P.E.C. Nº 391: WRC. O futuro é agora...


Está prestes a começar mais uma temporada do Campeonato do Mundo de Ralis.

As máquinas têm-se aprimorando em inúmeras sessões de testes.

Os pilotos procuram-se entrosar da melhor forma possível com todo um admirável mundo novo em matéria de condução e afinação dos carros que os espera para 2017.

Nas oficinas trabalha-se afincadamente para que nada falhe na première da época (Monte Carlo, a partir de 20 de janeiro…).

marcas que saem do WRC.

Outras que entram.

pilotos que transitam para novas equipas.

Outros que permanecem em estruturas que já conhecem bem.

, em suma, novidades a acontecer, que geram interesse e, mais importante, expetativas.

Altas expetativas.

As equipas oficiais que alinharão no mundial da modalidade nesta época quase a iniciar, não se têm poupado a esforços para se apresentar nas estradas geladas do ‘Monte’ com o maior grau de competitividade possível.

Nos ensaios gerais em que todas elas investiram fortemente nos últimos meses, intui-se que os carros se apresentarão no principado num excelente apuro de forma, ainda que em linhas gerais o fator imprevisibilidade vá imperar nas primeiras provas do ano.

O entusiasmo em torno desta nova era que se abre dentro de dias é enorme.

Nós próprios, autores destas singelas linhas, deixámo-nos contagiar por completo com os sons e imagens dos testes de pré-época.

Aquando dos trabalhos de preparação que a VW realizou em Arganil em setembro passado (muito antes de se saber que o construtor alemão abruptamente abandonaria, pelo menos para já, os Ralis ao mais alto-nível), diz quem (ou)viu que os novos carros emanam poder e respeitabilidade.

Fazem-se ouvir.

Têm porte altivo e presença imponente.

Com esta mudança de paradigma regulamentar a FIA tem procurado repristinar a filosofia dos anos de ouro da modalidade.

Carros tonificados aerobicamente e ornamentados a rigor para realçar a sua sensualidade.

Libidinosos.

Muito libidinosos.

As emoções vão estar ao alto, estamos certos.

A ideia é óbvia: resgatar para o campeonato do mundo o espírito vivido há mais de trinta anos, na época dourada dos carros de Grupo B.

Olhar para o futuro procurando pistas do passado, respeitando em paralelo a história, parece-nos uma aposta correta.

A doutrina diverge muito quando ao momento em que nasceram os bólides monstruosos de Grupo B.

quem sustente ter sido no momento em que a alguém ocorreu o lampejo de génio (de sorte também, se quisermos) de colocar a competir o revolucionário Audi Quattro, que modificaria para sempre a face da modalidade e definiria os padrões pelos quais a mesma se foi regendo até hoje.

também quem, menos dado a considerações filosóficas e mais atreito ao rigor dos factos, advogue que a era dos Grupo B começou na temporada de 1982, quando a (então) FISA decidiu extinguir os anteriores Grupo 1 a 5 (embora continuassem homologados durante esse ano) para os substituir pelos Grupo A, B e N.

Independentemente de discordâncias quanto a esta matéria, certo é que a dinastia daqueles saudosos automóveis durou pelo menos cinco temporadas, as suficientes para se perpetuarem na memória de quem os guiou e na de todos quantos os viram ser guiados.

Os tempos hoje são outros.

A conceção dos automóveis é agora totalmente distinta.

O conhecimento empírico de então deu lugar a altos padrões tecnológicos, à robótica, a materiais compósitos ou à nanotecnologia.

Hoje domina-se de forma muito mais eficaz a potência, o desempenho dos pneus ou a aerodinâmica.

No entanto, iremos ter em 2017 carros que não só têm nada a ver com as prestações dos protótipos de meados dos anos oitenta, como serão bem mais rápidos que os já de si rapidíssimos automóveis que nos habituámos a ver até final de 2016.

Se a diferença (para já…) de 0,8 segundos/quilómetro, ventilada recentemente por Yves Matton, não é suficiente para impressionar o caro leitor, se lhe dissermos que num troço de 40 quilómetros a diferença final de tempos entre os bólides do ano passado e de 2017 será superior a meio-minuto, então já nos parece ser percetível aquilo que está em causa.

Desejamos que o ciclo que agora se inicia seja duradouro em matéria de WRC.

Que estes novos ‘monstros’ marquem um novo tempo da modalidade na sua vertente máxima.

O desejo de ir mais além vai levar a que rapidamente os novos i20, Yaris, Focus e DS3 disparem em performance e se tornem cada vez mais rápidos.

É a velha lei da concorrência a fazer das suas, num campo, o automobilismo disputado em provas de estrada, onde todos investem muito e querem legitimamente vingar.

A corrida ao ouro (leia-se: velocidade) vai começar.

O engenho e a experimentação das equipas vão fazer os carros progredir muito, e muito rapidamente.

Essencial parece-nos ser que alguma liberalização conceptual a moldar agora o WRC, não nos transporte em pouco tempo para um paradigma em que os carros são de tal forma velozes que se colocam num patamar ao qual estrada e pilotos não conseguem dar resposta.

Mais simples: que não se tornem pouco menos que impossíveis de guiar.

É este no fundo o desafio que se coloca aos estrategas do WRC.

Que toda esta nova era que se pretende longa, não seja, num espaço temporal relativamente reduzido, transportada per saltum para o espírito traumático que tomou de assalto o mundial de Ralis no fatídico ano de 1986, essa tempestade perfeita onde confluíram no mesmo caldeirão carros demasiado rápidos, público pouco responsável, deficiências quanto a aspetos de segurança e, pior, como corolário óbitos a lamentar.

Deixada esta nota, venham de lá então as novas e entusiasmantes máquinas.

Isto de estar alguns meses sem Ralis deixa qualquer adepto com nervos e ansias tais, que fazem disparar até ao vermelho o conta-rotações do 'aparelhómetro' da tensão arterial…

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