P.E.C. Nº 417: Ralis Imaginários; "Lisboa Rallye"


Madrid, tem - ver AQUI -.

Em Roma, há - ver AQUI -.

Sem aprofundar outros exemplos, Espanha e Itália são, como Portugal, países onde os Ralis estão há décadas fortemente implementados.

Modalidade popular em muitos pontos do globo, as nações a sul da Europa sempre foram, para o bem e em algumas ocasiões para o mal, paragens onde o fervor por este desporto se tem expressado com mais intensidade.

No país vizinho e na península itálica, os respetivos principais campeonatos internos não dispensam uma incursão a paragens próximas das suas cidades-capital.

Não tanto por questões de índole “administrativa”, mas mais por exigências de natureza estratégica, Madrid e Roma têm perto – ou até mesmo dentro – de si provas com expressão nacional e, como no exemplo romano, internacional.

O caso português é substancialmente diferente.

A zona da grande Lisboa não tem há um quarto de século às suas portas um Rali integrado no calendário do nosso campeonato nacional.

Algumas vozes têm nos últimos tempos vindo a alertar para a necessidade de se suprir esta lacuna.

A importância de levar a modalidade para "onde se encontram as pessoas” torna-se premente quando, como no caso da capital e área urbana adjacente, estamos a tratar de uma das duas grandes malhas urbanas em Portugal.

O público pede-o.

Os interesses dos patrocinadores porventura exigem-no.

Num tempo onde as palavras “promoção” e “divulgação” estão cada vez mais presentes no dicionário dos Ralis nacionais, a realização de um evento perto de Lisboa pontuável para o C.N.R é acima de tudo uma questão de tempo.

Um processo destes não se concretiza, porém, de um dia para o outro.

Empreender um traçado com cinquenta ou sessenta quilómetros de estradas sem passar por aglomerados populacionais – ou pelo menos, passando, sem perturbar a vida e o quotidiano das pessoas, nem o normal fluir do trânsito em tais artérias – é um exercício necessariamente complexo, mais ainda por se tratar de uma região densamente povoada.

A sustentabilidade e o futuro dos Ralis em Portugal terão com rapidez de ser definidos como um normal equilíbrio entre a tradiçãoas catedrais da modalidade situadas nos meios mais rurais, onde está muita da identidade deste desporto em Portugal - e a modernidadeprovas disputadas junto às grandes cidades do país -.

Uma boa base de trabalho passa, a nosso ver, por desde logo o centro nevrálgico – secretariado, parque fechado, parque de assistência, zona de imprensa, lounge, etc… - de um Rali com ambições urbanas dever estar obrigatoriamente sedeado dentro da cidade sua ‘mãe’.

Na cidade de Lisboa, por sinal há uma localização a nosso ver perfeita para o efeito: o Parque das Nações.

Além de ser uma zona nobre da capital ligada a um certo conceito de modernidade urbanística, com muitas pessoas a fazerem dali o centro das suas vidas, quer pessoais, quer profissionais, reúne um conjunto de outras valências a merecer nota de destaque.

As acessibilidades em termos de estradas e transportes públicos – autocarros; comboio; metropolitano – a partir do centro ou do exterior da urbe são diversas e plenamente capazes de satisfazer o mais exigente dos adeptos.

Numa cidade fortemente apostada em capitalizar o turismo, a renovada zona oriental da cidade e frente ribeirinha virada para o Tejo polariza diariamente muitos visitantes, vetor ao qual à organização de um Rali não pode, também, ser insensível.

A oferta hoteleira num espaço de poucos quilómetros quadrados ao redor do Parque das Nações é considerável.

Caso a prova tivesse ambições em se internacionalizar, o aeroporto Humberto Delgado dista poucos minutos do local.

O próprio canal público de televisão está próximo.

No Parque das Nações estão hoje sedeadas diversas empresas ligadas à área dos serviços e das tecnologias, várias delas multinacionais, com solidez financeira e forte imagem de prestígio junto dos portugueses.

Para aquela zona tem-se vindo nos últimos a deslocar parte da “nova economia” que brota neste país.

A parte oriental de Lisboa está contada com inovação, dinamismo e crescimento.

O Parque das Nações, em resumo, está ligado à ideia de dinheiro.

Qualquer perspetiva estruturada de crescimento para a modalidade não pode deixar de procurar ir até onde está o dinheiro, e exercer charme "insinuando-se" perante quem tem dinheiro.

Se quisermos entrar, agora, nos detalhes logísticos de um futuro Rali organizado na capital do país, os quatro grandes pavilhões do Parque de Exposições da FIL têm 10.000 m2 cada, e o complexo na sua totalidade cerca de 100.000 m2.

Para local de trabalho das equipas seria simplesmente perfeito a todos os níveis, com todas as comodidades logísticas plenamente garantidas.

Nas imediações há uma plêiade de locais ao ar livre para se fazer o Parque Fechado, num enquadramento paisagístico de excelência, permitindo a milhares de pessoas verem de perto os carros e contactarem diretamente com os pilotos e navegadores: em termos promocionais e com um bom trabalho prévio de divulgação, a projeção por todos pretendida por esta modalidade encontraria certamente aqui um momento muito alto.

Deixamos, para concluir todos estes desenvolvimentos de ordem prática, dois exemplos à consideração da imaginação do caro leitor.

Uma superespecial noturna traçada numa zona à qual, além da população ali residente, aflui diariamente uma movida à procura de emoções, diversão e entretenimento – ‘"este" Rali podia assumir-se nesta área como uma excelente oferta complementar -.

Uma cerimónia de saída dos carros para a estrada e do pódio a ter lugar talvez ali pelo Jardim Garcia de Orta, com o dourado do grande Tejo/Mar da Palha como pano de fundo.

De seguida, sem conhecermos com grande rigor as estradas mais perto da capital de Portugal passíveis de integrar um "Rali de Lisboa", propomos, num exercício tão lúdico quanto despretensioso, um conjunto de especiais por nós desenhadas para o efeito.

O projeto que se segue foi imaginado enquanto Rali integrado no campeonato nacional da modalidade, com regras ao nível da extensão de troços e quilometragem total do evento de acordo com os regulamentos FPAK conhecidos em 2017.

Norteou-nos o princípio de aproximar o mais possível as classificativas da capital do país, mas tendo em linha de mira a enorme mancha populacional da área metropolitana da grande Lisboa.

Com um aglomerado urbano tão vasto e disperso, encontrar estradas de matriz mais rural sem perturbar grandemente o quotidiano das populações revelou-se um exercício tão difícil quão entusiasmante, por nos ter permitido, ainda que de forma virtual, ter explorado de forma mais aprofundada regiões do país pouco conhecidas do grande público, sobretudo do grande público ligado aos Ralis.

Estabelecemos previamente, a norte de Lisboa, como limites geográficos desta nossa "prova" Mafra e Arruda dos Vinhos - cada uma a albergar duas rondas de troços – na tentativa de compactar ao máximo o evento e evitar grandes distâncias em percurso de ligação.

Foi por isso que não incluímos, por exemplo, o mítico Montejunto.

Este "projeto" não contempla Sintra, porque, sem certezas e não aprofundando o tema, afigura-se-nos haver constrangimentos de natureza ambiental a impedir atualmente manifestações desportivas de massas nas estradas ao redor daquela vila.

Caso Sintra venha a permitir a realização de provas de Ralis dimensionadas pelo menos ao nosso campeonato nacional, tudo muda de figura.

Lagoa Azul, Peninha e/ou Sintra são ainda hoje património indelével da história dos Ralis nacionais e internacionais.

Na superação, na glória, no desalento e na tragédia associadas a Sintra está um bilhete-postal ilustrado universal da essência da modalidade.

Um "Rali de Lisboa" sem Sintra não faz emocionalmente sentido.

Caso os carros de Rali possam regressar um dia aqueles bosques, necessariamente este projeto agora apresentado aos nossos visitantes carece de revisão, no todo ou em parte.

Até lá, pretendemos apenas demonstrar ser perfeitamente exequível desenhar um evento integrado no Campeonato Nacional de Ralis ao redor da capital do país.

Aliás, estamos em crer, até pela crescente consciencialização da importância de levar a modalidade de encontro a mais e novos públicos, a concretização prática de um qualquer “Lisboa Rallye” ser apenas uma questão de tempo, como escrevemos acima.

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Post-scriptum 1:

um conjunto de entusiastas no terreno a trabalhar ativamente no intuito de recuperar a ideia do antigo e saudoso Rali das Caméliasnão necessariamente com esta designação -. O projeto é credível por ter na sua génese diversas pessoas experientes, empenhadas e sérias, e não duvidamos estar-se a trabalhar muito e bem com vista a este velho anseio passar do papel para se consubstanciar na estrada. Sintra, sempre Sintra, assume, claro, foros de especial importância. A ambição de resgatar as estradas daquela Serra para a modalidade é grande – a exceção, aliás bem-sucedida, são as experiências anteriores com o Rallye de Portugal histórico -, tão grande quanto as burocracias aliadas ao processo e a arte de convencer as autoridades competentes das vantagens do evento. Estamos a torcer muito para este intento a breve trecho poder tornar-se algo de concreto. Quem está a trabalhar na sua prossecução, merece-o. Os agentes da modalidade, também. O esquema "imaginário" por nós preconizado nas linhas anteriores é um exercício meramente lúdico: não rivaliza nem em momento algum se deve confundir com o hipotético ressurgimento – pelo menos em espírito -, volvido um quarto de século, do saudoso “Camélias”.

Post-scriptum 2:

Demonstramos acima ser perfeitamente possível realizar um Rali com mais de uma centena de quilómetros de setor seletivo junto à Grande Lisboa. Permitimo-nos agora, apresentado o trabalho, deixar o sonho escorregar para os carateres. A prova começaria idealmente numa noite estival de Verão, à sexta-feira. Desde logo, com a realização de uma Superespecial em pleno Parque das Nações, logo ali junto à zona de assistência, perante milhares de espetadores. O Rali prosseguiria depois, durante os dias de sábado e de domingo - uma exceção ao número de horas regulamentado como limite para a duração de uma prova -, nos dez troços acima mapeados. Na noite de sábado, concluídas já as hostilidades do segundo dia de refregas, a caravana disputaria um empolgante slalom em plena Avenida da Liberdade – o Terreiro do Paço seria perfeito, mas já é sonhar demais -, para gaudio das dezenas de milhares de entusiastas presentes vibrando com o inesquecível espetáculo. Para rematar a noite de sábado, os concorrentes rumariam de seguida novamente ao Parque das Nações para uns codrives com adeptos, convidados e potenciais patrocinadores A festa prosseguiria depois nos estabelecimentos de diversão noturna daquela zona nobre da cidade de Lisboa, em perfeita comunhão entre os diversos agentes deste desporto, dos pilotos aos dirigentes, dos mecânicos aos organizadores, dos jornalistas ao público. Ao início da noite de domingo, a cerimónia de pódio final seria engalanada por um majestoso espetáculo de fogo-de-artifício tendo o Tejo como pano de fundo. Melhor promoção para os Ralis seria difícil de encontrar. E além de um "mero Rali", teríamos algo mais abrangente e de incontida ambição: um acontecimento oferecendo emoções, a procurar extravasar as fronteiras da modalidade!

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 1. ESTRUTURA DA PROVA 

DESIGNAÇÃO: "Lisboa Rallye".
ELEGIBILIDADE: C.P.R - absoluto -; RC2; RC2N; RC3; RC4; RC5; CPGTR; CPClássicos.
DIAS DE PROVA: Três.
ETAPAS: Três.
SECÇÕES: cinco.
CLASSIFICATIVAS: onze.
PISO: asfalto.
QUILOMETRAGEM TOTAL DO RALI: 370 quilómetros - valor aproximado -.
QUILOMETRAGEM TOTAL DAS CLASSIFICATIVAS: 112 quilómetros - valor aproximado -.
CENTRO NEVRÁLGICO/PARQUE DE ASSISTÊNCIA: Feira Internacional de Lisboa, Parque das Nações.

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 2. ESQUEMA DA PROVA  

 1.ª Etapa || 1.ª Secção 

- Partida do Parque de Assistência (Parque das Nações; Feira Internacional de Lisboa)0 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C n.º 1 (extensão: 3,00 kms – valor meramente indicativo -)+ 3,00 kms;
P.E.C n.º 1 – Parque das Nações - (extensão: 2,50 kms – valor meramente indicativo -)+ 5,50 kms;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência (extensão: 4,50 kms – valor meramente indicativo -): + 10,00 kms.

 RONDA DE MAFRA 
  
 2.ª Etapa || 1.ª Secção 
  
- Partida do Parque de Assistência (Parque das Nações; Feira Internacional de Lisboa): + 10,00 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C n.º 2 (extensão: 42,60 kms)+ 52,60 kms;
P.E.C n.º 2 – Codeçal '1' - (extensão: 10,40 kms)+ 63,00 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C n.º 3 (extensão: 5,80)+ 68,80 kms;
P.E.C n.º 3 – Sobral da Abelheira '1' - (extensão: 7,90 kms)+ 76,70 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C n.º 4 (extensão: 10,20 kms)+ 86,90 kms;
P.E.C n.º 4 – Almeirinho Clemente '1' (extensão: 9,20 kms)+ 96,10 kms;
- Percurso de ligação até à zona de neutralização junto ao Palácio Nacional de Mafra (extensão: 20,30 kms)+ 116,40 kms

 2.ª Etapa || 2.ª Secção 

- Partida da zona de neutralização junto ao Palácio Nacional de Mafra: + 116,40 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C n.º 5 (extensão: 7,10 kms)+ 123,50 kms;
P.E.C n.º 5 – Codeçal '2' - (extensão: 10,40 kms)+ 133,90 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C n.º 6 (extensão: 5,80 kms)+ 139,70 kms;
P.E.C n.º 6 – Sobral da Abelheira '2' - (extensão: 7,90 kms)+ 147,60 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C n.º 7 (extensão: 10,20 kms)+ 157,80 kms;
P.E.C n.º 7 – Almeirinho Clemente '2' (extensão: 9,20 kms)+ 167,00 kms;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência (extensão: 33,40 kms)+ 200,40 kms

 RONDA DE ARRUDA 

 3.ª Etapa || 1.ª Secção 

- Partida do Parque de Assistência (Parque das Nações; Feira Internacional de Lisboa): + 200,40 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C n.º 8 (extensão: 41,70 kms)+ 242.10 kms;
P.E.C n.º 8 – Cadafais '1' - (extensão: 17,40 kms)+ 259,50 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C n.º 9 (extensão: 9,30)+ 268,80 kms;
P.E.C n.º 9 – Arruda dos Vinhos '1' - (extensão: 9,70 kms)+ 278,50 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C n.º 10 (extensão: 11,20 kms)+ 289,70 kms;

 3.ª Etapa || 2.ª Secção 

P.E.C n.º 10 – Cadafais ‘2’ (extensão: 17,40 kms)+ 307,10 kms;
- Percurso de ligação até à P.E.C n.º 11 (extensão: 9,30)+ 316,40 kms;
P.E.C n.º 11 – Arruda dos Vinhos '2' - (extensão: 9,70 kms)+ 326,10 kms;
- Percurso de ligação até ao Parque de Assistência (extensão: 43,00 kms)+ 369,10 kms

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 3. MAPAS DA PROVA 

 CODEÇAL 
- 10,40 quilómetros -



 SOBRAL DA ABELHEIRA 
- 7,90 quilómetros -



 ALMEIRINHO CLEMENTE 
- 9,20 quilómetros -



 CADAFAIS 
- 17,40 quilómetros -



 ARRUDA DOS VINHOS 
- 9,70 quilómetros -



A FOTO QUE ABRE O PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
https://i.ytimg.com/vi/0-zv80-Ueuo/maxresdefault.jpg

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