P.E.C. Nº 431: Ano de "Corridinho (ou melhor: "Corridão") do Algarve"?...


Ao fim de muitos anos de militância convicta nos Ralis, Ricardo Teodósio chegou no pretérito Rali de Castelo de Branco, por fim, à primeira vitória absoluta no C.P.R. 

Não foi uma mera vitória de facto

Foi uma vitória de jure, daquelas que, no caso concreto, inscrevem sem apelo nem agravo o nome do algarvio no registo e painel dos pilotos vitoriosos em Ralis pontuáveis para a competição maior da modalidade em Portugal.

Por se tratar de Teodósio, não estamos perante um trivial apontamento estatístico.

As paragens da Beira Baixa entronizaram indelevelmente, para a história, o talento do campeão nacional de RC2N em título.

Cunharam-se de forma solene e oficial as enormes competências que a comunidade dos Ralis reconhece ao homem da Guia há muito tempo.

São, como escrevemos um dia, "muitos anos a virar frangos".

Para além de ter sido o mais rápido nas classificativas albicastrenses e ter chegado, sem mácula, ao triunfo na prova da E.C.B, Teodósio viu na generalidade ser-lhe reconhecida a superioridade neste Rali, mas, mais importante, conseguiu que praticamente todos – ou todos, mesmo - os seus adversários tivessem sido lestos em afirmar ter sido uma vitória que “já devia ter acontecido há muito tempo”.

O atual segundo classificado da tabela pontual de pilotos no Campeonato de Portugal de Ralis não tem anticorpos dentro deste desporto, consideração que atravessa transversalmente adeptos, analistas/jornalistas, staffs de equipas ou os principais rivais.

Num mundo cheio de gente artificial na imagem e codificada na linguagem e pensamento, como não ter simpatia relativamente a quem é simples, conciso e genuíno?

Ricardo Teodósio sempre foi isso.

Alguém muito terra-a-terra e sempre sincero.

Alguém que é um dos melhores pilotos nacionais mas podia ser perfeitamente o tipo bem-disposto que vai ao Confurco dar umas risadas e beber umas cervejas enquanto vibra entusiasmado com as atravessadelas das máquinasas com rodas e, porque não, até as… sem rodas… - que por ali desfilam.

O homem do sul do país é, pois, um piloto singular e especial quando comparado com a esmagadora maioria do plantel do C.P.R.

Coloca perfume e endorfinas na sua condução.

Ao volante faz gala, sem complexos, em se diferenciar do cheiro neutro que o cronómetro emana.

Os Ralis vivem de imagens fortes: daquelas que o tempo ajuda a perdurarem na nossa memória coletiva.

Teodósio tem nessa matéria, pela qualidade e quantidade, um portfólio pessoal ímpar na modalidade em Portugal.

Com décadas de presença no automobilismo, percebe a relevância de oferecer algo mais ao público - o que está nos troços e o que segue, em direto ou em diferido, as provas à distância - que uma mera passagem demasiado certinha, sem rasgo nem emoção.

Sabe que o risco de perder umas décimas de segundo numa curva pode ser compensado com o acréscimo de atenção geral relativamente às suas prestações, com benefícios, por arrasto, para os parceiros institucionais que procuram o justo retorno dos valores que investiram no seu projeto.

Ricardo Teodósio tem uma enorme habilidade para conduzir.

Como se costuma dizer, “guia largo”.

Não revela especiais temores em perder o carro, por ter autoconfiança suficiente para o segurar na fração de segundo seguinte.

Uma curva com muito público é uma janela de oportunidade para expressar a sua arte.

Para empolgar uma plateia.

O algarvio, sem concessões à objetividade - leia-se: rapidez -, conhece a importância de, aqui e ali, por vezes adornar um lance como marca distintiva sua enquanto piloto.

Numa carreira já longa, é esse somatório de irreverênciasque de forma alguma são sinónimo de falta de seriedade, empenho ou profissionalismo - que o tornam singular no contexto dos Ralis nacionais.

Com mais de dezena e meia de anos nos Ralis, a temporada de 2018 é em definitivo aquela na qual Ricardo Teodósio conseguiu reunir as condições necessárias para dar o salto na carreira a bater-se abertamente pelas vitórias em cada prova.

Está integrado numa das mais qualificadas equipas nacionais.

Dispõe de uma viatura que lhe dá sobejas oportunidades para ser competitivo.

A época está a correr-lhe de forma muito satisfatória, atendendo a que o objetivo confesso seria atacar o título máximo de pilotos apenas em 2019.

Está, para já, na vice-liderança da tabela pontual do C.P.R reservada aos condutores.

Entretanto, em dias recentes, fez alguns avisos à navegando referindo estar, como aliás se adivinhava, com os índices de motivação no red line.

A temporada a três provas do final – todas em asfalto - aproxima-se do momento das grandes decisões.

A concorrência na luta pelo título – nesta altura, sobretudo Armindo Araújo e Miguel Barbosa – é forte, tem ambição, mas não pode abster-se de fazer marcação cerrada e atenta a Teodósio.

Sobretudo não deve deixá-lo levar a decisão do título dependendo apenas de si próprio para a derradeira refrega da época, onde jogará em casa.

É que assim for, as hipóteses de dia dezassete de novembro próximo haver festa de arromba num respeitável estabelecimento restauração sedeado em Guia, Albufeira, são, fica a mensagem, mais que muitas…   

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Nota 1:
- Não há bom piloto sem navegador de qualidade ao seu lado. Sem embargo do talento natural e exuberante técnica de condução de Ricardo Teodósio, boa parte do raciocínio acima desenvolvido aproveita de igual forma a José Teixeira, seu navegador nos últimos anos e parte indissociável dos sucessos conquistados por ambos, sobretudo em 2017 e 2018.

Nota 2:
- Selecionámos a fotografia que segue imediatamente estas linhas, por ser, na nossa visão, uma das belas ilustrações daquilo que é abordagem de Ricardo Teodósio aos Ralis. Aconteceu no Rali dos Açores de 2017. À saída da zona de balneário dos automóveis e após retemperador duche ao Mitsubishi, o algarvio permitiu-se subir propositadamente o paredão das Portas do Mar em Ponta Delgada e percorrer dezenas ou centenas de metros com o automóvel num ângulo de 45.º relativamente à parede e ao chão. É daqueles momentos que não se explicam. São travessuras e diabruras próprias de quem está na competição de forma distendida mas sem fazer concessões ao profissionalismo. É a saudável loucura própria daqueles para quem as coisas da vida não são para levar sempre demasiado a sério. Tudo isto acumulado torna a fotografia verdadeiramente fabulosa. Como sempre tem sido nosso apanágio neste blogue, muito gostaríamos de expressamente identificar o respetivo autor - ao qual desde já prestamos a nossa mais respeitosa vénia - ou mencionar o espaço na internet através do qual obtivémos a mesma. Tal facto não nos é, pelo menos para já, possível. Daí que caso alguém nos possa de alguma forma ajudar a suprir esta omissão, ficamos desde já especialmente agradecidos.

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A FOTO DE ABERTURA DO PRESENTE TRABALHO FOI OBTIDA EM:
- http://www.tvi24.iol.pt/desporto-motorizado/skoda-fabia-r5/nacional-de-ralis-ricardo-teodosio-vence-rali-de-castelo-branco

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