P.E.C. Nº 411: O bom, o Maho(nen) e o vilão!


A pergunta sai assim, de rompante: quanto deve medir uma classificativa? 

Ou melhor, reformulando: qual o tamanho ideal, a roçar a perfeição, dum troço numa prova de Ralis? 

Para o comum dos adeptos a resposta é atirada de imediato: não há um padrão ideal ou sublime para a extensão de troços de Ralis

Equívoco coletivo... 

A partir de Paris e num tom demasiado perentório – mas curiosamente ainda não caucionado de forma pública por Jean Todt - para não ser interpretado de outra forma senão com apreensão, para Jarmo Mahonen há: dez quilómetros, sem tirar nem pôr

Convém contextualizar quem é Jarmo Mahonen

Podia supor-se ser um daqueles eurocratas insuportáveis cujo entretenimento a partir de Bruxelas não vai além de definir a porção máxima de sal contida no pão presente nas nossas mesas, ou, entre outras diatribes de inestimável relevância para o quotidiano luso, regulamentar o diâmetro máximo das maçãs à venda nos supermercados deste Portugal. 

Talvez Mahonen seja em Paris uma encarnação desse frémito regulamentador provindo da capital belga. 

A questão é o finlandês não ser uma pessoa qualquer dentro dos meandros decisórios dos Ralis no plano internacional. 

Tem poder. 

Tem influência. 

Tem nas suas mãos, se o deixarem, a condução do formato e dos destinos das provas do WRC num futuro próximo. 


Seguem-se se calhar, dentro de tal afã parametrizante para o automobilismo, coisas tão fascinantes como vermos Le Mans transformada em sucessivas corridas de dragsters durante 24 horas. 

Ou, quem sabe, metamorfosear o Dakar de forma a torná-lo mais “comprimido”, em algo assim bem próximo de uma qualquer etapa do Troféu Nacional de Períciascompetição que nos merece o maior respeito e carinho, note-se -. 

O número mágico, portanto, para debelar os problemas de promoção do mundial de Ralis é dez. 

Dez quilómetros. 

Porquê

Pelo prosaico motivo de havendo mais troços haver, na visão Mahoneniana, “mais notícias”

Nós, Zona-Espectáculo, confessamente pouco dados a estas coisas da matemática, fizemos umas contas banais - quase no limite da nossa modestíssima capacidade de raciocínio, claro está... - e até nos atreveríamos a sugerir troços apenas de um quilómetro: cada prova teria dez vezes mais troços que na fórmula advogada pelo bonacheirão do Jarmo

Logo, dez vezes “mais notícias a circular”

E troços com uns escassos cem metros? 

Bestial: as “notícias” multiplicariam por cem! 

agora como ficaria a coisa com troços de dez metros quanto a “mais notícias”

Bom, caro amigo leitor, nada de nos pedir o impossível: acima já recordámos não ser esta arte das somas e multiplicações exercício para o qual tenhamos especial afinidade… 

Dentro da sua visão estarrecedora para o futuro do WRC, prosseguiu Mahonen com mais algumas preciosidades. 

Quando o comum adepto julgaria servirem os Ralis para os carros de competição rodar acima de tudo em troço cronometrado – a regra -, e irem à assistência – a exceção – pelo mínimo tempo possível e apenas para assegurar os serviços mecânicos indispensáveis a poderem continuarem em prova, eis o dignatário da FIA a propor o Parque de Assistência como “o coração” deste admirável mundo novo Mahoneniano, no qual tudo se centra e a partir do qual tudo se move, reduzindo as classificativas lá longe, quem sabe, a uma espécie de indesejável “colesterol mau”, potenciadoras de perturbações e deficiente funcionamento da “região torácica” dos futuros eventos mundialistas: espera-se, claro, não sobrevirem riscos agravados de “enfarte do miocárdio” para estes últimos. 

Esqueça também, caro amigo leitor, quaisquer conhecimentos por si adquiridos em matéria de "entretenimento"  ligado a este nosso desporto. 

A fatwa de Jarmo Mahonen não prevê qualquer apelo ou agravo: o "entretenimento" não está nos troços, muito menos direcionado para os milhões de espetadores a cada ano presentes nas diversas etapas do calendário do campeonato do mundo de Ralis. 

Dentro do novo léxico proposto pelo dirigente da Federação Internacional do Automóvel, conceitos como fã, aficionado ou adepto dão agora lugar à entusiasmante definição de “convidado”

Chouriço assado, carapaus fritos, um bom copo de vinho, os indispensáveis rissóis ou a mítica grade de minis, darão vez ao fascinante mundo das tâmaras, dos canapés e do espumante manhoso para “convidado” degustar. 

A cobertura do WRC será neste cenário assético, ousamos arriscar, preferencialmente assegurada pela revista Caras ao invés do nosso quarentão AutoSport. 

E, claro, haverá "notícias"; muitas "notícias"

Não importa se promovem a modalidade com eficácia, despertam interesse coletivo na chamada social media ou chegam a renovados públicos. 

Haverá “mais notícias”, ponto final. 

E afinal qual a relevância de milhares de fulanos no Confurco a puxar a plenos pulmões pelos seus ídolos, quando se pode ter à mão de semear a eloquência de uma qualquer Lili Caneças numa tenda do Parque de Assistência? 

Não obstante estas nossas observações obviamente carregadas de forte sentido construtivo, vemo-nos impelidos ainda assim, caro amigo leitor, a reconhecer em Mahonen algo de coerente. 

, convenhamos, na sagacidade e perspicácia do diretor da FIA para os Ralis uma certa ideia do “convidado”

Até talvez fosse de elementar justiça, quem sabe, Jean Todt reconhecer e formalizar rapidamente ao Jarmo o estatuto de “convidado”: “convidado” a demitir-se!

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A FOTO PRESENTE NESTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
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