P.E.C. Nº 396: Segurança nos Ralis portugueses. Matéria tabu?


Em plena campanha para as eleições aos órgãos sociais da FPAK, nenhuma das três candidaturas já no terreno dirá algo substancialmente firme e abrangente quando à segurança das nossas provas.

Mas o problema é real. 

Muito concreto, como um conjunto de diversas situações ocorridas em Fafe no último fim-de-semana revelaram para quem as quis ver. 

Breyner, “Mex” e Amorim não estão interessados, nesta altura, em envolver-se em questões polémicas, menos ainda comprarem antipatias junto do universo que elegerá um deles como próximo responsável máximo da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting

A bem das respetivas estratégias de campanha. 

A mal, parece-nos, quanto à definição clara do que propõem relativamente às questões centrais que os Ralis nacionais têm para resolver. 

A pergunta tem de sair, assim, de chofre: tem o Demoporto condições para continuar a organizar provas pontuáveis para o Campeonato Nacional de Ralis


A questão não é despicienda. 

A edição do Rali Serras de Fafe de 2017, tradicionalmente em cada temporada desportiva a prova de abertura do CNR, primou por uma série de episódios especialmente graves quanto à segurança de concorrentes e público. 

Um evento pontuável para uma competição com o estatuto de campeonato nacional, em abstrato não se compagina com negligência grosseira da respetiva organização numa matéria tão sensível como a segurança. 

, assim, um pressuposto muito claro a partir do qual a modalidade no nosso país rapidamente terá de fazer opções. 

Saber se pretende crescer e afirmar-se com base em emoções (velocidade, luz, cor, som…) e na sua espetacularidade intrínseca. 

Ou se, assobiando para o ar perante episódios como os Fafe, retratados, aliás, com fotos e vídeos neste trabalho, quer dar continuidade ao risco de se tornar notícia com base em sangue e chapa retorcida. 

Não é de agora, aliás, a aparente convivência difícil do Demoporto com assuntos relacionados com segurança. 


em edições anteriores do Rali Serras de Fafe, colocados no terreno pela referida entidade organizadora, puderam ser vistos diversos momentos a ilustrar quão ténue pode ser a fronteira entre a normalidade e uma fatalidade de proporções muito graves. 

O Demoporto dirá, talvez, que à sua prova acorre porventura um maior número de adeptos que aos demais eventos do nacional de Ralis. 

Por se encontrar no epicentro de uma região onde este desporto é muito querido e seguido com óbvio entusiasmo. 

Por se tratar da prova de abertura de cada época, onde é da praxe haver um número apreciável de bons carros que depois, infelizmente, não tem por norma continuidade no decurso da temporada. 

Pela espetacularidade e seletividade dos troços da região, ícones da modalidade em Portugal e no estrangeiro. 

A questão é que ao protocolizar com a edilidade fafense (uma nota de maior apreço aos sucessivos executivos daquele município, por compreenderem como o desporto automóvel pode funcionar como uma âncora para a economia local e para a divulgação da região) a organização de uma prova, o Demoporto ou qualquer outra entidade que ali coloque Ralis na estrada, tem que no plano de segurança contemplar essa grande afluência de público e procurar prever, dentro do possível, comportamentos individuais e coletivos, sobretudo quando há movimentos migratórios em direção a zonas das classificativas menos vigiadas ou a locais de especial perigosidade. 

Não basta, pois, tentarem alijar-se responsabilidades sugerindo que é impossível vigiar-se por completo dezenas de quilómetros de estradas, colocando um Marshall ou um elemento das forças policiais a cada curva e reta de todo o percurso seletivo de um Rali. 


É importante, mas não suficiente, apelar-se à responsabilidade de cada aficionado e à consciencialização coletiva do perigo. 

O principal problema do Demoporto será porventura não fazer corretamente o trabalho de casa, mesmo nas zonas mais sensíveis de cada especial que são por si delimitadas com redes e fitas, num estranho alheamento (desinvestimento?) quanto a segurança que sinceramente não vislumbramos nas demais provas do Campeonato Nacional de Ralis

Vivendo-se no fio da navalha, em condições normais a FPAK sentir-se-ia impelida a intervir. 

Por muito menos incúria organizativa que a demonstrada pelo Demoporto nos últimos anos relativamente ao Rali Serras de Fafe, num passado recente já alguns Ralis saíram, ainda que temporariamente, do calendário do CNR

O problema é que a FPAK está, nesta matéria, refém de si própria e das suas próprias contradições quanto à amoralidade regulamentar em que vivem os Ralis nacionais. 

Quando, por opção, não são tornados públicos os relatórios dos observadores FPAK em cada prova quanto ao item da segurança (seria interessantíssimo saber, para não ir mais longe, o que constataram, se é que constataram alguma coisa, neste último Rali Serras de Fafe quando minutos antes de Pepe Lopez passaram na zona do salto de Montim…), no plano dos princípios a legitimidade é depois pouca para exigir aos organizadores que elevem os seus patamares de intervenção nessa área em concreto. 

Por tudo o que escrevemos supra, a pergunta já não sai, assim, de chofre, mas antes devidamente maturada à luz do que se passou no pretérito Rali Serras de Fafe: tem o Demoporto condições para continuar a organizar provas pontuáveis para o Campeonato Nacional de Ralis?


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Comentários

  1. Mas sera o Demoporto o unico responsavel?
    Quando escreve:
    "É importante, mas não suficiente, apelar-se à responsabilidade de cada aficionado e à consciencialização coletiva do perigo."
    Tem nocao que o que acontece e em grande parte responsabilidade do publico? O "Senhor Deitado", bem como o que lhe tira a fotografia (nao sei se e credenciado de imprensa ou nao, se for o que escrevo para a frente so funciona para o "Sr. Deitado"), estao mal colocados, por exemplo. E sairam de la? Se alguem mandou sair, sairam na mesma? E se alguem os foi buscar, voltaram para la?
    Quantas vezes se assiste ao povo, a reclamar e por vezes a nao respeitar, as autoridades desportivas, GNR ou PSP? Assisti ainda neste rali, num outro troco... Como fazer?
    Para mim a "consciencialização coletiva do perigo" e a coisa mais importante. Infelizmente, por um lado, felizmente por outro, ha muitos, chamemos-lhes, adeptos de momento nos ralis, fazem numero mas, apenas veem as provas que lhe passam a porta. Curiosamente, na grande maioria dos casos sao gente com pouca nocao de seguranca e confiam porque, "os gajos sabem o que fazem", como ja ouvi, centenas de vezes. Estes adeptos de momento, geralmente, e que provocam estas situacoes incomodas, porque sera?
    Porque e que o publico tem um determinado comportamento no WRC Rali de Portugal e outro no Serras de Fafe?
    Que dizer dos condutores dos carros 0 que, por vezes nem sequer fazem o seu trabalho?
    Responsabilizar apenas e so o Demoporto, e redutor. O problema e geral.

    P.S.- Escrito em teclado UK

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