes, legitimaram Carlos Barbosa pelo voto...

5)

Retrocedamos na análise que estávamos a fazer ao resumo oficial do pretérito Rali Vinho Madeira.

Tanto tempo de antena dedicado naquele trabalho a Miguel Barbosa levanta no contexto geral dos Ralis diversas questões, que, essas sim, importam aprofundar.

Por um lado saber se a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting ao ter cedido os direitos de imagem do Campeonato Nacional de Ralis à empresa Movielight, impôs diretrizes de promover a competição enquanto marca e de forma tendencialmente uniforme na exposição dada aos seus pilotos, e, quando tanto se fala na necessidade de promoção da modalidade, nos minutos concedidos à divulgação dos produtos e serviços dos respetivos patrocinadores.

Por outro lado, porque os trabalhos (aliás, com qualidade e que fazem passar com clareza ao espetador aquilo que de melhor o CNR pode oferecer) da Movielight não se esgotam no mero entretenimento, nem sequer apenas na publicitação da competição e seus protagonistas.

São reportagens de provas de Ralis.

Têm, portanto, queira-se ou não, um intuito também informativo.

Ao editar e publicar os resumos das provas do campeonato nacional, a Movielight tem a responsabilidade, a nosso ver até a obrigação, de o fazer segundo critérios de alguma equidade, fornecendo com a maior amplitude possível antena a todo o conjunto de pilotos participantes na competição.

Nessa medida, seria interessante escutar-se Pedro Falé, uma vez que não nos recordamos, nos resumos das demais provas do nacional de 2016 exibidas até à data, de ter sido concedido tanto destaque a um só piloto, muito menos dar-se em paralelo a palavra o respetivo progenitor.

critérios que os responsáveis da Movielight deveriam clarificar sem pruridos.

No caso concreto da Madeira, por exemplo, enquanto ao clã Barbosa foi concedido ênfase em dose superlativa, já pilotos como Moura, Meireles ou Vieira (este até se despistar já na fase final da prova insular), que até rodaram sempre na frente e se evidenciaram face ao Skoda n.º 5, nem sequer a uma curta declaração dando conta das suas opiniões sobre o evento tiveram direito.

O problema reside precisamente aí.

Na aparente diferença de tratamento.

Queremos deixar bem claro que para nós é ótimo que a qualquer piloto de Ralis (Miguel Barbosa ou qualquer um dos pilotos inscritos no CNR) seja concedida a palavra o mais tempo possível.

A questão é que em resumos de trinta minutos, dar-se muito destaque a um só piloto implica necessariamente dar-se pouco ou nenhum aos demais participantes na modalidade, que de igual forma têm necessidade de aparecer no espaço mediático expondo os respetivos patrocinadores, quem sabe até os respetivos pais…

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

P.E.C. Nº 378: Rali Casino Espinho. Mapas e horários...


O truque é velho, mas surpreende sempre o espetador.

Mete-se uma pomba na cartola, distrai-se por uns instantes a audiência teatralizando-se uns passes de varinha mágica, e eis que, voilá, segundos depois saca-se um fofinho coelhito branco para exibir à plateia.

uns tempos Manuel de Mello Breyner, qual Luís de Matos ou Hélder Guimarães, vestiu o fraque preto e decidiu também dedicar-se às artes do ilusionismo.

O truque foi sensacional e deixou a comunidade de Ralis em Portugal verdadeiramente boquiaberta (à exceção, claro está, dos que conhecem bem os meandros através dos quais se realizam estas verdadeiras operações de prestidigitação dentro da modalidade…): meteu-se na cartola um Rali regulamentado para ser disputado em terra e, meses depois, quase de supetão, eis que se sacou do chapéu a mesma prova mas agora na pele de um Rali em asfalto.

Pura magia!

Chegamos assim, neste enquadramento repleto de surpresas (ou nem tanto…) ao Rali Casino Espinho, a disputar no fim-de-semana de 15 e 16 de outubro.

Relativamente ao esquema da prova, que aprofundamos mais abaixo neste trabalho, sublinha-se pela positiva o facto de introduzir um fator de alguma novidade no contexto dos Ralis nacionais.

Tal intuito é meritório.

Não só por trazer novos desafios aos concorrentes, que desta forma se deparam com estradas na sua maioria desconhecidas (esperamos, ainda não suficientemente “decoradas” na altura em que redigimos estas linhas…) do pelotão do CNR, mas também por recuperar uma região com muitas tradições na modalidade e potenciadora de proporcionar um Rali competitivo e bem disputado.

Algumas notas, necessariamente breves, sobre este Rali, penúltima etapa do CNR/2016, que pode vir a tornar-se decisivo na atribuição de alguns dos títulos em disputa.

Saudar, por um lado, a escolha da Gaia Street Stage (ver detalhadamente o respetivo trajeto infra) para dar início às hostilidades.

O traçado escolhido, sobretudo na fase inicial em que se sobe a partir do molhe do Douro por vielas estreitas e sinuosas da Gaia antiga é muito bom, seja do ponto de vista dos aficionados (os que estarão a ver o troço no local e os que o irão ver através das televisões, em direto ou posteriormente em resumo), seja, pensamos, na ótica dos pilotos e navegadores.

A ideia de promover, muitos anos depois, um reencontro espiritual entre os Ralis e o Vinho do Porto (a classificativa bate à porta de várias das casas produtoras do precioso néctar, uma das mais admiráveis marcas distintivas do nosso país no exterior) é particularmente entusiasmante e será, pensamos, um bom ponto de partida para ajudar a promover o Rali Casino Espinho.

O problema é que, como ensina a sabedoria popular, não há bela sem senão.

A prova do Targa Clube, cujo centro nevrálgico se situa no Europarque em Santa Maria da Feira (dificilmente poderia haver melhor localização e condições de trabalho para organizadores, equipas, pilotos e imprensa) vai ter uma extensão total de 387,45 quilómetros (107,64 quilómetros cronometrados incluídos).

A título de comparação com a etapa antecedente do campeonato, o Rali de Mortágua, atente-se que a prova do Clube Automóvel do Centro teve um total de 201,20 quilómetros (102,96 quilómetros de percurso seletivo), e que o evento do Targa quase duplica essa extensão.

Parece-nos de duvidosa razoabilidade que uma prova pontuável para o nacional de Ralis tenha, só ela, uma distância em tudo idêntica aos quilómetros que separam Lisboa de Viana do Castelo.

Deve algo à lógica e às necessidades de emagrecimento das nossas provas (à luz dos espartanos, às vezes quase anoréticos, orçamentos da maioria dos respetivos inscritos), o facto de um Rali ter mais de 70% do seu percurso constituído por ligações entre classificativas.

Achamos ótimo que dentro de semana e meia os pilotos inscritos no Rali Casino Espinho possam fazer um passeio abrangente e prolongado por uma vasta área do nosso país.

Um guia completo do distrito de Aveiro a nível turístico, aliás, dificilmente proporia coisa melhor.

Começa-se o roteiro em Santa Maria da Feira (uma visita ao esplendoroso castelo daquela cidade justificava-se em pleno…), segue-se depois rumo à zona costeira para passagem pela aprazível cidade de Espinho, inflete-se a norte, já no distrito do Porto, para uma visita mais ou menos imprescindível a esses prodígios de história e cultura que dão pelo nome de Caves do Vinho do Porto, desce-se geograficamente de novo a Santa Maria da Feira, e depois, sempre a rumar para sul no território, dá-se uma guinada ao interior do país profundo até paisagens mais montanhosas, visitando-se os concelhos de Vale de Cambra. Oliveira de Azeméis e Sever do Vouga, ali pelas imediações da Serra da Freita.

Um passeio e peras, ou se quisermos, já que estamos a tratar de Sever do Vouga, um verdadeiro passeio e mirtilos.

Todos estes trajetos mais ou menos longos que os concorrentes vão cumprindo nos Ralis nacionais, são decorrência de algo que para nós fica bem claro.

As organizações das provas dependem em grande medida financeiramente das edilidades para colocar na estrada os seus eventos.

Logo, para quê ter o apoio ‘apenas’ de dois ou três municípios, quando pode-se obtê-lo em maior escala junto de quatro ou cinco?

O raciocínio, que apresentamos de forma simplista, é o corolário de um certo caminho que algumas das provas do CNR de há uns tempos para cá vão procurando silenciosamente cumprir.

Mais uma Superespecial aqui, mais um troço acolá (ainda que desprovidos de interesse desportivo ou sem grande abrangência no plano mediático), vão no futuro ou já estão no presente a fazer ‘engordar’ um pouco alguns dos Ralis do campeonato nacional, aumentando-lhes o percurso a bem do financiamento e sustentabilidade contabilística de quem os organiza.

Nada de especialmente proibitivo decorre de tal facto.

A questão que se coloca é saber-se que a fatura a acrescer ao acumular de quilómetros, ainda que em percurso de ligação, recai invariavelmente nos orçamentos dos pilotos, por tradição e na grande maioria dos casos a competir com os tostões contados em cada prova.

Quando os pilotos portugueses, considerados no seu conjunto, se demitem de manter a sua associação representativa ativa, desistem de intervir nos assuntos da modalidade e não procuram influir nos assuntos que lhes dizem diretamente respeito, devem ter a perceção que a modalidade irá de forma progressiva acentuar o plano inclinado contra os seus interesses e necessidades.

Quatrocentos quilómetros para completar uma prova interna são um sintoma disso mesmo.

Centenas de euros a ser despendidos adicionalmente em combustível (talvez transformados em milhares no final de cada ano desportivo), em troços ou ligações, que, sobretudo a partir da segunda metade do pelotão, não têm o correspondente retorno mediático para quem patrocina os concorrentes, é dinheiro mal empregue e (mais) uma facada na tentativa de chamar mais gente a este desporto.

Escritas todas estas considerações, não pretendemos alongarmo-nos muito mais em torno da questão.

Resta-nos desejar a todos os inscritos que consigam alcançar um belíssimo Rali Casino Espinho em termos competitivos, e em simultâneo formulamos votos de que seja uma bela passeata a que vão realizar pelos mais diversos recantos de terras entre Douro e Vouga.

Lembramos apenas que nesta nossa modalidade, quem passeia, ainda que o passeio seja forçado e de discutível interesse, paga.

Para este passeio de 15 e 16 de outubro, já agora, toda a minha gente deverá à cautela levar impermeáveis para se resguardar, e uns botins para calçar aos bólides se necessário: há forte possibilidade de chuva para a região onde o Rali se disputará.

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 a) HORÁRIOS E ESQUEMA DA PROVA 

Sábado, 15 de outubro

- 16h:00m - Partida do Europarque, Santa Maria da Feira;
- 16h:03m - Parque de Assistência no Europarque, Santa Maria da Feira;
- 16h:30m - Pódio situado junto à alameda frontal do Casino de Espinho, Espinho;
- 18h:25m - Reagrupamento dos concorrentes junto ao Cais de Gaia, Gaia;
- 19h:20m - 'GAIA STREET STAGE 1';
- 19h:41m - 'GAIA STREET STAGE 2';
- 20h:26m - Reagrupamento dos concorrentes em Santa Maria da Feira;
- 21h:00m - 'SANTA MARIA DA FEIRA' (Superespecial);
- 22h:00m - Parque fechado no Europarque, Santa Maria da Feira. 

Domingo, 16 de outubro

- 09h:00m - Partida do Europarque, Santa Maria da Feira;
- 09h:02m - Parque de Assistência no Europarque, Santa Maria da Feira;
- 10h:00m - 'FERREIRA DE CASTRO 1';
- 10h:25m - 'BURGÃES 1';
- 10h:55m - 'ARESTAL 1';
- 11h:50m - 'RIO CAIMA 1';
- 12h:57m - Reagrupamento dos concorrentes em Santa Maria da Feira;
- 14h:40m - 'FERREIRA DE CASTRO 2'
- 15h:05m - 'BURGÃES 2';
- 15h:35m - 'ARESTAL 2';
- 16h:30m - 'RIO CAIMA 2';
- 18h:30m - Pódio final situado junto à alameda frontal do Casino de Espinho, Espinho.

 b) MAPAS INTERATIVOS 

 GAIA STREET STAGE - 3,62 quilómetros - 

 SANTA MARIA DA FEIRA - 1,62 quilómetros - 

 FERREIRA DE CASTRO - 8,10 quilómetros - 

 BURGÃES - 11,00 quilómetros - 

 ARESTAL - 16,74 quilómetros - 

 RIO CAIMA  - 14,23 quilómetros - 

 RALI CASINO ESPINHO, 2016  (exceto Superespeciais)

A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.ralis.fpak.pt/rally/noticias/2016/rali-casino-espinho-esta-volta-ao-nacional-ralis-0