P.E.C. Nº 407: Um emocionante derby minhoto...

Braga e Guimarães alimentam há muitos anos, se calhar desde o próprio começo da portugalidade, uma rivalidade assumida. 

São duas cidades, cada uma na sua idiossincrasia, muito interessantes a vários níveis e onde sempre nos sentimos particularmente bem. 

Se esquecermos a lógica do futebol e algumas formas doentias e obsessivas de estar do desporto-rei, arriscaríamos até antecipar ser tal afã competitivo a mola impulsionadora do crescimento das duas urbes minhotas nas últimas décadas, ambas afirmando-se cultural, social e economicamente no contexto não só do Norte mas do país enquanto um todo.

O próximo fim-de-semana vai-nos trazer mais uma mostra desse clima de derby entre bracarenses e vimaranenses, com promissora refrega a ter lugar em terreno neutro a Sul do país.

Alinhando pelas cores da cidade dos arcebispos estará Carlos Vieira, camisa n.º 27 nas costas.

Envergando o equipamento da cidade-berço vamos ter Pedro Meireles, com o n.º 2 estampado no jersey.

Se comparássemos Vieira e Meireles num exercício futebolístico imaginário e com recurso às delícias da metáfora, diríamos...

Que Carlos Vieira faz lembrar um daqueles avançados raçudos, irrequietos e combativos que estão sempre em movimento à procura da bola.

Uma dor de cabeça permanente para os centrais adversários este género de strikers, tão capazes de num momento estarem fora da grande área a tabelar com os colegas como no segundo seguinte aparecerem à boca da baliza para fazer a emenda para golo, sempre com técnica apurada.

Algo como Radamel Falcão ou Gabriel Batistuta, portanto.

 Pedro Meireles é senhor de uma maneira de jogar distinta.

Faz-nos recordar o centro-avante que faz da intuição e do faro para o golo a sua arma de eleição.

O sentido posicional é refinadíssimo e sabe colocar-se na zona de remate sempre no local certo e no momento exato.

Desmarca-se dos adversários com rapidez quando a ocasião lhe é favorável.

Algo como Van Basten ou o bibota Fernando Gomes, em suma.

Este duo de matadores de alto recorte não seria tão eficaz se não fosse servido por dois municiadores - sim, Rui Costa, Deco, etc… - como Jorge Carvalho e Mário Castro, capazes como poucos de pensar e organizar o jogo a meio-campo e levar a bola até aos respetivos avançados em condições ideais para estes concretizarem.

A Arena montada ao redor de Monchique saldará as contas finais do Campeonato Nacional de Ralis em 2017.

Vieira e Meireles são seguramente os nomes a concentrar mais atenções no próximo fim-de-semana.

Independentemente do resultado final a ditar pelo Rallye Casinos do Algarve, nenhum dos candidatos ao título terá motivos para estar desapontado com a respetiva prestação na atual temporada.

Cada um teve naturalmente altos e baixos ao longo do ano.

Mas qualquer um deles será um bom e justo campeão nacional, sobretudo por serem grandes pilotos e adversários dignos um do outro.

Não obstante um contexto geral extremamente tímido na divulgação desta Grande Final palco de todas as decisões, não obstante a enorme e crónica dificuldade demonstrada por esta modalidade quando tem de dramatizar junto do grande público os seus momentos mais arrebatadores, apelando de forma incisiva às emoções coletivas – do alegado segundo desporto com mais aficionados em Portugal, note-se -, espera-se a partir do Algarve acima de tudo um clima de desportivismo e onde impere o espírito de Festa da Taça, até porque o plantel a alinhar na prova é muito bom em quantidade e qualidade, prometendo grande espetáculo.

Estando-nos a embrenhar pela linguagem do futebolês, recordemos também, já agora, a figura do treinador.

Isto dos Ralis nacionais está incorrigivelmente cada mais próximo da velha máxima do pontapé na bola.

É um desporto em que todos competem contra todos, e, tendência em curso, no fim ganha o mister Abel Fernandes

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A FOTO EXIBIDA NO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://files.rallye-mortagua.webnode.pt/200000126-bf95dc0900/P%C3%B3dio%20Rali%20Mort%C3%A1gua.jpg

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